sexta-feira, 17 de março de 2017

CATARSE

Por Rejane Aquino*


No olhar, o medo
Na pele, os guetos
Na postura, as indagações
Acaso ser mulher é tão simples?
um verso desconexo?

Complexo, intangível,
incalculável medo.
Medo do tudo, medo do nada,
medo, apenas porque somos:
definições através de curvas,
bocas que todos pedem silêncio,
corpo alimento,
fetiche escroto
de machos desvairados.
Não seria em vão tamanho tormento.
Seria?

Há maremotos nas emoções, intensidades imperfeitas
e eu sigo
cantando meus medos
de ser aquilo
que já sou,
apenas por ser
       [mulher].


* Rejane Aquino é formada em Letras, professora e poeta.

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