sexta-feira, 22 de novembro de 2013

CURSO DE LETRAS: PARA QUÊ?

* Por Joilma Maria de Freitas Trindade

Sei que a educação no Brasil está longe de ser satisfatória. O assunto é sempre polêmico, mas acredito que se deve elevar os padrões do sistema de ensino atual do curso de Letras através da atualização de seus conteúdos e pela adequação da estrutura curricular às necessidades dos alunos e dos setores da sociedade aos quais cada instituição se faz veicular. Não esquecendo, porém, de repensar a universidade, suas fases, o ambiente em que está inserida, o método de lidar com o conteúdo e com o mundo da informação, sem perder de vista os aspectos culturais dos seus alunos e professores. É preciso também maior investimento na formação dos docentes, porque estudar Letras não é só ler, escrever e interpretar. É aprender a desenvolver o senso crítico, a pensar, analisar os problemas e suas soluções. 

Dessa forma, adaptar os conteúdos dos cursos de Letras, hoje fragmentados, à nova realidade é imprescindível para o processo de ensino-aprendizagem. Faz-se necessário que nesse ensino sejam exploradas metodologias capazes de confirmar o conhecimento que o aluno adquiriu, ou seja, oportunizar ao aluno a prática do que se aprendeu na teoria; a expansão do espírito crítico, o estímulo à criatividade e a compreensão das dificuldades propostas. Além disso, é importante o desenvolvimento de métodos de ensino que levem não só ao descobrimento das potencialidades do trabalho individual, mas também do trabalho em equipe. Isso proporciona autonomia ao discente, concede-lhe segurança em relação às suas próprias atitudes e capacidades; permite-lhe se sair bem nas mais diferentes complexidades.

Nesse contexto, entra o professor com o desafio de enfrentar uma sociedade globalizada, turbulenta e em constante processo de construção. Uma escola em que os alunos fazem a escolha profissional de forma precoce, muitos, ainda bem jovens, forçados pelos pais a escolher uma carreira universitária sem informações precisas e confiáveis sobre a futura profissão. Em contrapartida, têm em suas mãos a responsabilidade de ensinar pessoas a aprender e aprender. Formar cidadão responsável e sujeito empreendedor, instruir para o desconhecido, sobretudo porque a qualidade, a competitividade e o conhecimento é que movem o mundo. Entretanto, o que se percebe é que o papel do professor está em desacordo com os padrões atuais de gerar cultura. Existem docentes que, alheios às suas funções e, com preguiça quem sabe, repetem avaliações, temas, proposta de trabalho aos alunos. Assuntos que não fundamentam o ensino-aprendizagem.

Além de qualificar os professores de Letras, é essencial trabalhar pela valorização de seu trabalho profissional, pois passam por suas mãos todos os cidadãos brasileiros. O estudo das Letras é um instrumento básico para todas as áreas do conhecimento e para comunicação do homem. Por isso, carecem de ter uma boa remuneração pelos serviços que prestam à sociedade. Contudo, a valorização não deve vir só da parte do Estado e dos empregadores, mas também do próprio docente. É preciso que ele se sinta honrado pelo que faz. Que perceba o quanto é importante a sua tarefa, que é contribuir para o progresso e desenvolvimento do ser humano e do país.

Sobretudo, deve-se estar atento ao duelo presente na escola atual para atender às demandas do processo educativo brasileiro. Compreender a incumbência da universidade na sociedade do conhecimento, das constantes mudanças, da globalização, sem, todavia, não se esquecer dos contrastes sociais, das desigualdades econômicas, a degradação ambiental, a exclusão e a discriminação, pois nisso também consiste o papel da universidade.

Aí vem a pergunta: Curso de Letras? Pra quê? O professor não é mais o detentor exclusivo da informação a ser transmitida para o aluno. A velocidade da produção e circulação de informações leva a pensar que a educação deve produzir no aluno uma capacidade de continuar aprendendo. Recorremos ao curso de Letras, pois não se trata mais de acumular informações porque elas estão disponíveis a quase qualquer um, mas desenvolver-se individualmente, refletir o aprendizado, ler e escrever conteúdos de forma crítica e responsável.

Por fim, nossos cursos de Letras não são, eles estão flagelados. Essa situação pode e deve mudar. Basta para isso que ocorram as mudanças na estrutura curricular de formação profissional e acadêmica, de modo a se compatibilizar com a universidade que temos. O docente receba tratamento e remuneração digna à importância que ele detém. O governo veja, na hora de liberar recursos, a educação como investimento, e não como “despesa”. O aluno seja incentivado a buscar conhecimento para transformar o espaço singular e o pluralizado. Haja incentivo e fortalecimento das práticas de pesquisa na área. Caso essas mudanças não ocorram, corre-se o risco de isolamento científico, tecnológico, econômico e intelectual de um mundo em acelerada transformação.

* Joilma Maria de Freitas Trindade é estudante do 3º semestre do curso de Letras Vernáculas da UEFS, turma 2012.2.

4 comentários:

  1. Amei o texto. Vale a pena refletir sobre a importância do curso de Letras.

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  2. Belíssimo texto. É muito importante refletirmos sobre nosso curso.
    Parabéns Joilma.

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  3. Belíssimo texto. É sempre importante discutirmos sobre o nosso curso, afim de torna-lo melhor.
    Parabéns, Joilma.
    Abraços!
    Maria.

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  4. Excelente texto! A análise da importância do curso de Letras, da sua situação atual e das possíveis formas de promover uma mudança para a melhora do mesmo, foram muito bem apontadas no texto.

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