segunda-feira, 2 de junho de 2014

SOBRE SABER AMAR

* Por Ilana Benne Falcão Maia


Certa feita tive o interesse em pesquisar e escrever sobre o amor. Sabemos que as relações amorosas mudaram e mudam ao longo do tempo. Desde a Idade Média até os dias atuais, a instituição do casamento e o amor são vistos de diferentes formas devido às mudanças e movimentos das sociedades, o que não me surpreendeu até então. Foi aí que me deparei com a expressão “amor líquido” se referindo aos laços humanos do homem moderno como algo frágil, o que faz todo sentido. O amor moderno tornou-se líquido, segundo Bauman (2004) “as relações estão frouxas". Os desejos mudaram, conectar-se a alguém pode ser fácil, o difícil é justamente o contrário, romper esse laço é doloroso. O homem moderno teme a dor, fazendo assim as relações ficarem vazias, mantendo assim a sua liberdade.

Talvez os motivos dessa diluição do sentimento amoroso sejam por conta dos desejos urgentes, das intenções que mudaram e da constante busca do sentido da vida. Inúmeras dúvidas permeiam as cabeças de homens e mulheres do século XXI, e talvez nenhuma certeza. Perdeu-se o encanto do “amor da alma da cintura para cima e amor do corpo da cintura para baixo” (Garcia Márquez), vivemos o mundo da pluralidade, do efêmero, em que instituições como o casamento formal estão tendo que se adaptar às condições de mudança social. Nesse processo de mudança das relações amorosas, a intimidade tornou-se flexível devido à grande aceitação das relações sexuais pré-nupciais, à infidelidade, à adaptação religiosa a essas relações, apesar da religião ainda manter suas ideologias e resistências a respeito do casamento. Enfim, em tudo ou quase tudo os laços amorosos se diferenciam daqueles das sociedades arcaicas, em que o amor era algo crescente e fazia parte da adaptação do casal, e podia existir no leito matrimonial ou não; hoje é pré-requisito para o início da relação que começa ardente mas costuma acabar com o tempo, a partir do momento que os interesses mudam.

Com a flexibilidade do mundo moderno, todas as configurações de amor são aceitáveis, o que preocupa é que isto se perca, o sentimento se torne tão líquido que evapore. Enquanto pisamos na incerteza do que é amar e ser amado, os laços humanos continuarão sendo frágeis.


* Ilana Benne Falcão Maia é graduanda do quarto semestre de Letras Vernáculas na Uefs.

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