Esta postagem é uma resposta ao comentário de um anônimo sobre a maior presença de graduados na comissão editorial (você pode ver este comentário aqui). Há dois textos abaixo: o primeiro, escrito por um membro da comissão editorial, Eliseu Ferreira da Silva, não expressa a posição da revista; o outro texto, elaborado pela comissão editorial após uma reunião em que foi discutido o assunto, apresenta a posição da revista Graduando.
Meu caro amigo Anônimo,
Se você for estudante da graduação
em letras da UEFS, nos procure estamos situados no MT-25-b, onde também
funciona o NEP - Núcleo de Estudos Portugueses e teremos uma enorme satisfação
em lhe explicar por que só temos três graduados e um graduando, pelo menos até
o dia 12/11, quando este último graduando, se tornará graduado, e aí sim, sua
pergunta será cabível. Posso lhe adiantar, que quando tivemos a ideia de fundar
uma Revista acadêmica que representasse e pudesse mostrar a comunidade
acadêmica, e a sociedade, a produção do estudante de graduação em letras da
Uefs, éramos todos graduandos, e temos tentado - mesmo que sem muito sucesso -
atrair outros estudantes, para colaborar e nos ajudar nessa empreita, o que não
é nada fácil. Fizemos e pretendemos continuar fazendo passagem em sala de aula,
comunicamos aos estudantes, fizemos convites pessoais, mas às vezes as coisas
não ocorrem como a gente quer. Também penso eu em largar a graduando, mas a
ideia de largar, e não ter com quem deixá-la causa em mim uma certa estranheza.
Lutei tanto por ela, tivemos apoio, publicamos uma edição com bons artigos,
criamos um blog que é visto no mundo inteiro e que já passou de mais de 5.000
acessos, temos um site, o ISSN tanto pra revista impressa quanto pra digital,
onde você pode fazer o Download da mesma. Não nos custa nada, só toma o nosso
tempo, que em termos de pós-graduação, éhhh, alguns já estão lá, ou mestrado ou
especialização custa muuuuito. Temos o apoio das principais instâncias da Uefs,
a saber: Undec, Proex, Prograd, D.A de Letras José Jerônimo de Moraes,
Colegiado de Letras, Departamento de Letras, da Pró-Reitoria de pós-graduação,
e da própria Imprensa Universitária, onde é feito a confecção da revista e que
é distribuída aos estudantes que nos mandam e tem seus artigos publicados na
revista, além dos professores conselheiros e revisores, além das várias
instituições de ensino superior do país, via a biblioteca Julieta Carteado,
instâncias da Uefs não só de letras, mas também núcleos, e grupos de pesquisa,
além de mantermos, via e-mail e blog, o estudante de letras bem informado do
que acontece a sua volta, para além dos muros da sala de aula, informações
estas que vão desde simples comentários sobre encontros, seminários, palestras,
apresentações culturais, e por aí vai, coisas que acontecem para os alunos de
letras até a ofertas de emprego, sim, acredite, oferta de emprego, a Revista
Graduando é utilidade pública.
Ou seja, meu caro amigo anônimo,
saia do anonimato e venha se tornar mais um na multidão, ou não, talvez um
graduando, quem sabe, depois de todo o esforço, somos a segunda revista
acadêmica que publica artigos só de alunos de graduação do Norte e Nordeste, e
não deve existir mais que 10 no Brasil todo, depois de elucidar aos alunos que
é necessário crescerem, sair do casulo em que se encontram, que às vezes não é
oval, é quadrada, igual uma sala de aula, não poderíamos, sair assim tão fácil,
pelo menos eu não, quando eu tiver a certeza de que mesmo Doutor, ou quem sabe
pós doutor a revista ainda existir e eu puder contribuir, quem sabe eu não a
largue, desde que ela continue sendo o que é, uma revista para como diz o seu
nome GRADUANDO- Revista Acadêmica da Graduação em Letras da Uefs, independente
de quem está na sua comissão, que sejam pessoas com o intuito de publicar
artigos e resenhas dos estudantes de letras desta instituição, e divulgar, e
assim contribuir para a evolução do estudante de letras da Uefs.
Se você se interessou, venha até
a nossa sede e nos procure, talvez você possa nos ajudar a resolver este nosso
probleminha de só ter (quase, pelo menos por enquanto) só graduados na comissão
editorial da revista.
Ps: Ahhh desculpa, alguns têm
vínculos sim com a instituição, e mesmo que não os tivessem, de qualquer forma
seria mais do que válido que uma instituição, como a Uefs, ter uma revista
acadêmica que a representasse, não é?. Pelo menos eu acho, e a questão do
vínculo, encaro como sendo uma etapa da vida, todos nós um dia deixamos de
fazer algo, ou por que crescemos e aquilo já não nos serve mais, ou nos parece
infantil, ou por que é da vida e temos que mudar de fase, seguir em frente
mesmo, ir a luta e buscar o seu lugar no mundo, isso mais cedo ou mais tarde
acontece, só temos que estar preparados para tal, mas enquanto isso não
acontece e não aparecem pessoas dispostas a dar seguimento a um sonho de
muitos, tocamos em frente, como diz Maria Betânia, ou Almir Sater caso prefira,
na música "Tocando em Frente", -"penso que cumprir a vida seja
simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente".
Bom, é o que estamos fazendo, por
quanto tempo, não sei, talvez até a revista ser reconhecida e conhecida por
todos os estudantes de letras e possa ser tocada (digo, que tenha seguimento)
por alunos da graduação e que nós (comissão editorial quase toda graduada)
possamos contribuir, mas de outra forma, quem sabe já como professor membro do
Conselho Editorial.
Bom, espero estar vivo e ver
talvez o número 50 da revista ou mais quem sabe, espero termos respondido a sua
pergunta
Eliseu Ferreira da Silva
________________________________________________________
O pensador vê
em seus próprios atos pesquisas e perguntas para obter esclarecimentos sobre
alguma coisa: o sucesso ou o fracasso são para ele, antes de tudo, respostas.” Nietzsche, A Gaia Ciência.
A comissão editorial conversou
muito sobre a revista após receber o comentário. O texto questiona a presença
majoritária de graduados no grupo que coordena as atividades da Graduando. Esse
fato, presente na pauta da reunião de sábado (06-08-2011), possibilitou que
conversássemos a respeito de como a revista está se dirigindo à comunidade
acadêmica e, de forma basilar, como está dialogando com os estudantes de
Letras.
Questionamo-nos sobre o que
levaria o anônimo a escrever aquelas palavras e provocar as ideias que
instigaram a feitura do texto acima. O texto pareceu irônico? Até que ponto?
Divergíamos sobre o quanto de crítica ou deboche (se houve) passou pela cabeça
da pessoa ao escrever as palavras “Gostaria de saber por que a maioria dos
integrantes da comissão são pessoas já graduadas, tecnicamente sem vínculos com
a graduação? Por que não inserir graduandos também?? Grato” (seção Inscrevo,
logo insisto, em 27 de julho de 2011). Um texto-resposta, preposto a este, foi
escrito por nosso membro da comissão. Após algumas ponderações em nossa reunião
semanal (motivação para a existência deste texto), foi decidido que o
texto-resposta de nosso membro não seria postado ou enviado como uma posição da
revista sobre o comentário. Segundo nossas conclusões, é possível contradizer o
que se afirma no comentário.
A revista sempre se posicionou a
favor da participação de graduandos compondo a equipe que realiza as
atividades. No caso da comissão editorial, não é prioridade nem censurável a
atuação de estudantes da graduação. Embora nas primeiras passagens de sala falássemos
de “uma revista de graduandos para graduandos”, essa realidade, percebemos, é
mutável e – constatamos – necessária. Explicamos. É preciso pensar no estudante
não somente enquanto graduando, mas futuro profissional da área de letras,
cujas ações inevitavelmente ultrapassam os muros da universidade. E, ainda, se
o caminho que trilhamos levou à universidade, ele não para nem recomeça nela.
Muitos estudantes de letras já lecionam, atividade na qual se pode identificar
predisposições internalizadas a partir da própria história de vida e da(s)
instituição(ões) em que estudam(ram), além das concepções de educação no
diálogo com a experiência docente. Há também os que acabam de adentrar na
universidade sem conhecer basicamente o curso em que estão matriculados –
quanto mais uma revista acadêmica da graduação (o que já é uma novidade mesmo
na universidade). Todas as atitudes e posições da comissão editorial são
elaboradas através de diálogos que, direta ou indiretamente, tocam essas
ideias. Desde o início das passagens de sala, há cerca de um ano e meio, e em
nossas visitas a alguns dos principais colégios estaduais de Feira de Santana,
procuramos demonstrar que a Graduando pensa sobre o exercício do profissional
de Letras baseada nos princípios de Ensino, Pesquisa e Extensão. Mesmo com o
convite sendo feito em cada passagem de sala e reiterado em diversos espaços da
Uefs (fora dela também), ainda não obtemos participação mais efetiva de
graduandos na comissão editorial.
Mas, devemos afirmar com
veemência, a colaboração existe e é muito significativa. Estudantes auxiliam
nas atividades do periódico desde as primeiras reuniões e já contamos com
colaboradores em várias atividades: envio de imagens e textos para publicação
no blog, divulgação de eventos e sugestões de capa, ideias para melhorar o blog
e também para ações da comissão editorial. Para nós, essa ajuda ainda é pouca
(mas compreensível), pois é necessário que boa parte dos mais de 700 estudantes
matriculados nas graduações do curso de Letras da UEFS não apenas saiba que a
revista existe. Devemos estar conscientes do papel das próprias Letras para a
sociedade, que a entendamos e, a partir das possibilidades de cada um, ajudemos
a valorizar os “saberes do curso” – por meio de ações e reconhecimento (entre
nós, graduandos em letras, primeira e principalmente) – na sociedade.
A atual comissão da Graduando
entende que muito ainda precisa ser proporcionado pelo próprio e para o próprio
curso e procura realizar suas atividades valorizando ética, honestidade e
mérito. Algumas atividades como passagens de sala, cartazes de provocação sobre
a produção científica, boas-vindas aos discentes e a recolha de doações em
dinheiro para a certificação do periódico estão documentadas no blog como prova
de nossa postura de diálogo com o curso. Neste caminho, vejam só, sempre esteve
a “Graduando: entre o ser e saber”.
A memória de um estudante de
letras em relação às questões de seu curso deve ir além dos “quatro anos” em
que estuda na universidade porque ocorre a passagem de estudante para
profissional, mas não de um letrado para qualquer outro conhecimento que não
“advenha” do curso em que estuda, ou seja, o profissional é uma extensão do
estudante. Se nossa revista acadêmica planeja contribuir para melhor formação
dos estudantes de letras, as noções de Ensino, Pesquisa e Extensão não devem
ser afastadas de nossas mentes quando pensamos até onde pode ir o
exercício/papel de um calouro, graduando ou graduado em Letras. A revista
assiste à graduação principalmente (mas não somente) enquanto produção
científica e não pensa (atual comissão editorial) em contemplar novos públicos,
sejam da UEFS ou de outras instituições. O objetivo da revista ainda necessita
de muitas etapas para ser notadamente percebido – nossas experiências a cada
edição revelam isso com uma clarividência muito contundente –, o que, de certa
forma, já prevíamos enquanto leitores e questionadores das condições de nossa
graduação.
Comissão editorial da
Revista Graduando