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quarta-feira, 1 de setembro de 2021

ARTIGO DESTAQUE ! ! !

Olá, graduandíssimos,

O artigo destaque desta semana é este: “O contexto e o intertexto na música ‘pra não dizer que não falei das flores’ de Geraldo Vandré”, de autoria de Adriana Alves Santana, Joseane de Jesus Pereira Araujo, Laila Kelly Almeida Jesus e Telma de Oliveira Santana, publicado na segunda edição da Graduando, em 2011.






Desde que foi publicado, este artigo foi citado em dois artigos, uma monografia, uma dissertação de mestrado, um texto publicado em livro, uma apresentação no prezi e um texto publicado em blogue.

E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).

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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

ARTIGO DESTAQUE !

Olá, graduandíssim@s!

O artigo destaque desta semana é este: “Divergências conceituais: Gramática Normativa x Descritiva”, de autoria de Inérzia Kaliane Torres Leite e Joana Gomes dos Santos Figuereido, publicado na primeira edição da Graduando, em 2010.

Desde que foi publicado, este artigo foi citado em uma dissertação de mestrado, defendida na Universidade de Aveiro, Portugal.


Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).

E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários!


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terça-feira, 22 de junho de 2021

ARTIGO DESTAQUE !

Olá, graduandíssimos,

O artigo destaque desta semana é este: “Representações discursivas do professor em charges”, de autoria de Dirlane Bispo de Cerqueira, publicado na sexta/sétima edição da Graduando, em 2013.





Desde que foi publicado, este artigo foi citado em uma dissertação de mestrado, defendida em 2015 no Programa de Mestrado em Ciências da Linguagem da Universidade Católica de Pernambuco.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários!


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segunda-feira, 14 de junho de 2021

ARTIGO DESTAQUE!

O artigo destaque desta semana é este: “Importância das aplicações da transdisciplinaridade na educação humana”, de autoria de Carolina Oliveira Guedes, Juliete Gomes Machado, Maria José Pereira de Brito, Suzana de Jesus Brito e Vilma Ramos Machado, publicado na primeira edição da Graduando, em 2010.

Desde que foi publicado, este artigo foi citado em 8(oito) trabalhos: 2 dissertações de mestrado, 2 trabalhos de conclusão de curso, 3 artigos e 1 relatório de estágio.


E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, comenta aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


Bom final de semana!

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segunda-feira, 7 de junho de 2021

ARTIGO DESTQUE !

 Olá, graduandíssimos,


O artigo destaque desta semana é este: “Da análise da música como gênero textual e texto multimodal ao ensino de Língua Portuguesa”, de autoria de Jéssica Carneiro da Silva, publicado na sexta/sétima edição da Graduando, em 2013.

Desde que foi publicado, este artigo foi citado em quatro artigos, dos quais três foram publicados em revista e um em anais de evento.




E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


Bom final de semana!

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segunda-feira, 10 de maio de 2021

ARTIGO DESTAQUE!

Olá, graduandíssimos,

O artigo destaque desta semana é este: “Uma análise sobre o ensino de literatura em uma escola pública do Estado do Pará”, de autoria de Evelim Mendes dos Santos e Jayna Karolyne de Souza Santos, publicado na décima edição da Graduando, em 2016.





Desde que foi publicado, este artigo foi citado em uma monografia, em 2018.

E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, comenta aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


Bom final de semana!

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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

MUSEU

Por Danilo Cerqueira Almeida*


Séria viveria Luzia
Constelada em Alexandria
Redarguindo argumentos de Minerva...
Tão ela nela...
O consumo, a involução das eras...

Que seja!
Que Dele o seja a esvoaçada poeira madre
Que no chocalho azul a água lave
A penha calcificada
Palavra!


* Danilo Cerqueira possui graduação e pós-graduação pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Atualmente, é professor da rede pública de educação do Estado da Bahia na cidade de Feira de Santana. Também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

quinta-feira, 15 de março de 2018

O OLHAR DE CAMINHA NO DISCURSO PUBLICITÁRIO

Por Israilda do Vale França*


O Jeep Renegade é o primeiro carro da marca produzido no Brasil, a sua campanha publicitária faz uma descrição do Brasil e apresenta-o como um país de floresta selvagem, de vento forte.

O filme publicitário traz de volta o “olhar” do colonizador, com o discurso de um Brasil de muitas águas, natureza diversificada, clima quente, admirados com a exuberância da natureza, surpreendidos com a flora, a fauna, a cultura dos habitantes que habitavam as terras brasileiras, como relata a carta de Pero Vaz de Caminha: “De ponta a ponta é tudo praia, palma muito chã e muito formosa [...]. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem [...] (CAMINHA, 1981).

Assim como na época do descobrimento do Brasil, o nacionalismo romântico também se preocupou em descrever a natureza, a vegetação se tornou uma prática dos seus escritores. Logo, em seu slogan o novo Jeep apresenta a frase “Ele não pertence ao nosso clima em outras águas se banha”, ou seja, o Jeep é um carro que não é do Brasil, porém está sendo produzido aqui.

Mas o que essa campanha publicitária nos leva a entender? Como a imagem do Brasil articulada no Romantismo (o Brasil como país tropical dos cronistas) é retomada convenientemente pela peça publicitária?

Para começar, o slogan da campanha traz a frase “feito pra você fazer história”. O filme publicitário faz um convite para desbravar, explorar as terras brasileiras com o novo Jeep, retomando o discurso dos cronistas que descreviam o Brasil como um país que possuía uma natureza bela, com terras a serem exploradas. O Romantismo encontrou na natureza uma maneira de exaltar a pátria (Brasil) como relata o poema Canção do Exílio: “minha terra tem palmeiras / onde canta o sabiá / as aves que aqui gorjeiam / não gorjeiam como lá” (DIAS, p. 1). A campanha publicitária do Jeep Renegade resgata novamente essa imagem do Brasil que possui matas, animais e que deve ser exaltado pela natureza que tem.

Nessa peça publicitária do século XXI pode-se constatar que há muita persistência em retratar o Brasil com o modelo nacionalista que predominava no período romântico, trazendo de volta todo imaginário europeu da época do descobrimento do Brasil. A publicidade do novo é produzida com o “olhar” do europeu, por isso que a natureza é retratada como incompreensível, indomável, selvagem, forte, perigosa, fazendo um tratado descritivo do Brasil.

O nacionalismo romântico, que impregnou em seguida nossas literaturas vinha ele mesmo da Europa, via França. A atenção que os escritores prestaram então à natureza Americana e aos aborígenes vinha diretamente da obra de Chateubriand, reveladora de uma matéria literária que eles tinham a domicílio (PERRONE, 1997, p. 250).

Assim como o nosso romantismo veio da França, foi impregnado no Brasil com base nos ideais franceses, voltando-se para o nacionalismo a exaltação da natureza­­­­­, o Renegade também veio de outro lugar, de outro olhar, para ser produzido no Brasil, por isso a paisagem representada em sua campanha publicitária é tão bela, o que se deseja é descrever a vegetação, exaltar essa beleza, riqueza, com o novo Jeep. A natureza brasileira é a grande observação, passamos a ver o Brasil com o olhar do “outro”. “A natureza americana vista pelo olhar europeu foi concebida como natureza natural, e como tal foi aceita pelos latinos americanos” (PERRONE, 1997, p. 252). A natureza apresentada na campanha publicitária do Renegade não é a imagem da natureza criada pelos brasileiros, mas uma natureza que torna-se bela comparada com a europeia, e passamos a nos ver pelo olhar do “outro”, a ver a nossa natureza hoje como o europeu via no momento do descobrimento do Brasil.

“Essa natureza, muito favorável ao desenvolvimento do gênio, esparze por toda parte seus encantos, circunda os centros urbanos com os mais belos dons” (DENIS, 1978, p. 37-38). A propaganda do novo Jeep se apropria e traz de volta todo o imaginário europeu, imaginário da terra propícia em que tudo o que se planta dá, os arvoredos, as águas infindas, o vento forte para poder convencer o telespectador que o Jeep é o carro que está pronto para desvendar, trilhar toda essa terra.  Sendo assim os brasileiros devem comprar o novo Jeep Renegade, pois é através dele que iremos conhecer a “nova terra”. A natureza será descoberta retomando a ideia de que o Brasil tem uma natureza selvagem.

Quando os colonizadores europeus chegaram ao Brasil, procuraram descrever toda paisagem que foi vista durante a viagem, como relata o trecho da carta de Pero Vaz de Caminha a D. Manuel, rei de Portugal: “Neste mesmo dia, à hora de vésperas, avistamos terra! Primeiramente um grande monte, muito alto e redondo; e depois outras terras mais baixas ao sul dele; e terra chã, com grande arvoredo”. (CAMINHA 1981, p. 96). Esta foi a descrição da natureza e a formação do imaginário europeu em contato com a “nova terra” que estava sendo descoberta.

Considerações finais

O novo Jeep apresenta as matas brasileiras como se fosse um lugar de diversão e busca por aventuras, o Renegade se vê atraído pela floresta e quer habitá-la, andar por ela. A maneira de ver a natureza no Brasil não mudou muito dentro da publicidade brasileira, os olhares que vieram desde a época dos colonizadores, ganhando força durante o romantismo brasileiro, continuam a ser repetidos na atualidade.

O Brasil continua a ser lembrado, não pelas histórias de independência do país, pelos índios que são constituintes da identidade brasileira, a nossa trajetória nunca é lembrada de maneira bonita, mas nossa geografia sim: “pouca história e muita geografia assim nos veem e, pior, assim nos vemos” (PERRONE, 1997, p. 253).

Passaram-se muitos anos desde a época do descobrimento até os dias atuais, porém essa ainda é a imagem que se tem do Brasil dentro e fora do país, a noção da natureza exuberante, porque este foi o retrato aceito pela sociedade brasileira de forma simples e sem questionamentos.

REFERÊNCIAS

CAMINHA, Pero. A carta de Pera Vaz de Caminha. São Paulo: Moderna, 1999.

DIAS, Gonçalves. Canção do exílio. Coimbra: 1843.

PERRONE, Leyla. Paradoxos do nacionalismo literário na America Latina. 14° Congresso da associação Internacional de Literatura Comparada. Edmonton, Canadá, ago. 1994.

DENIS, Ferdinand. Resumo da História Literária do Brasil. In: CESAR, Guilhermino (Org.). Historiadores e críticos do romantismo. 1. A contribuição europeia: crítica e história literária. SP/RJ: Edusp/LTC, 1978, p. 35-86.

VIMEO. Disponível em: . Acesso em: 25 set. 2015.

* Israilda do Vale França, graduada em Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). E-mail: israildaf@gmail.com

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

EDITORIAL DA 11ª EDIÇÃO

Por Conselho Editorial*


Chegamos a mais uma edição da Graduando: entre o ser e o saber. É o momento de sentir a satisfação por mais um trabalho cumprido, na passagem de um ano de atividades planejadas, vivenciadas e comemoradas ainda mais agora, quando podemos perceber que o processo de leituras e releituras proporcionou um material que carrega, entre tantas ideias e motivações, a memória, a disposição, a solidariedade, a representatividade e o reconhecimento a todas e a todos os responsáveis por esta publicação periódica do curso de Letras da UEFS.

A história da revista pode ser contada pelas pessoas que fazem ou fizeram parte dos conselhos, comissão, equipes e colaboradores do periódico. Seu cotidiano de atividades, seus relacionamentos com cada (futuro) autor(a) de texto, cada avaliador(a), cada revisor(a), cada interessado(a) em saber a respeito das atividades da revista em espaços de comunicação e de divulgação como o e-mail, o Facebook, o blogue e presencialmente, cara a cara... são momentos em que se oferece ao outro em nosso diálogo a mensagem que carrega o conjunto de experiências, de visão moral e de ética sobre as atividades desenvolvidas pela revista. Essas pessoas, em seu(s) momento(s) de contato com alguém que faz ou fez parte de nosso periódico, podem saber informações de seu interesse, visando algum objetivo: um trabalho publicado, um texto divulgado, um apoio em assuntos nos quais o periódico pode ajudar. Também querem encontrar, mesmo que não explicitem em seu discurso, credibilidade, uma postura minimamente aceitável em relação ao que se deseja com o pedido, informação ou relacionamento. Destacamos a credibilidade, a confiabilidade em nosso periódico. Muitos e muitas confiam e muitos creditam nosso periódico discente de Letras da UEFS.

O primeiro idealizador da revista, creditado por sua professora de Literatura em sala de aula, teve a ideia de criar o periódico e teve o crédito de outras 4 pessoas. Estes 4 graduandos em Letras, mais o idealizador, organizaram o periódico e comunicaram professores e setores da UEFS sobre a ideia. Os 5 graduandos tiveram a confiança de todos os setores visitados para o apoio ao então novo projeto: uma revista acadêmica da graduação em Letras da UEFS. Ao longo desses sete anos, a vida afastou alguns de nossos idealizadores, creditadores e “confiadores”. Aos que nos foram afastados pela vida, resta-nos a memória, resta-lhes a memória, provavelmente uma das motivações sociais mais devastadas da (e não pela) cultura brasileira. Sempre estamos em processo tendencioso de realizar ações sem perceber o quanto a memória sobre o contexto da situação em que estamos pode mudar a decisão a tomar. Toda vez que a Graduando lança um número, sua memória vai sendo marcada em um número exponencial de pessoas, sempre à medida em que fazem da leitura, da revista, uma atividade confiável.

Toda pessoa que organiza, escreve, lê, avalia, revisa, colabora e incentiva a revista, confia no trabalho que é feito. O tamanho de nossa confiança no(a) graduando(a) em Letras, e em todas as pessoas envolvidas com o periódico, só aumentou nesse tempo de existência: dos estudantes de 2010 para os de 2017, do curso de Letras de nossa universidade para os demais cursos de Letras do Brasil. A confiança de muitas pessoas na revista tem aumentado nosso crédito na comunidade acadêmica, no reconhecimento ao trabalho realizado, com a citação em, pelo menos, mais de 50 trabalhos acadêmicos, entre artigos, monografias, dissertações e teses, como também em materiais pedagógicos e postagens de blogue; entretanto, o percurso da leitura e das letras pode ser identificado, descoberto, mas sempre parcialmente mapeável. De nossa parte, encontrar o possível sobre a receptividade à revista Graduando: entre o ser e o saber significa exemplificar uma troca de confiança: confiamos em vocês, leitores do mundo tocado pelo periódico, e vocês confiam em nós: confia-se a quem se pede e se confia ao que pede.

Trocar confiança, dentre as atividades humanas, é um dos comportamentos motivadores das relações sociais, e dos mais exitosos nas relações acadêmicas. Explicitando que as relações acadêmicas são sociais, de trabalho, muitas vezes intensificadas ao longo da vida, nosso projeto acadêmico de periódico tem angariado muitos “confiadores”. Nós confiamos na capacidade de leitura deles; eles passam a confiar em nós pelo conhecimento de nosso trabalho e de suas necessidades, sejam estas de cunho acadêmico ou não, do que podem perceber de nossa postura a partir da perspectiva em que estão. Nosso agradecimento deve ser sempre periódico, como cada letra que pode – e deve – ser reintegrada a cada nova palavra, a qual, assim, supre a necessidade de falar de nossa própria história, emergir-nos de nossa própria memória com a atualidade e a representatividade que o tempo, do qual também fazemos parte, precisa, mas que em muitas ocasiões nos apresenta na condição de minoria, marcada por inúmeras formas de violência. Todos os que escrevem ou falam, fazem-no em última análise para deixar um pouco de si para o que pode haver de semelhante no outro, no próximo leitor/ouvinte, num diálogo que os une enquanto povo que lê, que ouve, que compartilha, a exemplo do tema que marcou a XV Semana de Letras da UEFS, no ano de 2017, realizada pelo nosso Diretório Acadêmico de Letras: “Por letras que contem nossas histórias: o movimento da língua enquanto identidade de um povo”.


* O Conselho Editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber, é formado por Danilo Cerqueira Almeida e Josenilce Rodrigues de Oliveira Barreto.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

REPRESENTAÇÃO DO AMOR E SEU VALOR SOCIOCULTURAL NO ROMANCE "O PRIMO BASÍLIO "

Por Paloma Virgens Santiago*

No livro intitulado O Primo Basílio, o Eça de Queiroz, faz diversas críticas sociais, critica a sociedade burguesa, a formação da mulher portuguesa, a instituição casamento e procura quebrar a ideia de casamento por amor. Na época em que se passa a história, século XIX, as mulheres possuíam uma educação voltada somente para leitura de livros selecionados pelos pais, professores ou maridos.

Até meados do XIX, grande parte da população que tinha acesso à língua escrita era dotada apenas da capacidade de leitura, uma vez que os aprendizados da leitura, da escrita e do cálculo eram feitos em momentos dissociados e sucessivos (cf. Roche, 1996; Viñao Frago, 1999; Chartier, 2001; e Magalhães, 1994). Ser capaz de ler e incapaz de escrever era uma situação muito comum para o modelo de formação feminina. A capacidade de escrever confere ao seu detentor um poder simbólico e permite, ainda, a comunicação secreta, pessoal e possibilita uma independência "perigosa". (MORAES, CALSAVARA, SILVA, 2006) 

Além disso, eram educadas religiosa e obrigatoriamente. Para serem aceitas na sociedade e garantirem a sobrevivência, precisavam se casar. E foi o que Luíza e Leopoldina, personagens do livro, fizeram. Assim, Luíza casou-se com Jorge, para garantir a própria sobrevivência e a da mãe. Leopoldina também deixa isso bem claro, que não se casou por amor, referindo-se ao seu marido com palavras que expressam escárnio, nojo.

Antes da chegada do primo, Luíza era considerada pela sociedade da época uma boa esposa, possuía empregadas e uma vida confortável; porém, era solitária, tendo em vista que o marido passava a maior parte do tempo viajando. Descreve Jorge, seu marido, como homem ideal, não havia do que reclamar. Entretanto, pode-se perceber que Jorge a prendia muito e a tratava como uma criança, que não podia expressar as próprias opiniões, ter amizades próprias, e criticava sua amizade com Leopoldina, temendo que ela pudesse influenciar Luíza por conta do estilo de vida que levava, um estilo muito à frente do seu tempo, poderia ser considerada uma mulher com ideais feministas, que ama intensamente e vive amores proibidos, nunca foi feliz em seu casamento. Por conta da sociedade e dos valores morais que eram impostos, na época Leopoldina era considerada uma mulher vulgar. Levando em conta os aspectos supracitados, podemos perceber a crítica do casamento por amor, observando que ambas as personagens possuíam interesses em casar, influenciadas, é claro pela, pela realidade vivida por elas na época.

Após a chegada do primo de Luíza, a visão que a sociedade “lisboeta” possuía sobre ela cai por terra e ela passa a ser vista de forma diferente por todos, começam a comentar sobre as suas saídas e encontros com o primo. Luíza vê Basílio como o “Don Juan” que vê nos livros, sendo contaminada pela leitura. A partir daí, percebe-se a visão do autor que apresenta Luíza como uma mulher de ideais frágeis, completamente débeis e que podem ser facilmente corrompidos por conta de leituras e amizades. O autor expõe a figura feminina ao ridículo, mostrando que ela pode ser facilmente enganada. Eça de Queiroz traz sua cosmovisão, ou seja, o conjunto de opiniões que ele possui sobre a sexualidade feminina, sobre o papel da personagem como esposa e sobre a postura de fidelidade que a mulher tem que possuir no casamento. Em nenhum momento o autor diz que Jorge trai Luíza, porém, dá a entender que, em suas viagens, ele se envolve com mulheres. Entretanto, o personagem não é visto de uma forma ruim pelo autor. A culpa do adultério recai para a mulher, que deve ser sempre submissa ao marido.

Segundo a ficha de leitura encontrada no livro, o autor ataca a instituição casamento e mostra que a sociedade sempre será doente, tendo em vista que o casamento seria a raiz de uma sociedade, o início de uma família e nele já havia corrupções, mentiras, enganações. Fica bem claro também que isso não acontece apenas no casamento da personagem Luíza, mas também no casamento da personagem Leopoldina, já que a mesma não amava o marido e vivia paixões com intuito de descobrir um grande amor.

Típico romance de tese, o Primo Basílio critica a burguesia lisboeta, mais precisamente o ambiente doméstico de uma família burguesa de Lisboa. A obra faz a ‘’análise do casamento como núcleo de tal sociedade a provar que a corrupção do todo começa por ali, já que o casamento constituía a estrutura básica do sistema burguês. O adultério, consequência natural desses casamentos, faz-se lugar comum em tal sociedade. (CIRANDA, 2008, p. 376) .

REFERÊNCIAS

QUEIROZ, Eça de. O primo Basílio. São Paulo: Ciranda cultural, 2008.

CALSAVARA, Eliane de Lourdes; Morais, Christianni Cardoso; SILVA, Gisele Elaine da. Leituras “corretas” para mulheres “ideais”: educação moral do “bello sexo” para instrução da família e formação da pátria no século XIX. In: CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABRALIC, 10, 2006, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro, RJ, 2006. Disponível em: . Acesso em: 22 nov. 2017.

* Graduanda em letras com inglês pela Universidade Estadual de Feira de Santana – Departamento de letras e artes. E-mail: palomavirgens2015@gmail.com

segunda-feira, 11 de abril de 2016

LITERATURA LATINO-AMERICANA: UMA LITERATURA ANTROPOFÁGICA

Por Maria Rosane Vale Noronha Desidério*


Pensar em literatura brasileira é quase sempre ouvir as vozes de outras literaturas. Os escritores nacionais, quase sempre em suas buscas pelo original, esbarraram na cópia, na transferência de estéticas europeias. Tudo começou com a colonização. O povo que aqui se formou a princípio só podia ler a literatura portuguesa. E quando finalmente o Brasil ganhou ares de império, já estava tão impregnado pelos modelos literários europeus que não conseguiu firmar-se nacional em sua escrita. José de Alencar, por exemplo, ao escrever O Guarani, esbarra na visão de um índio que jamais existiu no Brasil. Era uma cópia do bom selvagem de Rousseau. Uma tentativa de criar um herói nacional, porém esse estava impregnado de valores medievais europeus.

Alencar pretendeu falar de nacionalidade, pretendeu dar os contornos da identidade brasileira, mas assumiu uma literatura altamente europeia. Tanto que nem sequer conseguiu representar o índio nacional como ele era ou fora um dia. O Romantismo brasileiro respirava a Europa. E os românticos definiam a identidade nacional ao som das vozes francesas. Gonçalves Dias, ao escrever o poema “Canção do exílio”, seguia, ainda que indiretamente, os conselhos dos franceses, que mostraram aos escritores brasileiros o viés para que estes definissem a identidade do Brasil, um país tão jovem intelectualmente e tão complexo socialmente. Esse viés era a natureza natural, rica, exuberante e exótica.

No Realismo/Naturalismo, os escritores buscaram incessantemente revelar a face mais nua e real do país. Mostrar o povo no seu opróbrio, nos seus vícios, na mesquinhez humana. Mas ainda assim, foram as teorias cientificistas que ditaram a maneira que os escritores leram o Brasil do século dezenove. O exemplo mais profundo do enraizamento das ideias cientificistas europeias, impregnadas no pensamento nacional e no modo do brasileiro ver a si mesmo, se encontram eternizadas no livro O Cortiço, de Aluísio Azevedo.

Estes são alguns exemplos do quanto a literatura nacional esteve atrelada à europeia, destacando-se a portuguesa e a francesa. Essa dificuldade em produzir uma literatura autêntica muito incomodou os estudiosos do assunto. A busca pela estética nacional sempre esteve na pauta das discussões literárias nacionais, mas nunca se conseguiu encontrar um caminho para a total alforria intelectual do Brasil.

E seria insano pensar em alforria total? Provavelmente. Os escritores nacionais vêm de uma tradição antiga: a da leitura voraz dos clássicos mundiais. É natural que a estética nacional esteja impregnada de outras literaturas. Mas isso é de todo ruim? Não. O fato do escritor brasileiro se deixar influenciar por outras tradições literárias não faz dele um mero reprodutor, uma máquina de xerox intelectual. É clara a influência estrangeira, como também é clara que uma ruptura absoluta com essa influência é praticamente uma fantasia. Principalmente em tempos como os de hoje, século XXI, onde as distâncias são reduzidas pelos meios digitais e as ideias circulam muito mais rápidas.

Os anos 20 do século passado trouxeram certo alívio quanto a essa questão das influências na literatura nacional. Oswald de Andrade, consciente de que as ideias estrangeiras estavam impregnadas não só em nossa literatura, mas em toda a nossa cultura – afinal, a própria linguagem usada nos textos e no falar erudito se voltava para o português de Portugal –, trouxe o conceito de antropofagia intelectual. E admitiu que sim, copiamos e digerimos várias ideias europeias, mas ao digerirmos, nós absorvemos delas apenas o que nos interessa, e ao absorvermos, nós a transformamos, adaptamos ao nosso contexto. E assim, essas ideias se tornam outras. Tornam-se nossas.

Assim, o “entre-lugar” da literatura não só brasileira, mas de toda uma tradição latino-americana não pode ser diminuída porque há forte influência europeia. As influências foram e são digeridas. E, a literatura latino-americana, ao deglutir as influências do “Outro”, não as reproduzem inconsciente e inconsequentemente, o fazem de maneira que o Brasil e a América latina se revelem em suas particularidades, de modo que podemos dizer que a literatura latino-americana é dos latinos americanos e não dos europeus. Somos antropofágicos sim, mas não meros copiadores.


* Maria Rosane Vale Noronha Desidério é graduanda em Letras Vernáculas - 7º semestre.

sexta-feira, 11 de março de 2016

OSWALD DE ANDRADE E O MANIFESTO PAU-BRASIL

Por Maria Rosane Vale Noronha Desidério*


“A poesia começa nos fatos.” Esta foi a primeira frase do manifesto Pau-Brasil. Oswald de Andrade já começa o seu texto com uma grande defesa do modernismo. Era preciso falar das coisas que estavam ali, ao redor de todos. Era preciso falar do cotidiano, falar das coisas próprias, genuínas do Brasil.

O manifesto Pau-Brasil foi lançado em 1924 por Oswald de Andrade, o grande agitador do movimento, mas também um grande revolucionário, que pregou, com seu manifesto, o fim dos arcaísmos e da erudição na língua brasileira. Ele disse: “A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contradição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.” Isso mostra uma característica do movimento modernista, a busca por uma língua nacional. A língua falada nas praças, nos bares, nas casas. Porque esta era de fato a língua que representava a brasilidade. Essa defesa pelo falar genuinamente brasileiro pode ser observada no seu poema Pronominais. Vejamos: “Dê-me um cigarro/ Diz a gramática/ Do professor e do aluno/ E do mulato sabido/ Mas o bom negro e o bom branco/ Da Nação Brasileira/ Dizem todos os dias/ Deixa disso camarada/ Me dá um cigarro.” Aqui fica claro a defesa por um português brasileiro, livre da erudição, dos arcaísmos, que já não se percebiam mais na comunicação habitual das ruas, da vida cotidiana.

Oswald buscava uma poesia que expressasse o Brasil presente, que pudesse captar o cotidiano. E para isso era preciso vencer as resistências acadêmicas dos intelectuais que teimavam em não mudar. A arte precisava ser modernizada, mas sempre havia a rigidez atroz da Academia Brasileira de Letras. Oswald desejava que as novas ideias pudessem encontrar espaço no meio de tanto retrocesso cultural. E que finalmente a poesia encontrasse sua liberdade. Uma liberdade aprisionada pela rigidez da forma e da estética.

No manifesto, Oswald diz: “Só não inventou uma máquina de fazer versos – já havia o poeta parnasiano.” É nesse estilo provocador que o poeta demonstra o desejo de salvar a poesia desse estado estático e preso à métrica parnasiana. A impressão que se tem é que o estilo parnasiano lança a poesia em um estado quase industrial. Como se cada verso parnasiano fosse levado a uma máquina, colocado em uma forma, e então, saísse pronto, semelhante a uma mercadoria encomendada. Oswald queria liberdade.

As vanguardas europeias muito influenciavam o poeta. Ao chegar da Europa, Oswald concluiu que seu país estava a anos-luz atrasado no que se referia à arte. A semana de 22 arrasou a São Paulo intelectual. Foram três dias destruidores. E, efetivamente, essa era a necessidade inicial, uma ruptura com o passado para criar a modernidade nas artes, na literatura.

O manifesto Pau-Brasil foi uma consequência da semana de 22. Depois, Oswald trouxe o manifesto Antropofágico, um desdobramento do Pau-Brasil, e ao mesmo tempo uma resposta ao Verde Amarelo e Grupo da Anta, de Plínio Salgado e seus amigos.

Nas palavras de Oswald: “O contrapeso da originalidade nativa para inutilizar a adesão acadêmica.” Era preciso abandonar o academismo, mergulhar na natureza brasileira, encontrar sua identidade, revisitar o nativo, experimentar novas estéticas, falar do cotidiano. Era preciso uma ruptura definitiva com o passado. Isso, para aquela época, era uma grande orgia intelectual, uma revolução. Mário de Andrade, amigo e também participante ativo do movimento – aliás, um dos maiores nomes da primeira fase –, disse, acerca da primeira década do modernismo no Brasil, que “vivemos uns oito anos, até perto de 1930, na maior orgia intelectual que a história artística do país registra.”

Apesar do movimento modernista ter sido recebido de maneira extremamente hostil, durante a semana de 22, ele atingiu em cheio a arte brasileira, transformando, de maneira definitiva e sem volta, a arte e a literatura nacional. O manifesto Pau-Brasil reflete a convulsão das ideias modernistas nesse primeiro momento pós semana de 22.


* Maria Rosane Vale Noronha Desidério é graduanda em Letras Vernáculas - 7º semestre.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

PELOS OLHOS DE PERO VAZ DE CAMINHA – UM BRASIL

Por Maria Rosane Vale Noronha Desidério*


Quando Pedro Álvares Cabral e sua comitiva atracaram, no ano de 1500, em terras americanas, desconheciam o seu verdadeiro paradeiro, mas estavam a ponto de marcar definitivamente o destino de uma terra até então quase desconhecida. Era o começo do fim de muitos povos, línguas e culturas indígenas. A comitiva de Cabral havia perdido a oportunidade de encontrar um caminho para as índias por meio do atlântico, mas “achado” uma mina fabulosa de riquezas naturais para abastecer os cofres públicos de Portugal em tempos de apertos futuros.

As primeiras impressões dessa “descoberta” estão registradas na carta que Pero Vaz de Caminha escreveu à coroa portuguesa, relatando aquele achado. O Brasil ganhava ali, segundo Stegagno-Picchio (1997), o seu “Atestado de Nascimento”. Para o escrivão da comitiva, aquela terra soava fantástica, rica em belezas naturais. Praticamente uma extensão do jardim do éden. Mas não só a natureza era extraordinária e exótica, também os habitantes da terra batizada de Vera Cruz. Estes eram em tudo “inocentes e gentis”. Seres beirando a animalidade, mas que estavam prontos para receber de mentores “sábios e capazes” toda a instrução necessária para se tornarem homens de fé, católica, naturalmente.

Pero Vaz não consegue enxergar naquelas figuras humanas nenhuma malícia, nem sua riqueza cultural. Os indígenas eram para ele uma folha em branco, necessitados de receber da coroa portuguesa a cultura e a fé que lhes faltava. Cobrir a nudez dos índios, não só corporal, mas principalmente espiritual e cultural, era para Caminha uma missão da coroa portuguesa. A imagem dos portugueses cobrindo os índios que dormiam na nau do capitão é carregada de simbolismo. O pano português desejou cobrir os índios com a cultura, a religião e as mãos poderosas da coroa lusitana. Dominá-los. Esse é o grande simbolismo por traz desse pano. O domínio.

Caminha busca em toda a carta mostrar à coroa portuguesa o quanto é fácil conquistar aquela terra e sua gente. As palavras “gentis” e “inocentes”, na carta, ao mostrar o quanto aquele povo era solícito e aberto, levam a crer que os indígenas não ofereceriam nenhum tipo de resistência diante de uma possível colonização. Eles estavam despidos, e os portugueses, em um ato humano e paternal, tinham o dever de vesti-los. O único impedimento parecia ser a comunicação verbal, mas, driblada essa dificuldade inicial, nada poderia impedir os braços paternais de Portugal a conduzir aquele povo à servidão e à submissão para o seu benfeitor. E de preferência uma submissão banhada a ouro da nova terra. Os lusitanos trocariam tal metal por algumas facas e outras coisas de menos valia. Os próprios índios carregariam os navios com o ouro e demais riquezas encontradas, enchendo assim os cofres de Portugal. Esse fora certamente um desejo acalentado no coração português. Desejo realizado tempos depois, principalmente pelas mãos dos negros escravizados da África.

Essa é a grande mensagem da carta de Caminha: A terra é boa, o povo é bruto, bárbaro e não oferece nenhuma resistência. Gostam de folgar e dançar. Trocam suas riquezas por qualquer coisa que lhes ofereça. Nos servirão de bom grado. Em troca, preencheremos o seu vazio intelectual e cultural. Seremos seus mentores, seus líderes, seus donos.

Essa ideia leva muitos a crerem que o índio nunca resistiu. Que este jamais ofereceu resistência ao pano português, cobrindo-os com o poderio lusitano. Mas, na realidade, a história foi contada sempre camuflando ou amenizando a luta e a resistência indígenas. Ao contrário do que Caminha disse, o Índio não era uma tábua rasa e inocente. E não baixou as flechas perante a dominação portuguesa. A Confederação dos Tamoios é apenas um exemplo dessa luta. Mas, notadamente, é difícil à flecha, ainda que imbuída de muita coragem, vencer a arma de fogo. E a prova maior dessa resistência aborígene está nos números que revelam um verdadeiro massacre, levando ao quase desaparecimento dos povos indígenas brasileiros.

A carta de Caminha alcançou um poder de convencimento tão grande, ela tornou-se tão poderosa que até os dias atuais ouve-se o eco de suas palavras na mentalidade do outro estrangeiro e do próprio brasileiro quando se deseja definir o Brasil. Afinal, o que há de bom no Brasil? A resposta a essa pergunta é rápida. O Brasil tem uma riqueza natural maravilhosa e um povo gentil e hospitaleiro. Nada sobre nossa capacidade intelectual. O mundo ainda nos lê pela velha carta de Caminha.


Referências

PEREIRA, P. R. Os três únicos testemunhos do descobrimento do Brasil. Rio de Janeiro: Lacenda, 1999.

STEGAGNO-PICCHIO, L. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Nova Aguilan, 1997.


* Maria Rosane Vale Noronha Desidério é aluna do curso Letras Vernáculas - 7º semestre - UEFS.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

ASPECTOS DA LITERATURA FANTÁSTICA EM DOIS CONTOS DE NELSON DE OLIVEIRA*

Por Danilo Cerqueira Almeida  **


Os contos “Lá” e “Naquela época tínhamos um gato”, do escritor Nelson de Oliveira, apresentam elementos considerados pela teoria literária como pertencentes à literatura fantástica. Os três contos sustentam a narrativa em fatos que se relacionam com certo suspense resiliente que acompanha as histórias. O efeito hesitante e vacilante é intensificado por um narrador em primeira pessoa, o qual aproxima o leitor numa envolvente apresentação de cotidiano perturbador, inquieto ou fatidicamente encerrado em episódios que desestabilizam, em algum momento das narrativas, a razão humana.

A existência de um destino sem certeza de localidade nomeia o conto “Lá”, no qual a “ideia de ordem e desordem jamais esteve muito clara” (OLIVEIRA, 2004, p. 39) nas cabeças das personagens e de um narrador em primeira pessoa, instaurador de um niilismo persistente e assimilado no cotidiano de camelôs. A informação insólita — circunda o conto numa caminhada sem fecho, em que diversos elementos da contística inserem o texto na temática fantástica. A hesitação ante a dubiedade da realidade de que fala Todorov (1970, p. 148) é alcançada pelo retorno de um conselho vazio, uma situação banal que surpreende pelo inusitado de não se desejar ir até o final de uma rua, lá, cuja sucessão de medidas e suposições o mundo familiar e concreto não consegue explicar, mas que o universo da literatura faz emergir como metáfora vacilante do real, “afinal, para um estranho, deve ser terrível não estar ciente do solo em que se está pisando.” (OLIVEIRA, 2004, p. 41).

Em “Naquela época tínhamos um gato”, a simples troca de um animal doméstico incide no conto uma aura de perscrutação do homem pela figura de um cão “nu, sem coleiras e sem regras” (OLIVEIRA, 2004, p. 51). Após um início cercado de muita tolerância e receptividade, animal surge como um cão anormal, numa situação insólita — perscrutar as características e ideias mais profundas dos moradores da casa. A descrição psicológica no conto é notável na medida em que a atmosfera do fantástico se constrói ao olhar do cachorro, ser que escancara na vida as indeterminações mais densas do ser (narrador) observado. Sansão, o cachorro, provoca na família a sensação de que é um homem, tamanha é a identificação instaurada aos olhos, como qualquer outro morador da residência. No entanto, o distanciamento da realidade de um cachorro e da forma humana, em Sansão, encarcera o narrador em primeira pessoa — e com isso em todos os outros moradores da casa —, numa desagradável necessidade de aprisioná-lo, sob a forma de falsa liberdade, nas feições de um periquito, “encarcerado numa gaiola”.

Há, nos dois contos, forte traço social, uma forma de representação que focaliza o ser humano e/ou as criaturas naturais nas suas relações com o mundo. Nesse contexto, uma existência rotineira autônoma vai ao encontro do protagonista, em que situações de hesitação e dúvida assumem contornos de inquietação, em que é inegável não se poder sugerir o questionamento de uma rotina existencial, metamorfoseada no espantoso e até sinistro, dado o grau de perscrutação do gênero humano.

Referências

OLIVEIRA, Nelson de. Pequeno dicionário de percevejos. Rio de Janeiro: Lamparina, 2004.
TODOROV, Tzvetan. As estruturas narrativas. Tradução de Leyla Perrone-Moisés. 2.ed. São Paulo: Perspectiva, 1970.


*  Texto apresentado como avaliação parcial da disciplina Literatura Brasileira V, na UEFS, em 2009.
**  Danilo Cerqueira Almeida é licenciado em Letras Vernáculas, além de especialista e mestre em Estudos Literários, todas graduações pela UEFS. Também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

IDENTIDADE X PROCESSO DE COLONIZAÇÃO

Por Pâmella Araujo da Silva Cintra*


Durante o período conhecido como Romantismo, movimento que significou também uma busca da auto-afirmação da questão identitária dos países e não só, como se pensa, o individualismo, podemos perceber que esse período literário é marcado pela forte ideia de expressão do nacionalismo e na preocupação em instituir uma consciência nacional; estabelecer uma tradição literária calcada na origem da história de cada país como forma de criar uma identidade.

Entretanto, na América Latina, e em particular e principalmente no Brasil, os desdobramentos na criação de sua própria identidade se tornaram paradoxais e difíceis pelo fato dos países da América terem sido colônias dos países europeus. Contudo, isso significa que a América possui um atraso “intelectual” frente à Europa, por ter estabelecido literatura tardiamente. No caso do Brasil é ainda mais complicado, uma vez que ele, mesmo depois de ter conseguido sua independência, manteve com a metrópole colonizadora uma relação de cordialidade e até de submissão, o que explica um pouco esse complexo de inferioridade existente em nós brasileiros.

Vale ressaltar que, mesmo independentes, continuamos dependentes de Portugal após o período de colonização. E mais, a colonização de Portugal se diferenciou da espanhola, sofrida nos demais países latinos, por conta do apagamento cultural e imposição da cultura do país colonizador. Esse processo foi tão eficaz que resultou no fato de países como o Brasil não ter “memória” preexistente ao período de colonização. Isso dificulta, e muito, que países como o Brasil consigam constituir uma identidade, já que sabemos que não somos europeus, nem índios. O que somos, então? É esse o dilema em que se encontram os intelectuais, já que não temos resposta. Ou seja, o Brasil não possui uma identidade “acabada”, ainda nos encontramos em processo de formação.

Uma dificuldade sentida pelos nossos poetas e intelectuais durante o Romantismo foi justamente essa falta da história do nosso país. Eles, ao contrário dos escritores europeus, não tinham uma história, uma pátria. Por isso, encontraram-se na missão de criar a nossa pátria, ao mesmo tempo em que criavam uma literatura de cunho nacionalista sobre a mesma. De fato, os europeus não tiveram dificuldade quanto a isso porque já tinham uma tradição, uma história, uma origem a ser narrada.

Outro fato curioso é que tudo que é feito por nós, latinos, é sob e para o olhar da Europa, o que alimenta ainda mais a questão de nos sentirmos inferiores, já que o que verdadeiramente pretendemos com nossa literatura é que ela seja bem vista aos olhos dos outros; dos europeus. Vivemos então essa crise, o EU e o OUTRO. A literatura brasileira sofreu e ainda sofre muito com isso, no sentido de que, na tentativa de sustentarmos a criação de uma possível identidade, rejeitamos as influências daqueles que foram nossos opressores, os portugueses. Aí está o paradoxo: como negar a influência de Portugal para o Brasil se essa é uma parte de nós, da nossa quem sabe “legítima constituição”?

Não obstante, nós americanos nos enxergamos como bárbaros, e enxergamos a Europa como a civilizada. O Brasil rejeitou os modelos literários portugueses, mas adotou, por exemplo, o modelo de romantismo dos franceses. E, considera a França como o berço da civilização. Só nos enxergamos como donos de um país de natureza extravagante e exuberante porque o OUTRO nos enxerga assim. Afinal, até a visão que se tem do Brasil não é nossa, e sim do outro. E mais, somos vistos apenas como paraíso pela nossa bela fauna, flora, natureza em geral. Mas, quando falamos em civilização, cultura produção literária, somos rebaixados. Somos selvagens aos olhos do OUTRO e “incapazes” de exercer qualquer tipo de intelectualidade.

Assim, é de se imaginar que os nossos escritores, preocupados em criar uma pátria, pouco se importaram na elaboração de uma estética, e mais com os conteúdos tratados. Para Antônio Candido, a literatura brasileira é uma ramificação da literatura portuguesa. É vista como filha da portuguesa, e que por ser “nova”, deve atingir a “maturidade” da “velha”. Contudo, o que se pode observar é que a ideia de nacionalismo e de identidade brasileira não é algo fácil, e não podemos dizer que está acabada. Encontra-se em formação e em crise por conta de tantos paradoxos.


* Pâmella Araujo da Silva Cintra é graduanda do 5º semestre do curso de Letras Vernáculas da UEFS.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A COMÉDIA É UM GÊNERO CONSOLIDADO NO BRASIL

Por Joilma Maria de Freitas Trindade*


A comédia é o gênero com o qual o brasileiro se identifica mais. Mas, afinal, como a comédia se estabeleceu entre nós? Os Jesuítas (membro ou instituição Companhia de Jesus), com a intenção de catequizar os índios com a religião católica, trouxeram também uma cultura diferente: a literatura e o teatro. Dois séculos transcorreram entre as atividades Jesuíticas e o desenvolvimento do teatro no Brasil. Durante esse período (séculos XVII e XVIII), o país, que estava em fase de colonização, lutava pela autonomia do território colonial. Toda essa agitação refletiu no Teatro, que, apesar do sentimento nacionalista, tinha uma literatura dramática inaugural que dependia de iniciativas isoladas. Assim, a partir da Independência do Brasil, em 1822, na fase do romantismo, que rompeu com a tradição clássica, instalou-se um teatro determinado e engajado. Inicia-se a passagem a um teatro nacional.

Em 1833, o ator João Caetano formou uma companhia brasileira. A história da dramaturgia nacional está diretamente ligada ao ator por dois episódios marcantes: a estreia, em março de 1838, da peça Antonio José ou O Poeta e a Inquisição, de autoria de Gonçalves Magalhães, no Teatro Constitucional Fluminense. É a primeira e única tragédia escrita por um brasileiro que tratava de assunto nacional. Foi o primeiro passo para implantação de um teatro considerado brasileiro. Outras contribuições importantes figuraram nesse cenário: a de Arthur Azevedo, Gonçalves Magalhães, o escritor Machado de Assis e José Alencar. Além desses, ressalta-se a participação pioneira de Martins Pena, com suas comédias de costumes.

Ao longo do processo histórico-social brasileiro, as manifestações artísticas e culturais tiveram um papel singular na consolidação da identidade nacional. No teatro, por exemplo, fixaram-se como uma nova leitura do que fora feito até então. Assim, em outubro de 1838, foi apresentada pela primeira vez a comédia O Juiz de Paz na Roça, de Martins Pena, no mesmo teatro do começo de João Caetano. A peça foi o primórdio para a afirmação da comédia de costumes como o gênero preferido do público. As peças, por estarem incorporadas ao Romantismo, eram bem aceitas pelo povo, cansado do formalismo anterior, isto é, do teatro proveniente da Europa, que tinha como principal objetivo satisfazer a classe dominante brasileira, que transformava as exibições em autênticos acontecimentos sociais.

A perceptível identificação do Brasil com esse tipo de teatro deu-se pelo fato de o autor tratar de aspectos da vida social, destacar temas que envolvem as tradições e costumes populares: como as festas do Espírito Santo, festas da roça, a “malhação” do Judas, as festas de São João, as intrigas domésticas, os caçadores de dotes, os casamentos por interesse e os contrastes e diferenças entre o universo rural e o da cidade. Os personagens criados por Martins Pena descrevem com fidelidade o Brasil da época: funcionários públicos, meirinhos, juízes, malandros, matutos, estrangeiros, falsos eruditos, profissionais da intriga social.

A comédia de costumes, ou seja, a encenação que por meio do humor e da sátira procura revelar os costumes e condutas da sociedade, revelando a desorganização, a corrupção, a exploração, os comerciantes fraudadores, os interesses pessoais em detrimento dos coletivos, é que denuncia os desvios de caráter e os vícios que estão camuflados na personalidade humana.

O nosso herói cômico vem da plebe do campo. Faz o povo rir de si mesmo. Demonstra compreensão, superando suas dificuldades com festas, piadas e brincadeiras. Embora faça as pessoas rirem, a função da comédia não se limita só a isso, mas, particularmente, à superação de algo. Não há elevação de status, este permanece o mesmo. O homem do campo representa nossa identidade. Por causa de nossa vocação, o nosso teatro desenvolveu mais a veia cômica do que a dramática.

No estrado do teatro de comédia, procurávamos nos achar, nos entender. Não havia uma crítica expressa, visto que a consciência do povo estava começando a se formar. Aos poucos, a peça cômica começa a ganhar um tom de denúncia, provoca reflexão, suscita o questionamento e através do humor irônico, denuncia uma falta na sociedade, isto é, cutuca as relações de poder com ironia, sai em defesa das questões coletivas. Desenvolvemos, então, a característica cômica para buscarmos nossa identidade.

O cômico revela nosso ideal como povo. Quando representamos, deixamos de ser colonizados para sermos outras pessoas. O desejo se materializa por meio das atuações. Cria-se, no palco, a sociedade com a identificação que se quer afirmar. No tablado, o homem comum protagoniza as mudanças que gostaria de ver transformadas em ações concretas. Ali se realiza como cidadão que tem uma carteira de identidade.

Enfim, sabemos que, embora universais, ou seja, marcados por várias culturas, ainda somos subjugados ao “ranço” da colonização portuguesa. Portugal “despiu” o índio de sua cultural original, imprimindo-lhe a sua e tornou-se nosso principal colonizador. A nossa afinidade com a comédia se dá por conta da luta para comprovar nossa identidade como povo, como nação, que quer e deseja ser reconhecida pelo que é, e não pelo que foi. Continuamos a jornada. Somos um povo indefinido. Hoje, nossa formação provém de diversas etnias. Isto posto, quem nos garante que falamos português ou que a cultura que nos caracteriza é a do nosso colonizador?

Viva a comédia, que permite que sejamos outros em nós mesmos, em busca de nossa própria marca!


* Joilma Maria de Freitas Trindade é graduanda do 5º semestre do curso de Letras Vernáculas da UEFS.

sábado, 11 de outubro de 2014

TRAGÉDIA X COMÉDIA

* Por Pâmella Araujo da Silva Cintra


As peças de teatro, ou seja, a arte de encenar, data dos tempos da colonização. Durante o processo de catequização dos índios, os autos foram uma das maneiras encontradas de cristianizá-los, pelo interesse que a encenação lhes causava. Eis que os gêneros teatrais tragédia e comédia se destacaram bastante devido às suas características peculiares e pela forma como foram introduzidos e aceitos pela sociedade, tal como as transformações geradas de ordem religiosa, social, formação do pensamento reflexivo, e a busca pela nossa identidade nacional.

A tragédia grega caracteriza-se por ser a imitação de uma ação importante e completa que suscita compaixão e terror (medo). A compaixão significa, portanto, uma identificação, em outras palavras: a mimesis. Quanto ao terror, este apresenta-se como uma espécie de compreensão adquirida, ou seja, uma verdadeira catarse. Segundo Aristóteles, a importância da tragédia grega está na organização dos fatos, sendo fundamental a imitação de ações da vida real, da felicidade e da desventura, pois ela não é imitação de pessoas e sim, dessas realidades citadas.

O interesse que se tinha em que a sociedade grega assistisse às tragédias provém da transformação política da Grécia Antiga, que pretendia também acabar com a crença desmedida em divindades mitológicas, fazendo com que as pessoas enxergassem não mais uma única visão absoluta de mundo, e sim levar a sociedade ao questionamento, a refletir sobre as atitudes e comportamentos humanos, ora tratados como tabus pela sociedade, como coisas distantes da realidade do povo.

A tragédia consegue levar as pessoas à reflexão da problemática causada pelo conflito estabelecido, sem apresentar uma solução pronta. Ela suscita no espectador os porquês disso e daquilo, uma possível identificação com as personagens e uma procura até mesmo mais racional de explicações e soluções para a problemática tratada. Aristóteles diz que a tragédia é sem ventura, ao passo que a comédia é com ventura, o que significa dizer que não existe final feliz nas tragédias, enquanto que a comédia, assim como a grande maioria dos contos de fadas, apresenta final feliz. 

Já a comédia, caracteriza-se, segundo Aristóteles, pela exacerbação dos vícios (defeitos), ou seja, a comédia trata dessa intensificação dos defeitos. Trabalha com a reordenação/renovação, com a coletividade, com o social. Ao contrário da tragédia cujos personagens principais são sempre os heróis, na comédia estes são vistos como os anti-heróis. A comédia traz uma proposta de superação, não sendo algo só para rir. Até porque, a ironia pode estar associada à crítica, a quebra da lógica é o que gera o riso. A graça está na compreensão nova daquele contexto.

As relações sociais que são as relações de poder, assim como os tipos sociais, são os focos das peças teatrais cômicas. A comédia tem como objetivo retratar a sociedade tal como ela é, com os seus sujeitos, seu modo de falar... No Brasil, sem sombra de dúvida, a força da literatura brasileira está no cômico. A comédia proporcionou ao teatro brasileiro uma desvinculação dos moldes europeus. Com isso, percebe-se que, com a comédia, há uma busca pela identidade nacional do nosso país, até então, os nossos palcos retratavam realidades que não eram nossas, como também a linguagem utilizada.

Fica a pergunta: Por que o teatro brasileiro desenvolveu mais a veia cômica do que as tragédias? A resposta pode estar no fato da comédia causar uma identificação maior no público. Ora, a comédia era mais fiel à realidade do nosso país, havia uma linguagem compreensível, porque era o nosso modo de falar que era utilizado, personagens tinham características próprias do povo brasileiro, os costumes eram nossos, como também os obstáculos esperados. Os tipos sociais demonstravam bem traços da personalidade brasileira, ao mesmo tempo que denunciava as discrepâncias de igualdade e de justiça do nosso país.

Embora a comicidade tenha se desenvolvido e se destacado mais que a tragicidade, ambas tiveram muita importância pelas transformações geradas. O teatro se destacou muito com esses dois gêneros que serviram como instrumento de reflexão e de aprendizagem ao discutirem questões como o ser humano, suas atitudes e comportamentos. Foi uma forma de fazer as pessoas repensarem a sociedade como um todo. Assim como a literatura nunca é apenas literatura, devemos ter em mente que o teatro e a ideia que temos dele hoje é bem diferente do que foi o teatro e suas propostas. O teatro de outrora, era mais que teatro, tinha embasamento filosófico, educador, político e causas. Em síntese, a tragédia e a comédia conseguiram ganhar os palcos e o povo brasileiro.


* Pâmella Araujo da Silva Cintra é graduanda em Letras Vernáculas, 5º semestre, UEFS.

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