sábado, 3 de dezembro de 2011

Quem foi...

... Mary "Perdita" Darby, a autora inglesa que sofreu no casamento, foi amante de um príncipe e terminou seus dias escrevendo em prol das causas feministas.

Por Juliana Pacheco*


         Mary Darby nasceu em Bristol, Inglaterra; não se sabe precisar corretamente o ano, mas biógrafos têm aceitado o ano de 1757 como ano de seu nascimento, contrariando suas próprias declarações que apontavam o ano de 1758. Quando ela ainda era criança, seu pai abandonou sua mãe, indo viver com uma amante. A mãe de Mary teve muitas dificuldades para manter a família, e Mary acabou sofrendo com os resultados dessa dificuldade.
                Sua mãe a obrigou a casar com Thomas Robinson, um homem que declarava ter uma grande herança para receber e poderia, portanto, sustentar bem a família. Mary não concordava com isso, mas depois de uma doença em que ele se mostrou solícito e ficou ao seu lado, ela atendeu aos desejos da mãe e se casou, aos 15 anos. Mary não foi feliz em seu casamento. Além de seu marido, na verdade, não ter meios de se sustentar ou a uma família, ele teve várias amantes.  Thomas gastava mais dinheiro do que o que possuía e do que o que Mary conseguia, acabando preso por dívidas. Nessa época, com a ajuda da Duquesa de Devonshire, ela publicou seu primeiro livro de poemas.
                Ainda jovem, Mary foi incentivada a tentar a carreira como atriz, e fez alguns esforços nesse sentido. Depois que seu marido deixou a prisão, ela continuou sua carreira, obtendo sucesso e se tornando conhecida na região em sua época. Seu papel mais importante foi o de Perdita, em uma adaptação de Shakespeare. Foi durante uma apresentação dessa peça que o Príncipe de Gales George IV (que mais tarde se tornaria o rei George IV) se interessou por Mary e ofereceu vinte mil libras pra que ela se tornasse sua amante. Ela resistiu durante algum tempo, mas acabou cedendo ao assédio do príncipe. O caso teve repercussão nos jornais da época, como um grande escandalo da família real. Eles ficaram conhecidos como "Florizel e Perdita", nomes do casal principal da peça.
                O romance com o príncipe durou menos de um ano e a quantia prometida nunca foi paga. Ela conseguiu um acordo com a coroa inglesa para receber uma soma anualmente, em troca das cartas que George tinha escrito para ela. O pagamento desse dinheiro não era regular, e muitas vezes não acontecia. Ela ficou impedida de voltar aos palcos, pois o público não via com bons olhos seu romance com o príncipe.
                Depois de separada do marido pelo episódio com o príncipe, ela teve uma série de romances mal sucedidos. Com Banastre Tarleton, um bem sucedido soldado americano, ela teve um caso que durou 15 anos e que tinha a desaprovação de toda a família de Tarleton. Ela não chegou a se casar com ele, tendo ele se casado com outra mulher pouco depois de se separar dela.
              Mais uma vez sozinha, Darby deu continuidade a sua carreira literária, na qual teve reconhecimento ainda em vida. Muitos dos amigos de Darby foram seus colegas do meio literário, e eles foram a companhia de Darby até sua morte, em 1800.
                A biografia de Mary Darby é importante, pois está diretamente relacionada à sua obra. Seja no começo de sua carreira literária, quando escreve sobre a sensação de abandono e a decepção no casamento, seja no final, quando tem importantes trabalhos na luta pelos direitos da mulher. Nessa segunda fase de sua carreira, pode-se destacar a sátira que faz de Tarleton em uma de suas peças e a defesa do direito de a mulher se separar sem sofrer preconceito.
               Um pequeno trecho da obra de Darby:

"Suponha que destino, ou interesse, ou acaso, ou o que você quiser, tenha unido um homem, assumidamente de entendimento fraco e debilidade física, a uma mulher forte em todos os poderes do intelecto e capaz de suportar o cansaço de uma vida atribulada: não é degradante para a humanidade que essa mulher tenha que ser passiva, escrava obediente de tal marido? Não é repugnante para todas as leis da natureza que os sentimentos, ações e opiniões dela tenham que ser controladas, pervertidas e corrompidas por tal cônjuge?"  



Referências:

Dawn M Vernooy Epp, "Mary Darby Robinson's poetry and prose: Reading the intersections of Romantic period popular culture and the arts" (January 1, 2003). ETD collection for University of Nebraska - Lincoln. Paper AAI3092605.
http://digitalcommons.unl.edu/dissertations/AAI3092605

http://www.rc.umd.edu/editions/robinson/mrintro.htm
http://digital.library.upenn.edu/women/robinson/biography.html
http://digital.library.upenn.edu/women/robinson/1791/1791-understand.html




* Juliana Pacheco é graduanda em Letras com Inglês na UEFS e membro da equipe Graduando.



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