segunda-feira, 28 de novembro de 2016

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

LINGUÍSTICA HISTÓRICA: UMA CIÊNCIA

Por Maria Rosane Vale Noronha Desidério *


É uma realidade universal hoje, o fato de que as línguas não permanecem imutáveis, ao contrário, elas mudam no decorrer do tempo. E é justamente sobre essa mudança que se debruçará a ciência da linguística histórica.

O caráter científico da linguística histórica consiste em descrever, dentro de um contexto teórico, os diferentes processos de mudança de uma dada língua. É preciso, contudo, ter cuidado com o ecletismo teórico, tendo em vista que isto é uma visão ingênua no estudo científico de qualquer corpus. O que se deve fazer é buscar uma síntese conceitual das teorias acerca do corpus, pois assim, não se amontoará pedaços das mesmas, mas sim, uma síntese, de modo a considerar suas complexidades, suas particularidades.

O Estruturalista Ferdinand de Saussure definiu a língua como homogênea, estática, ou seja, imutável, e que esta não se define por si mesma, mas mantêm uma relação de dependência recíproca entre seus termos. Saussure se deteve no estudo da Langue – língua, não considerando a fala, que ele denominou Parole. Dividindo, para tanto, o estudo da língua em diacrônico e sincrônico: sendo a diacronia o estudo da língua do passar dos anos, portanto, histórica;e, a sincronia, o estudo da língua em um período, um recorte de tempo. A diacronia é formada pelos diversos recortes sincrônicos. E, assim, a sincronia precede a diacronia, pois não se pode estudar a história de uma língua sem observar suas fases, seus recortes, ou seja, os períodos em que se supõe,a língua mantém-se estática, sem mudanças consideráveis e definitivas.

É importante mencionar que nos períodos sincrônicos as mudanças estão acontecendo, ainda que pareçam pouco perceptíveis. Por vezes, duas formas são usadas simultaneamente até que uma se sobressaia à outra, e esta última venha a desaparecer. Um exemplo de simultaneidade é o uso dos pronomes tu e você. Ou ainda, a expressão a gente que tem ganhado força no dialeto popular em substituição do pronome nós.

Ao estudar a língua Saussure opta pelo estudo da L-I (língua interna). Que é uma abstração da língua, pois não se tem acesso de fato ao objeto, tendo em vista, que não se pode observá-lo dentro do cérebro. Os gerativistas também optaram pelo estudo da L-I. E, o gerativista Chomsky defende em sua teoria a GU, ou seja, a gramática universal que se localiza no cérebro de todos os humanos e, que, portanto, é biológica. Ao colocar este pressuposto do Inatismo da língua, Chomsky,assim como Saussure, considera a língua homogênea e exclui o aspecto social como influenciador no processo de mutabilidade da língua. Pois, para Chomsky as mudanças percebidas na língua advêm das configurações biológicas do cérebro humano.

Outra corrente chamada interacionista ou mais popularmente conhecida como sociolinguística discorda do conceito de língua homogênea e estática,defendido por Saussure e Chomsky, ao mesmo tempo em que compreende que não se pode estudar a mudança sem levar em conta o aspecto social e histórico das comunidades de fala. Esta corrente tem como objeto de estudo a L-E – língua externa. Portanto, seu objeto é concreto e palpável.

Esses conceitos de língua defendidos pelo Estruturalista Saussure e que depois veio a influenciar os gerativistas receberam inumeráveis críticas de estudiosos da língua, justamente por considerar a língua homogênea e estática. Um dos primeiros a tecer críticas foi Coseriu, que discordou do caráter estático da língua, pois compreendia a língua como um sistema em movimente constante. Ele também questionou a separação da descrição histórica da língua por perceber que esta é um objeto histórico. E, portanto, ao estudar uma língua é preciso que descrição e história, de forma sistemática, caminhem juntas.

Os interacionistas Weinreich, Labov e Herzog criticaram o caráter da homogeneidade da língua, defendendo a criação de um modelo de língua que acomode a heterogeneidade. Por conceberem que a língua é heterogênea, e não homogênea como defendem estruturalistas e gerativistas.

O teórico Volochínov, antes mesmo destes teóricos aqui citados, já pontuava que a ideia de língua como sistema homogêneo é apenas uma abstração científica que não dá conta da realidade concreta e histórica das línguas.

O estudo das línguas se dá através de três vias. A primeira busca reconstruir o passado, recuperando os estágios antigos através do método comparativo. Os defensores desta via consideravam os estágios antigos superiores aos estágios atuais. A segunda estuda o passado com o objetivo de aclarar o presente. Os estudiosos defendem que o estado atual da língua teve um início e compreender este princípio é assimilar o estado atual da língua. A terceira via faz o sentido contrário à segunda, pois defende que é ao estudar o presente que se compreenderá o passado. Esta última teoria é explorada pelos Variacionistas.

Como podemos verificar, o estudo da língua possui mais de um caminho. É preciso que cada estudioso escolha o seu. O que será igual em todos é o fato de que a língua é o mais significativo patrimônio de um povo. Estudar linguística história não é estudar história da língua, mas é debruçar-se sobre as mudanças que as línguas sofrem no decorrer do tempo, Vasculhando tais mudanças nos vestígios deixados. E, ao olhar para o passado, não raras vezes têm-se a impressão de estar diante de outra língua. A exemplo do português do século XIV para o português do século XXI e mais especificamente para o português brasileiro. Isto denota o caráter vivo e mutável das línguas.


REFERÊNCIA

FARACO, Carlos Alberto. Linguística histórica: uma introdução ao estudo da história das línguas. São Paulo: Parábola Editora, 2005.


* Maria Rosane Vale Noronha Desidério é graduanda em Letras Vernáculas da UEFS e cursa o 8º semestre.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

MAPA ASTRAL

Por Kananda Sodré*


Legal! Eu sei, ou talvez todos saibam, que algo só nos afeta quando acreditamos na existência, no poder ou o que quer que seja deste algo. E é por isso que hoje pela manhã acordei com essa dúvida: a influência dos signos sobre as características dos indivíduos é algo real?

Como escorpiana, ao que eu sei - ressaltando que eu sei muito pouco - eu deveria ser rancorosa e vingativa, ninguém menciona nada sobre, deixando-me confusa. Bem, se levarmos em conta que a visão do outro sobre nós, nem sempre corresponde a nossa visão sobre nós mesmos, talvez existam pessoas que me considerem rancorosa e vingativa. Mas, acho que a confusão é nítida para ambos os lados: o meu e o outro.

Bom, acho que nós, os escorpianos, também somos bastante intensos e, por experiência própria, posso afirmar que não gostamos de ser controlados, aprisionados ou forçados. Talvez essa seja a razão de toda a minha confusão, já que a vida é inevitável e definitivamente é feita de escolhas. É quase uma obrigação ter de escolher e eu não gosto de obrigações, mas nada tenho contra as escolhas.

Ao contrário, é bom saber que tenho a liberdade de escolha, embora nem sempre saibamos o que fazer com a nossa liberdade. O grande problema é que eu não tenho o mais importante ante a uma escolha: a decisão. Pois, como já dizia Cora Carolina "[...] Cabe a mim a decisão entre ir ou ficar, rir ou chorar..." E qual seria o signo da Cora?

Bem, acho que mesmo com a influência dos signos a confusão que corrobora em cada um é o inevitável medo do desconhecido, no fim temos de escolher, temos de decidir. E mesmo com meu mapa astral todo pronto, guiada pelas luas, pelas cores, pelos números... No final, será sempre a minha decisão de segui-lo (ou não) que determinará a frequência de sorrisos e lágrimas do meu dia. Até porque o futuro e o próximo segundo a Deus pertencem e como diria Clarice Lispector: "[...] É tudo tão incerto".


* Kananda Sodré cursa Letras na UEFS.

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