segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

CHUVA POÉTICA

Por Jessica Mina*


Eu estava encostada na máquina de lavar, pensando em fazer poesia quando, de repente, o céu inteiro se dissipou numa cor acinzentada que parecia entristecer. Na verdade, a poesia já estava feita e começava a cair em minha cabeça. Eu logo me apressei para não deixá-la desperdiçar. Caiam em mim pingos grossos de todos os lados, que eu não sabia onde guardá-los. Era muita poesia, eram versos fortes, donos de uma musicalidade e de uma dança que deixam qualquer sertanejo feliz. Então corri para apará-la com um balde e, em seguida, dei-me conta de que não era suficiente, pois a poesia transbordava, e logo inundaria a minha casa. Vesti-me, pois, de fios daquela poesia cristalina e ajeitei algumas roupas no varal. Feito isso, entrei em casa, fechei a porta e prendi a chuva lá fora.


* Jessica Mina, graduanda em Letras com Inglês 5º semestre na UEFS.

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