sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

* Por Pâmella Araujo da Silva Cintra


O processo de aquisição da linguagem gira em torno da questão de Platão: Como podemos saber tanto a partir de tão pouco? Ou seja, como pode o ser humano intuir que tal sentença não pertence a sua língua só com o conhecimento dos dados primários? Chomsky e a tradição racionalista defendem a existência de um dispositivo inato biologicamente determinado, conhecido como Gramática Universal (GU). Trata-se, portanto, do estágio inicial do processo de aquisição.

A concepção defendida pela tradição racionalista pressupõe que adquirir uma língua particular é mais uma questão de maturação e de desenvolvimento do tal órgão mental biológico e menos uma questão de aprendizagem. O Behaviorismo defende que os dados primários, ou seja, o meio ambiente linguístico ao qual a criança é exposta, sejam suficientes para explicar o sistema de conhecimentos final do indivíduo adulto.

Entretanto, apesar da tradição racionalista não negar a importância do meio para iniciar o funcionamento da aquisição da linguagem, ela desconsidera que os dados primários deem conta de determinar as propriedades finais atingidas pelo sistema gramatical.

Em outras palavras, os estímulos iniciais da criança são pobres. Devendo-se, então, admitir a existência da GU na mente humana como um mecanismo inato suficientemente complexo, capaz de explicar e de determinar a aquisição e o desenvolvimento da linguagem.

Assim, podemos considerar que a GU é a nossa língua interna (Língua – I), constituída por princípios e parâmetros, e a performance, o uso concreto da linguagem (Língua – E). Contudo, entende-se que o dispositivo inato e o meio linguístico são os responsáveis pelo processo de aquisição da linguagem.


* Pâmella Araujo da Silva Cintra é graduanda em Letras Vernáculas do 5º semestre

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