sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Artes às traças! Sarau na Praça

Por Danilo Cerqueira*
   
       Estavam na sala do D.A. de Letras e Artes José Jerônimo de Morais, em meados do mês de fevereiro de 2009, alguns indivíduos da então gestão e do (de um) Grupo Letrarte. Estávamos reunidos às vésperas do mês da poesia (14 de março) para organizar nosso terceiro sarau.
      Fato: não tínhamos um nome para o sarau, mas já tínhamos um (novo) local. O que fazer diante da falta de criatividade para dar um nome ao nosso evento, o mais disputado e famoso das “anonimidades” da classe letrada da UEFS? Fomos in loco para ver se aspirávamos algum sugestivo incenso de vernáculo (ou não), suficiente para chegar a um nome pouco acima do ridículo para esse tal evento de letras. Assim, estavam (a certeza sempre falta aos que lembram às risadas) a menina da voz ritmada, o chato, o burocrata, o superintendente, o/a acompanhante, Maria bonitinha e Nenhum artista. Bem... Nenhum artista comparecer a esta narrativa quer dizer que alguma coisa séria sairia de lá. E saiu.
      Dirigimo-nos à praça do borogodó (popularmente alcunhada pelo nosso chato, se não me falha certa minúcia de memória) não necessariamente com essa formalidade. Todos lá, alguns sentados e outros a perambular pelo espaço aberto, contemplávamos toda a área da praça recém-construída. Esse seria o primeiro sarau de nosso grupo numa praça. Talvez por isso estivéssemos meio perdidos em encontrar um nome para o evento. Os dois anteriores, realizados em frente ao anfiteatro nos meses de agosto e outubro de 2008, foram por experiência um sucesso. Este precisava ter algum diferencial. Nossa! Precisávamos logo chegar a um nome, pois elaboraríamos um cartaz ainda para realizá-lo antes do dia da poesia.
      Agora, nas dependências da praça do borogodó, esse grupo haveria de chegar a um nome para o terceiro sarau do grupo Letrarte?!...
      Fomos todos para a parte mais baixa da praça e como que admiramos aquele espaço  com uma mesa grande e outras menores –, na parte mais alta e também mais próxima aos MTs do módulo 3. Olhávamos de baixo para cima, uma posição de altivez ou de avistamento, como que prestes a encontrar uma pedra e chegar ao chão... ou avistar uma nova morada para nossa inteligência.
      Todos concentrados: conversávamos bem desordenadamente sobre banalidades. Todos empenhados: ouvi alguns roncos de estômago (estava próximo do almoço). Entre a menina da voz ritmada e nenhum artista alguém rasgou nossa impotência cognitiva. Disse (creio que tenha sido o burocrata):
      ─ Arte às Traças!
      Lembro da Maria bonitinha completar exasperada:
      ─ Sarau na praça! coisa muito incomum em nossas Letras é uma (!) rima ambígua.
      Desescalarecidas as ambiguidades sobre quem seriam as traças e se era a arte na universidade que estava às traças fomos, regozijados com nossa mais nova criação, para a organização de nosso terceiro sarau:

Arte às traças!
Sarau na praça


*Danilo Cerqueira é Graduado em Letras Vernáculas pela UEFS, está fazendo especialização em estudos literários, também na UEFS, e integra a Comissão editorial da Revista Graduando.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Eu vi...


O Estranho mundo de Jack (Nightmare before Christmas)

Por Juliana Pacheco*

   Para entrar no clima de final de ano, nada melhor do que a resenha de um filme cheio do espírito natalino, certo? Quase certo. O estranho mundo de Jack, filme que traz no título original a referência ao natal, não é um filme sobre a festa baseada na união das famílias, no espírito de confraternização, muito menos nos momentos felizes que essas festas trazem. Não da forma tradicional.
  Começamos o filme nos dando conta disso, quando somos apresentados ao estranho mundo de Jack, como o título nacional o chama, a cidade do Halloween. Jack é o Jack Esqueleto, o rei dos sustos na cidade, uma espécie de celebridade que há anos é reconhecido como o melhor na festa de Haloween. Mas ele está cansado de tudo isso, entediado com a rotina que, ano a ano, não muda. O desmotivado Jack encontra, sem querer, a porta que vai para outra cidade, a Cidade do Natal, onde ele entra em contato com todas as coisas que ele não conhecia. Neve? Presentes? Doces? Velas? E quem é aquele tal de Papai Noel?
  Jack decide que é disso que ele precisa para mudar sua vida. O problema é que ele não consegue entender exatamente o que é essa magia que o Natal tem, nem consegue explicá-la para os outros habitantes da Cidade do Haloween. A solução é seqüestrar Papai Noel e fazer eles mesmos o Natal, para roubar esse sentimento.
  O filme foi produzido em stop motion (a técnica que feita com várias fotos dos objetos, com pequenas mudanças no posicionamento, para fazê-los parecer estar em movimento), em 1993.
Tim burton e os modelos dos personagens usados na produção
Ainda que a técnica tenha evoluído muito desde então, é incrível ver o trabalho realizado. Os três “mundos” do filme (a cidade do Haloween, a Cidade do Natal e o nosso mundo – que também aparece, já no final do filme) são extremamente complexos e bem criados, cheios de características, detalhes e belezas próprios. O visual pode ser considerado o maior trunfo do filme, já que a história contada pode não agradar a quem não é adepto dos filmes de fantasia. Ainda, o fato de ser um musical pode desagradar quem não gosta do gênero, mas as músicas criadas por Danny Elfman completam perfeitamente a trama, dentro do clima sombrio próprio do produtor, Tim Burton.
  Um filme diferente pra quem não agüenta a overdose do “clima feliz de Natal” e sabe que ninguém agüentaria 365 dias de musiquinhas, presentes, vermelho-e-verde e decorações piscantes. 






O estranho mundo de Jack (Nightmare before Christmas)
1993 - 76 min.
Direção: Henry Selick
Roteiro: Caroline Thompson (adaptado da ideia e de um poema de Tim Burton)

* Juliana Pacheco é graduanda em Letras com Inglês na UEFS e membro da equipe Graduando.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Cordel da Graduando


Por: Luciano Ferreira*

A Revista Graduando
É o canal do estudante,
Por isso está crescendo
Ficando mais elegante.
Faz o diferencial,
Com grande potencial,
Uma história fascinante.

De estudante pra estudante,
Sem fazer muito embaralho,
A Revista é coisa séria,
Não fazemos quebra galho.
Sendo artigo ou resenha
Graduando é a senha
Que publica seu trabalho.

Um trabalho bem feito
Esquecido na gaveta
É como rastro de fogo
Deixado por um cometa:
Na hora alumia tudo
Depois: cego, surdo e mudo
Ninguém fala da faceta

Quando o saber se constrói,
Tudo tem melhoramento.
Segredo é coisa boa,
Mas não neste segmento.
Se o saber se multiplica,
A coisa se descomplica
E a ciência tem aumento.

Os estudantes de Letras
Entenderam que é assim
E criaram uma revista
Voltada para este fim:
Promover publicação
De quem faz graduação
E ligaram para mim

Encomendaram o cordel,
Que eu fiz com primazia,
Para falar da Revista,
O que exige galhardia.
Pois comigo é desse jeito:
Escrevo sem preconceito
Seja noite ou seja dia

Deixei os versos fluirem
Segundo a inspiração.
Com motivo pra escrever
Palavras vêm de montão.
A gente escreve sem freio
Como bala em tiroteio
Que não quer parar mais não.

São dois anos de trabalho
E o sucesso é total.
A Revista Graduando
Vai crescendo no local
É destaque na cidade
Já tem notoriedade
Até em nível nacional

Com o nome no gerúndio,
Que garante a permanência,
Estando sempre presente
Com sinal de competência.
Para sempre Graduando
Estudantes no comando
Produzindo mais ciência

Seu trabalho passa por
Competentes professores
E todos gabaritados
Sendo mestres ou doutores
O que aumenta o prestígio
E te livra de litígio
Evitando dissabores

Portanto a Graduando
É um caso sem igual,
Um orgulho da UEFS,
Periódico legal.
E pra que ninguém condene
Tem até ISSN
E tudo fica normal

Conheça também o blog
Que é um negócio bom
Um show de informação
Seguindo o mesmo tom.
Por isso por dentro fique
Vire a folha e veja o link
Atrás da capa marrom

Agora a classe de Letras,
Quando trabalho produz,
Capricha na execução,
A competência conduz.
E só quer fazer bem feito
Porque sendo desse jeito
A Graduando traz à luz.

Saindo na Graduando
O sucesso é garantido,
Engorda seu currículo
E seu tema é discutido.
Logo cai na internet
E até que chova canivete
Seu nome será mantido.

E, se você quer publicar,
Não perca mais tempo, não.
Agilize seu trabalho
E procure a comissão,
Que o plano editorial
Dá aparato total
E faz a publicação.

O apoio dos professores
Respaldando a Revista
Que não deixa seu trabalho
Com o tempo perder de vista.
Aqui tem divulgação
Com grande satisfação
Cada dia aumenta a lista.

Porém não se preocupe,
Pois sempre cabe mais um.
Seu texto a gente publica,
Não fazemos zum zum zum.
Nós temos alguns critérios,
Porém nada de mistérios,
Mas as normas em comum.

Um espaço democrático,
Do jeito que tem de ser,
Incentivando a pesquisa
Como deve proceder.
A Revista Graduando
Assim vai se situando
Entre o ser e o saber

(Texto adaptado)


*Luciano Ferreira é graduado em Letras com Espanhol na UEFS, é colecionador, pesquisador e escritor da literatura de cordel.

Quem foi...

... Mary "Perdita" Darby, a autora inglesa que sofreu no casamento, foi amante de um príncipe e terminou seus dias escrevendo em prol das causas feministas.

Por Juliana Pacheco*


         Mary Darby nasceu em Bristol, Inglaterra; não se sabe precisar corretamente o ano, mas biógrafos têm aceitado o ano de 1757 como ano de seu nascimento, contrariando suas próprias declarações que apontavam o ano de 1758. Quando ela ainda era criança, seu pai abandonou sua mãe, indo viver com uma amante. A mãe de Mary teve muitas dificuldades para manter a família, e Mary acabou sofrendo com os resultados dessa dificuldade.
                Sua mãe a obrigou a casar com Thomas Robinson, um homem que declarava ter uma grande herança para receber e poderia, portanto, sustentar bem a família. Mary não concordava com isso, mas depois de uma doença em que ele se mostrou solícito e ficou ao seu lado, ela atendeu aos desejos da mãe e se casou, aos 15 anos. Mary não foi feliz em seu casamento. Além de seu marido, na verdade, não ter meios de se sustentar ou a uma família, ele teve várias amantes.  Thomas gastava mais dinheiro do que o que possuía e do que o que Mary conseguia, acabando preso por dívidas. Nessa época, com a ajuda da Duquesa de Devonshire, ela publicou seu primeiro livro de poemas.
                Ainda jovem, Mary foi incentivada a tentar a carreira como atriz, e fez alguns esforços nesse sentido. Depois que seu marido deixou a prisão, ela continuou sua carreira, obtendo sucesso e se tornando conhecida na região em sua época. Seu papel mais importante foi o de Perdita, em uma adaptação de Shakespeare. Foi durante uma apresentação dessa peça que o Príncipe de Gales George IV (que mais tarde se tornaria o rei George IV) se interessou por Mary e ofereceu vinte mil libras pra que ela se tornasse sua amante. Ela resistiu durante algum tempo, mas acabou cedendo ao assédio do príncipe. O caso teve repercussão nos jornais da época, como um grande escandalo da família real. Eles ficaram conhecidos como "Florizel e Perdita", nomes do casal principal da peça.
                O romance com o príncipe durou menos de um ano e a quantia prometida nunca foi paga. Ela conseguiu um acordo com a coroa inglesa para receber uma soma anualmente, em troca das cartas que George tinha escrito para ela. O pagamento desse dinheiro não era regular, e muitas vezes não acontecia. Ela ficou impedida de voltar aos palcos, pois o público não via com bons olhos seu romance com o príncipe.
                Depois de separada do marido pelo episódio com o príncipe, ela teve uma série de romances mal sucedidos. Com Banastre Tarleton, um bem sucedido soldado americano, ela teve um caso que durou 15 anos e que tinha a desaprovação de toda a família de Tarleton. Ela não chegou a se casar com ele, tendo ele se casado com outra mulher pouco depois de se separar dela.
              Mais uma vez sozinha, Darby deu continuidade a sua carreira literária, na qual teve reconhecimento ainda em vida. Muitos dos amigos de Darby foram seus colegas do meio literário, e eles foram a companhia de Darby até sua morte, em 1800.
                A biografia de Mary Darby é importante, pois está diretamente relacionada à sua obra. Seja no começo de sua carreira literária, quando escreve sobre a sensação de abandono e a decepção no casamento, seja no final, quando tem importantes trabalhos na luta pelos direitos da mulher. Nessa segunda fase de sua carreira, pode-se destacar a sátira que faz de Tarleton em uma de suas peças e a defesa do direito de a mulher se separar sem sofrer preconceito.
               Um pequeno trecho da obra de Darby:

"Suponha que destino, ou interesse, ou acaso, ou o que você quiser, tenha unido um homem, assumidamente de entendimento fraco e debilidade física, a uma mulher forte em todos os poderes do intelecto e capaz de suportar o cansaço de uma vida atribulada: não é degradante para a humanidade que essa mulher tenha que ser passiva, escrava obediente de tal marido? Não é repugnante para todas as leis da natureza que os sentimentos, ações e opiniões dela tenham que ser controladas, pervertidas e corrompidas por tal cônjuge?"  



Referências:

Dawn M Vernooy Epp, "Mary Darby Robinson's poetry and prose: Reading the intersections of Romantic period popular culture and the arts" (January 1, 2003). ETD collection for University of Nebraska - Lincoln. Paper AAI3092605.
http://digitalcommons.unl.edu/dissertations/AAI3092605

http://www.rc.umd.edu/editions/robinson/mrintro.htm
http://digital.library.upenn.edu/women/robinson/biography.html
http://digital.library.upenn.edu/women/robinson/1791/1791-understand.html




* Juliana Pacheco é graduanda em Letras com Inglês na UEFS e membro da equipe Graduando.



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Coletivo Inovacine

Por João Daniel Guimarães Oliveira*


O Coletivo Inovacine surgiu no primeiro semestre do ano de 2011 com o propósito de pensar e consolidar a difusão do cinema em Feira de Santana, utilizando-se dos mais variados espaços da cidade. A ideia surgiu a partir da iniciativa de alunos, ex-alunos, professores e funcionários da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), que se associaram para discutir as possibilidades de ampliação de atividades cineclubistas, inicialmente dentro da universidade, mas se estendendo a outros pontos da cidade, para atender a população feirense como um todo. 

Após as primeiras sessões realizadas, verificamos que, diante da carência de cinema (e de discussão deste), não estritamente na UEFS, mas na região de Feira de Santana, seria sensato pensar a possibilidade de expandir esse trabalho. Afirmaram-se, portanto, as possibilidades de ampliação de atividades cineclubistas, não as restringindo ao ambiente acadêmico, mas as estendendo a outros locais na cidade, no intuito de atender a população feirense como um todo. Hoje, contamos com o apoio de diversas entidades, entre elas o Museu de Arte Contemporânea Raimundo Oliveira - MAC, onde firmamos e consolidamos um espaço cineclubista, com sessões semanais, sempre às sextas-feiras, às 18:30 ou 19:00. 

O coletivo possui, na UEFS, o apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT-UEFS) e Assessoria Técnica de Recursos Humanos (ATRH-UEFS), além desses, estabeleceu parceria com outros grupos e instituições, entre elas: o Centro de Cultura Amélio Amorim - CCAAm; o Centro de Cultura Maestro Miro; o Feira Coletivo Cultural; a TV Olhos D'Água; e a Engenho Treinamento e Desenvolvimento. O grupo não é restrito e há espaço para contribuições de qualquer ordem, porém, atualmente se constituem como equipe executora as seguintes pessoas: Davi Henrique Correia de Codes (Graduando em Ciências Biológicas – UEFS); Davi Santana de Lara (Graduado em Letras Vernáculas – UEFS); Fabio Pereira Costa (Graduando em História – UEFS); João Daniel Guimarães Oliveira (Graduando em Letras Vernáculas – UEFS); Luciane Almeida (Graduada em História – UEFS); Meiryelle Souza (Graduada em Jornalismo – Faculdade 2 de Julho); e Paulo Fabrício dos Reis (Graduado em Letras com Francês – UEFS).





* João Daniel Guimarães Oliveira é Graduando em Letras Vernáculas na UEFS e faz parte da equipe do Coletivo Inovacine.

Perda de Identidade


Por Messias Bezerra Queiroz*

Este não é meu nome
Esta não é minha identidade
Esta não é minha vida
Nem a outra que passou

Não pergunte onde eu estava
Não me diga onde eu estou
Eu não sei de onde vim
Não importa aonde vou

Aquele não é meu pai
Essa não é minha mãe
Você não é meu filho
Eu não sou o seu irmão

Não tentem se aproximar
Se afastem por favor
Não conheço esse meu tio
Desconheço o meu avô

Não me chame seu patrão
Não me trate seu senhor
Você não é minha esposa
Eu não sou o seu amor

Não sou bicho, nem sou gente
Não tenho família
Não sou parente
Sou indigente



Messias Bezerra Queiroz é estudante do 1º semestre de Letras Vernáculas na UEFS e autor do livro de poesias "Inocência"

O novo blog da Graduando

       O blog da Graduando mudou! Você que já veio aqui outra vezes deve ter percebido. Temos um novo layout, uma tentativa de facilitar a navegação e fazer seu tempo por aqui mais agradável, mais informativo e (assim esperamos) maior. Mas as mudanças não se resumem a essa nova aparência. O blog também está passando por mudanças na forma de postar conteúdo e de se relacionar com o aluno de letras, nosso leitor.
        A primeira mudança é a forma mais clara e direta de postar as colaborações dos alunos. Já existia uma seção para isso, chamada "Inscrevo, logo insisto", na qual pedíamos aos graduandos que enviassem textos de qualquer tipo, que lá seriam publicados. Continuamos contando com essa participação, mas agora criamos novas seções, que diversificam e multiplicam as possibilidades e as motivações para escrever. No final dessa postagem há uma tabela com essas novas seções.
         Outra mudança é a inserção de uma seção para postar textos de convidados. Os convidados são pessoas envolvidas com várias áreas do conhecimento, com ou sem vínculo com a graduação e que trabalham ou fazem pesquisa (ou ambos) no tema sobre o qual serão convidados a escrever. A equipe graduando garante estar sempre em busca de assuntos pertinentes e conta com a colaboração de vocês através de sugestões de temas que gostariam de ler.
          Os textos da comissão editorial permanecem, focados em contar um pouco dos desafios de produzir uma revista acadêmica dentro de um curso de graduação para um curso de graduação.
         Queremos saber o que você pensa dessas mudanças. Aceitamos sugestões, críticas e todo tipo de comentários. O blog da Graduando mudou, e mudou para você. Que tal nos dizer o que você pensa disso?


Seção...
Que tipo de texto pode ser postado...
Quem foi...?
Biografias de autores, pesquisadores ou outras personalidades relevantes.
Eu li / Eu vi
Resenhas de filmes ou livros
Graduando-autor
Textos literários diversos (poemas, contos, crônicas etc.)
Pesquisa
Textos teóricos que não se encaixariam no formato da revista, ou seja, não são formalmente artigos nem resenhas, mas dizem respeito a pesquisas e análises feitas.

Se quiser colaborar, envie seu texto para revistagraduando@gmail.com

A um comentário anônimo

Esta postagem é uma resposta ao comentário de um anônimo sobre a maior presença de graduados na comissão editorial (você pode ver este comentário aqui). Há dois textos abaixo: o primeiro, escrito por um membro da comissão editorial, Eliseu Ferreira da Silva, não expressa a posição da revista; o outro texto, elaborado pela comissão editorial após uma reunião em que foi discutido o assunto, apresenta a posição da revista Graduando.

Meu caro amigo Anônimo,

      Se você for estudante da graduação em letras da UEFS, nos procure estamos situados no MT-25-b, onde também funciona o NEP - Núcleo de Estudos Portugueses e teremos uma enorme satisfação em lhe explicar por que só temos três graduados e um graduando, pelo menos até o dia 12/11, quando este último graduando, se tornará graduado, e aí sim, sua pergunta será cabível. Posso lhe adiantar, que quando tivemos a ideia de fundar uma Revista acadêmica que representasse e pudesse mostrar a comunidade acadêmica, e a sociedade, a produção do estudante de graduação em letras da Uefs, éramos todos graduandos, e temos tentado - mesmo que sem muito sucesso - atrair outros estudantes, para colaborar e nos ajudar nessa empreita, o que não é nada fácil. Fizemos e pretendemos continuar fazendo passagem em sala de aula, comunicamos aos estudantes, fizemos convites pessoais, mas às vezes as coisas não ocorrem como a gente quer. Também penso eu em largar a graduando, mas a ideia de largar, e não ter com quem deixá-la causa em mim uma certa estranheza. Lutei tanto por ela, tivemos apoio, publicamos uma edição com bons artigos, criamos um blog que é visto no mundo inteiro e que já passou de mais de 5.000 acessos, temos um site, o ISSN tanto pra revista impressa quanto pra digital, onde você pode fazer o Download da mesma. Não nos custa nada, só toma o nosso tempo, que em termos de pós-graduação, éhhh, alguns já estão lá, ou mestrado ou especialização custa muuuuito. Temos o apoio das principais instâncias da Uefs, a saber: Undec, Proex, Prograd, D.A de Letras José Jerônimo de Moraes, Colegiado de Letras, Departamento de Letras, da Pró-Reitoria de pós-graduação, e da própria Imprensa Universitária, onde é feito a confecção da revista e que é distribuída aos estudantes que nos mandam e tem seus artigos publicados na revista, além dos professores conselheiros e revisores, além das várias instituições de ensino superior do país, via a biblioteca Julieta Carteado, instâncias da Uefs não só de letras, mas também núcleos, e grupos de pesquisa, além de mantermos, via e-mail e blog, o estudante de letras bem informado do que acontece a sua volta, para além dos muros da sala de aula, informações estas que vão desde simples comentários sobre encontros, seminários, palestras, apresentações culturais, e por aí vai, coisas que acontecem para os alunos de letras até a ofertas de emprego, sim, acredite, oferta de emprego, a Revista Graduando é utilidade pública.
        Ou seja, meu caro amigo anônimo, saia do anonimato e venha se tornar mais um na multidão, ou não, talvez um graduando, quem sabe, depois de todo o esforço, somos a segunda revista acadêmica que publica artigos só de alunos de graduação do Norte e Nordeste, e não deve existir mais que 10 no Brasil todo, depois de elucidar aos alunos que é necessário crescerem, sair do casulo em que se encontram, que às vezes não é oval, é quadrada, igual uma sala de aula, não poderíamos, sair assim tão fácil, pelo menos eu não, quando eu tiver a certeza de que mesmo Doutor, ou quem sabe pós doutor a revista ainda existir e eu puder contribuir, quem sabe eu não a largue, desde que ela continue sendo o que é, uma revista para como diz o seu nome GRADUANDO- Revista Acadêmica da Graduação em Letras da Uefs, independente de quem está na sua comissão, que sejam pessoas com o intuito de publicar artigos e resenhas dos estudantes de letras desta instituição, e divulgar, e assim contribuir para a evolução do estudante de letras da Uefs.

      Se você se interessou, venha até a nossa sede e nos procure, talvez você possa nos ajudar a resolver este nosso probleminha de só ter (quase, pelo menos por enquanto) só graduados na comissão editorial da revista.

Ps: Ahhh desculpa, alguns têm vínculos sim com a instituição, e mesmo que não os tivessem, de qualquer forma seria mais do que válido que uma instituição, como a Uefs, ter uma revista acadêmica que a representasse, não é?. Pelo menos eu acho, e a questão do vínculo, encaro como sendo uma etapa da vida, todos nós um dia deixamos de fazer algo, ou por que crescemos e aquilo já não nos serve mais, ou nos parece infantil, ou por que é da vida e temos que mudar de fase, seguir em frente mesmo, ir a luta e buscar o seu lugar no mundo, isso mais cedo ou mais tarde acontece, só temos que estar preparados para tal, mas enquanto isso não acontece e não aparecem pessoas dispostas a dar seguimento a um sonho de muitos, tocamos em frente, como diz Maria Betânia, ou Almir Sater caso prefira, na música "Tocando em Frente", -"penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente".

Bom, é o que estamos fazendo, por quanto tempo, não sei, talvez até a revista ser reconhecida e conhecida por todos os estudantes de letras e possa ser tocada (digo, que tenha seguimento) por alunos da graduação e que nós (comissão editorial quase toda graduada) possamos contribuir, mas de outra forma, quem sabe já como professor membro do Conselho Editorial.

Bom, espero estar vivo e ver talvez o número 50 da revista ou mais quem sabe, espero termos respondido a sua pergunta

Eliseu Ferreira da Silva
          
                         ________________________________________________________

O pensador vê em seus próprios atos pesquisas e perguntas para obter esclarecimentos sobre alguma coisa: o sucesso ou o fracasso são para ele, antes de tudo, respostas.” Nietzsche, A Gaia Ciência.


A comissão editorial conversou muito sobre a revista após receber o comentário. O texto questiona a presença majoritária de graduados no grupo que coordena as atividades da Graduando. Esse fato, presente na pauta da reunião de sábado (06-08-2011), possibilitou que conversássemos a respeito de como a revista está se dirigindo à comunidade acadêmica e, de forma basilar, como está dialogando com os estudantes de Letras.

Questionamo-nos sobre o que levaria o anônimo a escrever aquelas palavras e provocar as ideias que instigaram a feitura do texto acima. O texto pareceu irônico? Até que ponto? Divergíamos sobre o quanto de crítica ou deboche (se houve) passou pela cabeça da pessoa ao escrever as palavras “Gostaria de saber por que a maioria dos integrantes da comissão são pessoas já graduadas, tecnicamente sem vínculos com a graduação? Por que não inserir graduandos também?? Grato” (seção Inscrevo, logo insisto, em 27 de julho de 2011). Um texto-resposta, preposto a este, foi escrito por nosso membro da comissão. Após algumas ponderações em nossa reunião semanal (motivação para a existência deste texto), foi decidido que o texto-resposta de nosso membro não seria postado ou enviado como uma posição da revista sobre o comentário. Segundo nossas conclusões, é possível contradizer o que se afirma no comentário.

A revista sempre se posicionou a favor da participação de graduandos compondo a equipe que realiza as atividades. No caso da comissão editorial, não é prioridade nem censurável a atuação de estudantes da graduação. Embora nas primeiras passagens de sala falássemos de “uma revista de graduandos para graduandos”, essa realidade, percebemos, é mutável e – constatamos – necessária. Explicamos. É preciso pensar no estudante não somente enquanto graduando, mas futuro profissional da área de letras, cujas ações inevitavelmente ultrapassam os muros da universidade. E, ainda, se o caminho que trilhamos levou à universidade, ele não para nem recomeça nela. Muitos estudantes de letras já lecionam, atividade na qual se pode identificar predisposições internalizadas a partir da própria história de vida e da(s) instituição(ões) em que estudam(ram), além das concepções de educação no diálogo com a experiência docente. Há também os que acabam de adentrar na universidade sem conhecer basicamente o curso em que estão matriculados – quanto mais uma revista acadêmica da graduação (o que já é uma novidade mesmo na universidade). Todas as atitudes e posições da comissão editorial são elaboradas através de diálogos que, direta ou indiretamente, tocam essas ideias. Desde o início das passagens de sala, há cerca de um ano e meio, e em nossas visitas a alguns dos principais colégios estaduais de Feira de Santana, procuramos demonstrar que a Graduando pensa sobre o exercício do profissional de Letras baseada nos princípios de Ensino, Pesquisa e Extensão. Mesmo com o convite sendo feito em cada passagem de sala e reiterado em diversos espaços da Uefs (fora dela também), ainda não obtemos participação mais efetiva de graduandos na comissão editorial.

Mas, devemos afirmar com veemência, a colaboração existe e é muito significativa. Estudantes auxiliam nas atividades do periódico desde as primeiras reuniões e já contamos com colaboradores em várias atividades: envio de imagens e textos para publicação no blog, divulgação de eventos e sugestões de capa, ideias para melhorar o blog e também para ações da comissão editorial. Para nós, essa ajuda ainda é pouca (mas compreensível), pois é necessário que boa parte dos mais de 700 estudantes matriculados nas graduações do curso de Letras da UEFS não apenas saiba que a revista existe. Devemos estar conscientes do papel das próprias Letras para a sociedade, que a entendamos e, a partir das possibilidades de cada um, ajudemos a valorizar os “saberes do curso” – por meio de ações e reconhecimento (entre nós, graduandos em letras, primeira e principalmente) – na sociedade.

A atual comissão da Graduando entende que muito ainda precisa ser proporcionado pelo próprio e para o próprio curso e procura realizar suas atividades valorizando ética, honestidade e mérito. Algumas atividades como passagens de sala, cartazes de provocação sobre a produção científica, boas-vindas aos discentes e a recolha de doações em dinheiro para a certificação do periódico estão documentadas no blog como prova de nossa postura de diálogo com o curso. Neste caminho, vejam só, sempre esteve a “Graduando: entre o ser e saber”.

A memória de um estudante de letras em relação às questões de seu curso deve ir além dos “quatro anos” em que estuda na universidade porque ocorre a passagem de estudante para profissional, mas não de um letrado para qualquer outro conhecimento que não “advenha” do curso em que estuda, ou seja, o profissional é uma extensão do estudante. Se nossa revista acadêmica planeja contribuir para melhor formação dos estudantes de letras, as noções de Ensino, Pesquisa e Extensão não devem ser afastadas de nossas mentes quando pensamos até onde pode ir o exercício/papel de um calouro, graduando ou graduado em Letras. A revista assiste à graduação principalmente (mas não somente) enquanto produção científica e não pensa (atual comissão editorial) em contemplar novos públicos, sejam da UEFS ou de outras instituições. O objetivo da revista ainda necessita de muitas etapas para ser notadamente percebido – nossas experiências a cada edição revelam isso com uma clarividência muito contundente –, o que, de certa forma, já prevíamos enquanto leitores e questionadores das condições de nossa graduação.

Comissão editorial da Revista Graduando

As mais visitadas postagens da Graduando

Graduandantes