sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

"PEDAGOGIA DA AUTONOMIA", DE PAULO FREIRE *



** Por Danilo Cerqueira

Paulo Freire elenca uma gama de conhecimentos (saberes), em Pedagogia da autonomia, inerentes à prática educativa, que por si só caracterizam a docência como uma atividade imponderavelmente humana, exercida por seres reflexivos, sobre seu lugar no mundo, numa relação permeada de tensões entre semelhantes, e o que advém das interações “homem-homem-mundo-homem” no ambiente escolar.

O livro apresenta exigências referentes à prática docente como posturas essenciais, intrínsecas, ao professorado, atividade com peso sócio-político importante. O processo educacional não determina, mas condiciona a visão do estudante, influindo, de maneira a ser considerada, na definição de objetivos profissionais, posturas políticas, atitudes pessoais e conduta moral e ética diante e durante a permanência do estudante na escola. O professor, seja qual for a orientação teórica que prepondera sobre a sua docência, deve conscientizar-se de que a atividade a qual exerce tem especificidades que afirmam seu papel capital na formação de agentes transformadores e formadores da realidade sócio-histórica. Ensinar e aprender são aspectos do caráter homogêneo da prática docente, dada a impossibilidade de dissociá-los sem perda de qualidade e humanidade da docência. Humanidade que concebe o ensino como troca de saberes em compartilhamento segundo objetivos de cada um dos envolvidos: educando e educador. O professor considera que a apreensão de mundo, pelo aluno, condiciona seu aprendizado, não só como estudante, mas como ser cujo saber não se faz senão pela ontologia com a realidade, de forma que a noção de transferência de conhecimento é inconcebível. A ação do professor deve ser a de estimular nos alunos o senso crítico, mas humano; autônomo, mas dialógico; político, mas não demagógico ou tendencioso.

A autonomia docente, segundo Freire, é mediar ao aluno o conhecimento técnico necessário para o labor através das não menos necessárias posturas de respeito, consideração e valoração de seu conhecimento de mundo, sob pressupostos didáticos, críticos, coerentes e conscientes das relações humanas na escola. O professor ensina não apenas saber formal, embasado nas mais diversas correntes pedagógicas. Antes, sua prática está alicerçada num discurso, numa postura política, numa cultura, numa ética e numa ideologia, atitudes especificamente humanas.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 18 ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

* Resenha apresentada como avaliação da disciplina Didática, em 2009.
* Danilo Cerqueira cursa o Mestrado em Estudos Literários na UEFS.

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