quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Entrevista com o escritor Antonio Brasileiro

Cláudia Campos, estudante da UEFS, analisando os poemas de Brasileiro, resolveu fazer uma brincadeira; imaginou uma entrevista e, de maneira criativa, respondeu às questões com versos do poeta.



1. Como foi o dia do seu nascimento? 

O dia em que nasci não teve mistério algum.
O condutor do bonde almoçou à mesma hora,
a novela do rádio continuou em suspense,
a guerra era a mesma merda:guerra é guerra.
Foi um dia como hoje, como ontem, como amanhã
e como daqui a cem anos, com absoluta certeza.

2. Você se considera alguém muito inteligente?

Há coisas que não decifro.
E nem por isso sofro.
Estar no mundo é que é o difícil.
O sol é uma bola imensa.
Eu, pó de mésons.
Em torno a mim nenhuma só tormenta.

3. O que você acha da injustiça social?

Nós somos da mesma cepa,
mas vistos de binóculos somos os mesmos.
Eis uma grande injustiça.

4. Defina a vida e o mundo.

A vida é a contemplação daquela nuvem.
E o mundo uma forma de passar, que inventamos
para não ver que o mundo não é o mundo,
mas uma nuvem.
                               Passando.



A vida – diz Manoel, o são – é
tempestável. E que é tempestável,
Manoel? Tempestável? Ah, tempestável !
É a vida, filho. Quem lá sabe !

5. Como você se vê daqui a alguns anos?

No fim dos tempos,
vou estar numa casinha de palha,
uns livros, um lápis,
papel almaço, a alma pura
e uns rabiscos pra ninguém ler,
só  me confessar.

Ao deus dentro de mim, primeiramente.
E a quem não interessar possa.

6. O que dizer de seus poemas?

Meus versos são de pura essência
Dos poemas essenciais
Nada dizem de verídico
Não querem nada explicar.
Se por vezes falam alto
É por puro gozo, júbilo.

7. Se tivesse que definir sua função no mundo, qual seria?

Fico só comigo, como um lobo
Como um lobo fica só consigo:
Esse mundo é uma jaula;
Você , um inimigo.

8. Todos nós temos esperança em algo, num governo justo, nas melhores condições de vida e você tem esperança em quê?

A esperança, ah a esperança
Luz no porão iluminando ratos.

9. Quais são seus planos pro futuro?

Um dia ainda hei de escrever poemas fundamentais-
Como a pedra fundamental,
Como a lúgubre senhora magra
E as bússolas de pau com agulha de ferro
Boiando no óleo eterno.

10. Para encerrar, cite-me uma frase sua.

A verdade é uma só: são muitas.
E estamos todos certos. E sem rumo.

Entrevistado: Antonio Brasileiro
Entrevistadora: Cláudia Campos

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