sábado, 16 de junho de 2012

O MEU, O SEU, O NOSSO CANAL ABERTO

Por Wellington Gomes de Jesus*

A respeito de programas de televisão de natureza improdutiva, foi exibido no Fantástico, do último domingo 22/04/12, o caso do motorista que dirigia alcoolizado para casa depois de uma festa, quando, em alta velocidade, não enxergou o limite da rua, saltou um córrego e atingiu o quarto de uma casa no segundo andar. No quarto dormia uma mulher, uma recém-nascida de seis meses e uma adolescente de doze anos. Felizmente não houve mortes. O caso ganhou repercussão nacional depois de apresentada a cena cinematográfica do automóvel pendurado no segundo andar da casa.
O programa em questão que não tem um público alvo bem definido oscila entre as classes sociais média e baixa, cuja maioria dos indivíduos ainda apresentam falta de interesse e empenho em buscar informação, e, por isso, “precisa agradar tanto a parcela do público que quer ver trechos de apresentação do fantástico (sem trocadilhos) Cirque de Soleiu quanto a parcela que tem curiosidade em saber quanto tempo da vida uma mulher gasta em um salão de beleza”, comenta Glauco Vinícius, colunista do blog Liga Jornalística.  
 Entretanto, o Fantástico é um programa vazio, totalmente parcial e visivelmente editado para o telespectador de pouca inteligência, esta é a pretensão. Em relação ao caso apresentado no início do texto, o programa deu preferência em explorar o acidente do ponto de vista físico-científico, reconstituindo a cena em um autódromo de São Paulo e pronto, em vez de encorajar discussões socialmente relevantes como o respeito à vida humana ou, mais pertinente ainda, sobre a obscuridade da Nova Lei Seca.
Acerca do respeito à vida humana podia-se questionar por que tanto pessimismo e decadência em pleno século XXI, marcado por avanços significativos em todas as áreas do conhecimento impulsionados pelas ciências, mas apresentar ações ou ideias bem-sucedidas pelo mundo que sugiram diminuir ou acabar a cultura da individualidade exagerada que acometeu a nossa sociedade; quanto a obscuridade da Nova Lei Seca se conduziria o telespectador pela confusa redação da nova Lei que ainda tramita no Congresso Federal, apresentando as suas generalidades, durezas, fraquezas e omissões, tornando público, de verdade, um assunto de interesse geral.
Mas, pseudorevistas eletrônicas como o Fantástico, da Rede Globo de Televisão, também figuram em outros canais de televisão aberta no Brasil e no mundo, com o hábito de se esquivarem da notícia e da informação “mais completa” e verdadeiramente utilitária para veicular programas de natureza vazia e inútil ao usuário desses canais.
Infelizmente, se nos próximos dez anos não houver uma séria reflexão sobre a validade e o compromisso das mídias informativas, especialmente, pelos canais abertos de televisão e pelo próprio telespectador, as novas gerações vão começar a apresentar em sua cadeia de DNA (substâncias químicas envolvidas na transmissão de caracteres hereditários), o gene do grande nariz vermelho e redondo.

*Wellington Gomes de Jesus é graduado em Letras com Espanhol pela UEFS e membro do Conselho Editorial da Revista Graduando.

Um comentário:

  1. Meu grandissíssimo amigo-irmão Léo, suas palavras jorram como agua branda num mar de sabedoria, quanta eloquencia e sabedoria juntas, te admiro amigo-irmão, embora discorde em alguns pontos do texto, mais é sempre bom ver-te falar sobre coisas tão importantes quanto essas.

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