quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Renovando os votos

Por Danilo Cerqueira*

Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)

Escrever, aliás, é um andar ao encontro dos outros, sem deixar de ser um passeio de si próprio. José Jerônimo de Morais. Parlendas (1995).

Uma reunião com poucas pessoas, duas, ao todo. Provavelmente, a Biblioteca Municipal de Feira de Santana não será o espaço para grandes discussões por algum tempo. Mas isso não quer dizer que não tenhamos boas surpresas. Os ótimos e esticados momentos da Graduando no prédio público municipal puderam acontecer, desta vez, numa conversa com um (a) calouro (a) de outra instituição de ensino superior. Talvez mais superior do que o nível educacional referente aos envolvidos na conversa fosse a nossa disposição ao falar do cotidiano de uma universidade a partir do (s) ponto (s) de vista de uma publicação acadêmica. Nossa disposição para alimentos, muito intensa já naquele horário, não impediu que, novamente, a Graduando efetuasse “um longo e frutuoso diálogo do curso ‘consigo’”. (apresentação da 3ª edição da revista).
Conversar com um (a) estudante de outra instituição foi uma experiência importante, não simplesmente por divulgar a revista ou torná-la conhecida fora dos “muros imaginários” da universidade. Percebemos que as ações da Graduando podem ser feitas e estimulantes não apenas no curso de Letras da Uefs, não apenas nos cursos que atualmente a Uefs abarca em suas dependências, não apenas numa instituição de ensino público, não apenas numa instituição de ensino, não apenas numa instituição. Estava-se ali, na Biblioteca Municipal de Feira de Santana, para compartilhar uma experiência e perpetuar, não uma ação pontual ― equivocadamente entendida como modelo estático para “imitações baratas” ―, mas um entusiasmo criador de novas e contextualizadas ações em qualquer que seja o lugar onde se está. Não foi uma conversa de emissor para receptor. A definição de direção e papéis comunicativos não deve ser algo tão importante numa conversa sobre um periódico acadêmico. Todos (os três) estávamos envolvidos, pelo menos, nestas duas categorias em torno do momento mágico ― porque interativo ― que é a comunicação. Se alguém fica de boca aberta durante alguns momentos numa visita ao circo, ficamos de boca aberta (com um sorrisinho) quando percebemos, depois, o que estávamos fazendo, e, acreditem, o que já havíamos feito até aquele momento. O (a) estudante havia passado por um cursinho pré-vestibular no qual havia sido ensinado (a) por alguns de nossos colaboradores (entendamos colaboradores como membros do conselho, comissão, articulistas, imagistas, poetas e poetisas, cronistas, revisores ― e revisoras ―, comentaristas, fotógrafos ― e fotógrafas ―, enfim, pessoas que, de alguma forma, contribuem para a Graduando). Fomos percebendo, nas feições e interesse do (a) estudante, as mesmas questões que nos espantaram e nos entusiasmaram quando iniciamos a revista, em 2010. O reconhecimento de nossos colaboradores no processo de aprendizado de um (a) estudante que culminou em sua entrada no ensino superior ― por ele próprio ― criou um vínculo entre ele (a) e nós. Seu estranhamento quanto ao universo acadêmico no primeiro semestre, acreditamos, foi sendo diminuído ao longo de uma conversa de mais de duas horas. E também aprendemos com isso (vai aqui um “Muito obrigada!”, pois nos baseamos no gênero da palavra revista para agradecer).
Reconhecemo-nos enquanto colaboradores ― diretos e indiretos em espaços não delimitáveis ― do processo de ensino e aprendizado de mais um (a) novo (a) estudante do ensino superior feirense.

* Danilo Cerqueira é graduado em Letras Vernáculas pela UEFS, cursa o mestrado em Literatura e Diversidade Cultural na mesma instituição e é membro do conselho editorial da revista Graduando.

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