segunda-feira, 6 de abril de 2015

POR QUE O TEATRO SE DESENVOLVEU MAIS PARA O RISO DO QUE PARA A TRAGÉDIA?

Por Márcia Silva de Souza *


A palavra teatro, de origem grega, vem de théatron, uma configuração de arte em que um ator ou uma junção de atores interpretam uma história para um público em algum lugar.  O teatro surgiu na Grécia Antiga, mais precisamente, no século IV A.C. Em consequência dos festivais anuais em consagração a Dionísio, o deus da alegria e do vinho. Foi na Grécia antiga que surgiram dois gêneros teatrais, sendo eles: a comédia e a tragédia.

As peças teatrais trágicas tinham temas ligados à justiça, às leis e ao destino. E o bom exemplo é o “Rei Édipo” de Sófocles, que retrata a impotência do homem contra o seu destino. Já, o teatro cômico, tem como intuito o riso dos espectadores, pois representava de forma engraçada o cotidiano da vida em formato de sátiras, porém vale lembrar que o riso não é um fator essencial da comédia, mas a reordenação (renovação).

A origem do teatro no Brasil teve grande influência dos padres Jesuítas, que ao chegarem ao país, trouxeram consigo influências como a literatura e o teatro, sendo estes os principais instrumentos pedagógicos para a educação religiosa. Este período corresponde ao século XVI, quando o Brasil passou a ser colônia de Portugal. Os Jesuítas notaram que a utilização de métodos como o teatro, somado com a cultura indígena, eram eficazes como instrumento de civilização, principalmente para a catequese dos índios.

O teatro realmente nacional só veio se estabelecer em meados do século XIX, quando o Romantismo teve seu início. Martins Pena foi um dos responsáveis por isso, através de suas comédias de costumes, o teatro passou a refletir as cenas e as problemáticas da realidade brasileira. Apesar do Brasil já ter conquistado sua independência, ainda buscava sua identidade nacional, e buscava essa identidade através de temas universais que falassem da dor, dos conflitos, etc.

O Brasil se desenvolveu mais no teatro cômico, pois enquanto a tragédia fala dos deuses e dos feitos heroicos, a comédia fala do homem, dos mortais e de sua fragilidade, daí sua identificação com a arte popular. Por mais grosseira, por mais grotesca que pareça, por mais que dê a impressão que ela esteja te atacando, ela diz 'eu falo a mesma linguagem que você, eu sou humano'. Ou seja, fala do homem comum. Através dela, é possível transmitir determinados princípios de maneira mais direta e acessível, pois o cômico vem falar do que já existe em determinado tempo-espaço.

Por mais franco que o suponham, o riso esconde uma segunda intenção de entendimento real ou imaginário. Assim, ao rir do outro, sempre se ri um pouco de si mesmo; esta é uma maneira de se conhecer melhor e também de sobreviver às dificuldades e obstáculos. Sendo assim, a tragédia traz questões, perguntas para o espectador, ou seja, propõe que as pessoas pensem, reflitam.


* Márcia Silva de Souza é graduanda do 6º semestre de Letras Vernáculas da UEFS.

Um comentário:

As mais visitadas postagens da Graduando

Graduandantes