quinta-feira, 27 de julho de 2017

COISAS DE MIM... PARTE 2

Por Edilene Barboza*


... Embora eu tivesse encontrado o chamado “Meu Amor Maior” e ter saído de vez daquele lugar, algo em mim continuara aflorado a ele. Passei dias, semanas, ainda sentindo aquele bairro em minhas entranhas. Flashes vinham à tona nos circuitos cerebrais de minhas memórias. Mas NADA! NADA conseguia extrair de dentro delas... Repeti várias e várias vezes que NUNCA mais iria voltar àquele lugar. Não, nunca mais, mesmo morrendo de vontade de saber o que eu tinha esquecido lá, deixado pra trás, sei lá... Não iria!Mas, algo estava mais do que vivo dentro de mim, e agora?... Tentando me sincronizar à nova vida, nova casa, novo bairro, sentir novos ares, conhecer novas pessoas, lugares diferentes, meu novo mundo! Ainda assim, Ele me perseguia, como vulto, durante todo o dia!...Tranquila demais para que algo me tirasse a paz!... Mas que Paz? Mental? Espiritual? Emocional? Taí! Era isso! Ôh, não! De novo NÃÃÃOOO!!! Nesse instante me deparei com o meu coração batendo em ritmo acelerado!!! É isso! Ainda deixei emoções fortes por lá! E, já deitada em minha cama, pronta para dormir... Meu Whatsapp chama!... Era um número desconhecido, sem foto de perfil, e logo foi taxativo dizendo: 

- Por favor, não me bloqueie novamente, preciso de você!... 

Respondi:

- HÃÃÃNN??? Como assim? Quem é você? Se não falar vou te bloquear! MUDO!... Não vai responder??? Um... Dois...

- Não, espere! Respondeu Ele. Deixe-me reapresentar a você. Em um final de tarde, eu estava aguardando o ônibus para ir à minha casa e, quando ele chegou, entrei pela porta do meio e lá estava você, que olhou para mim e logo de cara criticou a camisa que eu estava vestindo. A imagem na camisa era de um Touro, e você me contou sobre a lenda taurina completa, ainda me perguntou se eu torcia pelo Fluminense de Feira! Rsrsrs... Eu só olhava você, seu jeito de falar, seus gestos, sua boca, me deu vontade de te beijar ali mesmo, com toda aquela gente olhando! Rsrsrs...

- Não me recordo disso! Não vai falar quem é? Vou bloquear! Um... Dois... Disse-lhe.

- Espere! Espere! Respondeu. Teve outro acontecimento que você vai lembrar!... 

- Então tá! Diz!... Falei.

Continuou: 

- Te convidei para irmos assistir o pôr do Sol na UEFS, marcamos, o dia estava perfeito, e fui. Mas você me deu um bolo! ...

- Ah! PARA! Já sei quem você é! O cara chato, que quase me beijou dentro do “Buzu”, aliás, ainda me deu um beijo no meu ombro, quando o “motor” deu uma freada e quase caí em cima de você! Quanto a ver o pôr do sol na UEFS, eu estava lá no dia marcado, mas não pude sair da sala. Rsrsrs...Hum... Lembrei! Sim, e daí?... 

- E daí que ando te procurando nas minhas viagens de ônibus daqui do bairro, pra ver se te encontro novamente, pois você me bloqueou e deixou coisas no ar!... E... Estou aqui pertinho de você, posso te ver agora?... Perguntou ele.

- Desculpa, mas eu não moro mais aí! Nesse bairro!... Respondi.

E para a minha surpresa, o universo mais uma vez quis falar comigo através desse lugar. Pois o beijo Dele subiu mais um pouquinho e desceu! Rsrsrsrs!!!

Feliz por ter fechado este ciclo, tendo em mente que a sincronização entre minha alma e a Dele nos unirá para sempre!


* Edilene Barboza é graduanda em Letras com Francês da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

quarta-feira, 7 de junho de 2017

DISCURSO DE ORADORA

Por Cidalia Oliveira Barbosa Pinto*


Muito boa noite a todxs. Primeiramente, FORA TEMER! Dando prosseguimento, gostaria inicialmente de cumprimentar, com muita gratidão, cada familiar presente fisicamente e em espírito que está aqui esta noite, os quais estão sentindo nesse momento no coração o quanto foi preciso para formar seus filhos e estarem aqui todxs brilhando neste momento maravilhoso. Parabéns pra vocês! Cumprimento também o Magnífico senhor reitor desta casa, Evandro do Nascimento Silva, e a Magnífica – literalmente – vice-reitora, Norma Lucia Fernandes de Almeida, juntamente com essa mesa extraordinária que escolhemos com tanto amor. Agradeço também aos meus colegas pela missão de representar a turma com as palavras que proferirei, palavras estas que fui buscar dentro da alma.

Senti a necessidade de fazer uma homenagem ao nosso poeta recentemente falecido do corpo físico, Ferreira Gullar, com um poema chamado “Um instante”, que dialoga profundamente com o momento de hoje:

Aqui me tenho
Como não me conheço
           nem me quis

sem começo
nem fim
           aqui me tenho
           sem mim

nada lembro
nem sei

luz presente
sou apenas um bicho
           transparente

Que sejamos transparentes e inacabados no exercício do ensino por todo o tempo efetivo da nossa profissão! Pois então: compreendo o discurso de orador como um discurso essencialmente político. Confesso que não gostava de política, mas, pela educação, foi preciso gostar. Como falar em educação sem falar de política? O contexto político brasileiro atual abarca: a PEC do fim do mundo, da educação e da saúde, escola sem partido, reforma do ensino médio, um país golpeado, de feição conservadora, machista, patriarcal, homofóbica, doente. Uma junção de doenças que têm matado diversos brasileirxs diariamente. Fisicamente e interiormente. E hoje, o Brasil tem a nós. Oficialmente professorxs. E eu vos pergunto: e então? Nossa missão é uma missão de resistência. De trabalhar com o caos. De ter a consciência de que não somos máquinas conteudistas. Que acima de tudo, somos humanos tendo que ajudar outros humanos. Sim, ser professor é um trabalho de humanização, desconstrução, resgate de VIDAS da escuridão da ignorância. Ignorância esta que mata, oprime e exclui.

Percebam: as escolas estão parecidas com os presídios, e não é à toa que têm aprisionado mentes, seres capazes e pensantes, futuros críticos e colaboradores para o mundo. É preciso ter voz. Alta. Forte. Muito sangue foi derramado no decorrer da história para, sobretudo as mulheres, e especialmente mulheres negras serem professoras, bem como todos os grupos sociais que são marginalizados. Os cursos de licenciatura, em sua grande maioria, acolhem pessoas oriundas de classes sociais mais baixas, que são as primeiras de suas famílias a ter acesso ao ensino superior e à oportunidade de desenvolver um trabalho intelectual. Tal fato contrasta com a desvalorização da profissão e o sucateamento das escolas e a falta de investimento nos cursos de licenciatura, que os torna uma espécie de gueto, reduto dos pobres dentro da universidade, tão marcada por divisões de classe entre os cursos de rico e os cursos de pobre. As licenciaturas precisam parar de mascarar essa situação e, enquanto o ensino público não melhora, ajudar os alunxs e não empurrar para um novo semestre sem que esteja pronto para isso. Aguardemos ansiosamente a reforma do currículo e do ensino dos cursos de Letras, visto que é o curso que serve como base para todos os outros cursos e para a visão de mundo. As letras tecem o mundo, as letras são a política da vida, como diz Roland Barthes em seu livro Aula: “A linguagem é uma legislação”.

A sala de aula é um espaço democrático que tem sido sufocado porque eles reconhecem o poder de uma nação crítica. E eu vos pergunto novamente: e então? E nós? Profissionais essencialmente da leitura e da escrita, ferramentas de conhecimento do mundo, de reconhecimento da identidade. E como diz Rubem Alves: “Escrever e ler são formas de fazer amor”, e ainda complementa: “‎As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos.” Temos duas armas poderosas nas mãos: a Linguística, ciência da língua, e a nossa língua mostra quem somos, e a outra, a magnífica Literatura, operadora da alma, a arte que mostra o que somos.

Sigamos juntxs pela educação, por um mundo melhor, pelos seres humanos, pela vida. É necessário educar as pessoas, e escolhemos isso. Arquemos com este maravilhoso desafio. Trabalho de formiguinha, profundamente efetivo. E quando alguém nos questionar sobre sonhos, ilusões e dizer que é loucura querer mudar o mundo,  que sorríamos. Essas pessoas são as que mais precisam de ajuda, e o mundo – vasto mundo – é o nosso espaço, é onde estamos, e se cada umx de nós transformarmos o lugar em que atuamos, já é muito, já é tudo.

Sendo assim, peço a ajuda dxs formandxs para repetir comigo a frase de uma das músicas mais marcantes do mestre Criolo:

“AS PESSOAS NÃO SÃO MÁS, ELAS SÓ ESTÃO PERDIDAS, AINDA HÁ TEMPO”

Que sejamos amor, ensinemos antes de tudo amor, porque AMAMOS A EDUCAÇÃO!

AGRADEÇO!



* Cidalia Oliveira Barbosa Pinto é graduada em Letras Vernáculas (UEFS) e mestranda em Estudos Literários (UEFS).

As mais visitadas postagens da Graduando

Graduandantes