sexta-feira, 21 de março de 2014

UM SIMPLES CONTO

* Por Kell Ferreira


E foi de repente que tudo começou.

Era uma segunda feira, 26 de agosto de um ano qualquer.

O dia estava lindo, iluminado, parecia um dia normal como os outros. Ela mal havia acordado e já estava atrasada, olhou para o relógio e tomou um susto, de imediato levantou, tomou um banho rápido e vestiu a primeira roupa que achara, nem tomou café e saiu em disparada para pegar o ônibus.

Durante sua caminhada até o ponto ela pensava em como seria essa nova fase de sua vida. Ainda preocupada com seu atraso colocou seu fone de ouvido na tentativa de se distrair e, ao som de Sarah Mclachlan (Fallen live), por minutos se esquecera de tudo e todos à sua volta e pôs-se a viajar em seus pensamentos.

Ela não olhava nos olhos das pessoas, era alguém desligada que só queria seguir seu destino sem cruzar o caminho de outras pessoas (mal sabia ela o que o destino lhe havia reservado).

De repente ela se deu conta de que já havia chegado ao seu destino e apressadamente desceu do ônibus. Ao longe se aproximava um alguém de camiseta branca, bermuda jeans, cabelo curto, para ela era apenas mais um alguém sem importância. À medida que essa pessoa se aproximava algo estranho se movia dentro dela. Sentia sensações estranhas jamais sentidas em outros tempos, ela já não era mais a mesma.

Quando, de súbito, olhos claros cruzaram com os seus olhos negros feito a noite, fazendo seu corpo estremecer, suas mãos começaram a suar, seu coração batia forte. Ela havia ficado atônita e sem entender o que estava a acontecer, do porquê aquele encontro a havia deixando assim.
Após aquele instante ela sentiu que sua vida jamais seria a mesma. 

Todas as manhãs ela descia naquele mesmo ponto e era como se seus olhos procurassem por esse alguém, ela vivia na ânsia de encontrar esses olhos claros outra vez, isso era estranho e ao mesmo tempo intenso. Por coincidência ou destino esses olhares passaram a se cruzar outras vezes e ela sentia as mesmas sensações. Surgiam mais uma vez os mesmos questionamentos: porque olhei naqueles olhos que me perturbam? Que estranho.

O que o destino a reserva com esse encontro ela ainda não sabe, mas de uma coisa ela tem certeza, nenhum destino ou caminho se cruzam por acaso.


* Kell Ferreira cursa o 2º semestre de Letras Vernáculas na Uefs.

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