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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

ARTIGO DESTAQUE !

Olá, graduandíssim@s!

O artigo destaque desta semana é este: “Divergências conceituais: Gramática Normativa x Descritiva”, de autoria de Inérzia Kaliane Torres Leite e Joana Gomes dos Santos Figuereido, publicado na primeira edição da Graduando, em 2010.

Desde que foi publicado, este artigo foi citado em uma dissertação de mestrado, defendida na Universidade de Aveiro, Portugal.


Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).

E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários!


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terça-feira, 22 de junho de 2021

ARTIGO DESTAQUE !

Olá, graduandíssimos,

O artigo destaque desta semana é este: “Representações discursivas do professor em charges”, de autoria de Dirlane Bispo de Cerqueira, publicado na sexta/sétima edição da Graduando, em 2013.





Desde que foi publicado, este artigo foi citado em uma dissertação de mestrado, defendida em 2015 no Programa de Mestrado em Ciências da Linguagem da Universidade Católica de Pernambuco.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários!


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segunda-feira, 7 de junho de 2021

ARTIGO DESTQUE !

 Olá, graduandíssimos,


O artigo destaque desta semana é este: “Da análise da música como gênero textual e texto multimodal ao ensino de Língua Portuguesa”, de autoria de Jéssica Carneiro da Silva, publicado na sexta/sétima edição da Graduando, em 2013.

Desde que foi publicado, este artigo foi citado em quatro artigos, dos quais três foram publicados em revista e um em anais de evento.




E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


Bom final de semana!

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sexta-feira, 7 de maio de 2021

ARTIGO DESTAQUE!

 Olá, graduandíssimos(as)!


O artigo destaque desta semana é este: “Como e por que trabalhar com a poesia na sala de aula”, de autoria de Eliseu Ferreira da Silva e Wellington Gomes de Jesus, publicado na segunda edição da Graduando, em 2011.




De lá para cá, este artigo já foi citado em 7 dissertações de mestrado, em 8 artigos publicados em periódicos, em 2 produções didático-pedagógicas, em 2 trabalhos publicados em anais de evento, em 1 trabalho apresentado como parte das exigências da disciplina “Diversificadas 7” da Universidade Aberta do Brasil, em 1 atividade de produção de planos de aula e em 1 relatório de estágio.

Uau! 22 vezes este artigo já foi citado como fonte de referência em outros trabalhos! E quanto orgulho para os articulistas que o produziram e para a Graduando, não?

E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, comenta aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).

Bom final de semana!

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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Novo quadro no Instagram: ARTIGO DESTAQUE!



ARTIGO DESTAQUE!

O primeiro artigo destaque, que publicamos aqui é este: “Práticas de ensino na sala de aula e ensino de Língua Portuguesa”, de autoria de Mendes et al., publicado na terceira edição da Graduando, em 2011.

De lá para cá, este artigo já foi citado cinco vezes em outros trabalhos, a saber: em um capítulo de livro, em um Trabalho de Conclusão de Curso, em dois artigos publicados em outros periódicos e em um artigo de Conclusão de Curso.
Os cinco trabalhos que citaram este foram publicados em 2018, 2019 e 2020.
Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).
E aí, você conhece outros artigos publicados na Graduando que também já foram citados em outros trabalhos? Se sim, conte-nos aqui nos comentários.
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quarta-feira, 7 de junho de 2017

DISCURSO DE ORADORA

Por Cidalia Oliveira Barbosa Pinto*


Muito boa noite a todxs. Primeiramente, FORA TEMER! Dando prosseguimento, gostaria inicialmente de cumprimentar, com muita gratidão, cada familiar presente fisicamente e em espírito que está aqui esta noite, os quais estão sentindo nesse momento no coração o quanto foi preciso para formar seus filhos e estarem aqui todxs brilhando neste momento maravilhoso. Parabéns pra vocês! Cumprimento também o Magnífico senhor reitor desta casa, Evandro do Nascimento Silva, e a Magnífica – literalmente – vice-reitora, Norma Lucia Fernandes de Almeida, juntamente com essa mesa extraordinária que escolhemos com tanto amor. Agradeço também aos meus colegas pela missão de representar a turma com as palavras que proferirei, palavras estas que fui buscar dentro da alma.

Senti a necessidade de fazer uma homenagem ao nosso poeta recentemente falecido do corpo físico, Ferreira Gullar, com um poema chamado “Um instante”, que dialoga profundamente com o momento de hoje:

Aqui me tenho
Como não me conheço
           nem me quis

sem começo
nem fim
           aqui me tenho
           sem mim

nada lembro
nem sei

luz presente
sou apenas um bicho
           transparente

Que sejamos transparentes e inacabados no exercício do ensino por todo o tempo efetivo da nossa profissão! Pois então: compreendo o discurso de orador como um discurso essencialmente político. Confesso que não gostava de política, mas, pela educação, foi preciso gostar. Como falar em educação sem falar de política? O contexto político brasileiro atual abarca: a PEC do fim do mundo, da educação e da saúde, escola sem partido, reforma do ensino médio, um país golpeado, de feição conservadora, machista, patriarcal, homofóbica, doente. Uma junção de doenças que têm matado diversos brasileirxs diariamente. Fisicamente e interiormente. E hoje, o Brasil tem a nós. Oficialmente professorxs. E eu vos pergunto: e então? Nossa missão é uma missão de resistência. De trabalhar com o caos. De ter a consciência de que não somos máquinas conteudistas. Que acima de tudo, somos humanos tendo que ajudar outros humanos. Sim, ser professor é um trabalho de humanização, desconstrução, resgate de VIDAS da escuridão da ignorância. Ignorância esta que mata, oprime e exclui.

Percebam: as escolas estão parecidas com os presídios, e não é à toa que têm aprisionado mentes, seres capazes e pensantes, futuros críticos e colaboradores para o mundo. É preciso ter voz. Alta. Forte. Muito sangue foi derramado no decorrer da história para, sobretudo as mulheres, e especialmente mulheres negras serem professoras, bem como todos os grupos sociais que são marginalizados. Os cursos de licenciatura, em sua grande maioria, acolhem pessoas oriundas de classes sociais mais baixas, que são as primeiras de suas famílias a ter acesso ao ensino superior e à oportunidade de desenvolver um trabalho intelectual. Tal fato contrasta com a desvalorização da profissão e o sucateamento das escolas e a falta de investimento nos cursos de licenciatura, que os torna uma espécie de gueto, reduto dos pobres dentro da universidade, tão marcada por divisões de classe entre os cursos de rico e os cursos de pobre. As licenciaturas precisam parar de mascarar essa situação e, enquanto o ensino público não melhora, ajudar os alunxs e não empurrar para um novo semestre sem que esteja pronto para isso. Aguardemos ansiosamente a reforma do currículo e do ensino dos cursos de Letras, visto que é o curso que serve como base para todos os outros cursos e para a visão de mundo. As letras tecem o mundo, as letras são a política da vida, como diz Roland Barthes em seu livro Aula: “A linguagem é uma legislação”.

A sala de aula é um espaço democrático que tem sido sufocado porque eles reconhecem o poder de uma nação crítica. E eu vos pergunto novamente: e então? E nós? Profissionais essencialmente da leitura e da escrita, ferramentas de conhecimento do mundo, de reconhecimento da identidade. E como diz Rubem Alves: “Escrever e ler são formas de fazer amor”, e ainda complementa: “‎As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos.” Temos duas armas poderosas nas mãos: a Linguística, ciência da língua, e a nossa língua mostra quem somos, e a outra, a magnífica Literatura, operadora da alma, a arte que mostra o que somos.

Sigamos juntxs pela educação, por um mundo melhor, pelos seres humanos, pela vida. É necessário educar as pessoas, e escolhemos isso. Arquemos com este maravilhoso desafio. Trabalho de formiguinha, profundamente efetivo. E quando alguém nos questionar sobre sonhos, ilusões e dizer que é loucura querer mudar o mundo,  que sorríamos. Essas pessoas são as que mais precisam de ajuda, e o mundo – vasto mundo – é o nosso espaço, é onde estamos, e se cada umx de nós transformarmos o lugar em que atuamos, já é muito, já é tudo.

Sendo assim, peço a ajuda dxs formandxs para repetir comigo a frase de uma das músicas mais marcantes do mestre Criolo:

“AS PESSOAS NÃO SÃO MÁS, ELAS SÓ ESTÃO PERDIDAS, AINDA HÁ TEMPO”

Que sejamos amor, ensinemos antes de tudo amor, porque AMAMOS A EDUCAÇÃO!

AGRADEÇO!



* Cidalia Oliveira Barbosa Pinto é graduada em Letras Vernáculas (UEFS) e mestranda em Estudos Literários (UEFS).

quinta-feira, 2 de março de 2017

SENTIR E PENSAR EM FERNANDO PESSOA

Por Maria Rosane Vale Noronha Desidério*


Fernando Pessoa é um dos poetas mais extraordinários da literatura universal. Sua poesia se fragmenta em várias vozes distintas, vários “eus” e, por isso, torna-se múltiplo e singular ao mesmo tempo. A criação dos seus poetas heterônimos, expressa o desejo de Fernando Pessoa em trazer a lume essas múltiplas vozes que existem em sua alma de poeta.

No âmago da poética de Fernando Pessoa e nele mesmo há o encontro de um eu-lírico imerso entre o tudo e o nada. Este, que ao se descobrir no mundo sofre a dor de pensar, de se perceber com os olhos da razão. Por isso, deseja ser como os gatos que permanecem pela rua desprendidos dos conflitos da humanidade. Conflitos que só atingem o homem que pensa e reflete acerca das questões a sua volta. Pessoa assim revela um eu-lírico que não consegue se desprender desse universo das ideias, das reflexões tão danosas ao conforto da alma humana.

O desejo do poeta em viver sem essas amarras causadas pela racionalização e problematização dos conflitos humanos aparece em Ricardo Reis, que nos convida a viver sem nos prendermos as dores do mundo e em Caeiro, que nos exorta a não racionalizarmos o que contemplamos. Porém, Fernando Pessoa: ele mesmo não consegue fugir do mundo dos conflitos racionais, nem tão pouco da dor de pensar e refletir o mundo que o rodeia. Quem dera ser ele como a ceifeira que trabalha involuntariamente e feliz em seu oficio! Mas, o eu-lírico que pensa e reflete sobre tudo a sua volta jamais poderá viver alheio e em paz como a ceifeira e os gatos do mundo. Eis a dor de pensar. A dor de nunca estar em paz e pleno.

Alberto Caeiro, considerado por Pessoa como o mestre dos Heterônimos, tinha como defesa em sua poesia a ideia de que não se devia pensar sobre nada, olhar o objeto e apenas ver o objeto, sem a necessidade de explicá-lo pelos olhos da filosofia, sem nenhuma metafísica. O mundo é apenas o mundo, as flores, as árvores, o espelho são apenas o que são e nada mais. Perceba que o poeta Caeiro afasta de si a necessidade e, porque não dizer, a obrigação de refletir, de pensar sobre o mundo.

No poema “Há metafísica bastante em não pensar em nada”, o eu-lírico defende essa percepção do mundo de que as coisas são o que são e não há a necessidade de explicá-la.

Vejamos alguns versos que confirmam essas afirmações:

O que penso eu do mundo? 
Sei lá o que penso do mundo! 
Se eu adoecesse pensaria nisso. 

Essa é a primeira estrofe do poema em análise e neste primeiro encontro do leitor com o eu-lírico, este último já lhe deixa transparecer sua visão do mundo. Para que pensar? Do que me aproveitaria pensar? O eu-lírico não está interessado em refletir sobre o mundo, apenas vive nele e isso lhe basta.

Nos três versos da segunda estrofe afirma:

De todas as filosofias e de todos os poetas 
A luz do sol não sabe o que faz 
E por isso não erra e é comum e boa. 

Eis o que o eu-lírico afirma: que a luz do sol é boa justamente porque não pensa e não racionaliza nada. Em um verso acima do primeiro aqui transcrito, o eu-lírico afirma que a luz do sol é mais valiosa do que os pensamentos de filósofos e poetas, ou seja, atacando justamente onde mora o mais alto grau do pensamento e da reflexão – os filósofos e poetas.

O interessante é que habitualmente a luz do sol lembra a razão e a razão nos vem apenas através da reflexão do mundo. Mas, aqui o eu-lírico usa essa luz solar para afirmar que ela existe apenas e que não nos cabe racionalizá-la. Assim, quebra-lhe a metáfora do sol e da luz como símbolos da razão, porque afinal o sol é apenas o sol e não cabe a razão roubar a sua natureza de sol para metaforizá-lo.

Assim, o poema de Caeiro, aqui analisado, reflete a mais pulsante característica desse heterônimo – a defesa de que as coisas que estão no mundo são para ser contempladas em seu universo natural, real e não cabe ao observador preencher o objeto observado com a metafísica dos seus olhos. O mundo é simples e é assim que dever ser observado.


* Maria Rosane Vale Noronha Desidério é aluna do 8º semestre de letras vernáculas pela UEFS. Gostaria de partilhar com o Blog um texto escrito na disciplina de literatura portuguesa III.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

POEMAS

Por Rejane Aquino*


FESTEJO

Para: Marcelo Amaral


Querido, Natal!
Nele os presentes...
Presentes, presentes
e, também, ausentes.

Há risos e alegria nas caixas .

Em breve, o amigo secreto.
Quero o melhor!
Se eu não ganhar,
ainda resta a ceia.

Comida, comida, mais comida
e minha alma, continua vazia...

Há várias perdições na mesa,
quero todas!

Minha família festeja,
disfarçando dores.
Há maquiagem!
É tempo de natal.

Chove.
Há um mendigo faminto,
lá fora.
Mas o que importa?
Faltam treze minutos
para Papai Noel chegar,
mais presentes.

A noite segue...

Feliz aniversário, Jesus!


________________________________________________________________


Por Rejane Aquino* e Romildo Alves**




.










* Rejane Aquino é formada em Letras pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), professora e poeta.
** Romildo Alves é cordelista cursa Letras Vernáculas na UEFS.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

SOBRE UM CAPÍTULO DE “AULA DE PORTUGUÊS”*

Por Danilo Cerqueira  **

ANTUNES, Irandé. Refletindo sobre a prática da aula de português. In:______. Aula de português – encontro & interação. 4. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2003. p. 19-37.

Irandé Antunes traça um quadro da situação em que se encontra a educação brasileira em seu cotidiano pedagógico, estrutural e perspectivo. Ela procura enfatizar o atraso da classe docente quanto à realidade, a qual se insere na contemporaneidade, e a emergência de convívio com a atualização — não só dos conhecimentos técnicos, como também a atenção a aspectos sociais, sensíveis e reflexivos se tornam emergentes no perfil do professor da atualidade, ambientado com a linguagem e seus desdobramentos.  O descompasso entre teoria e prática é notório e paradoxal, quando se percebe que a ciência de que esses saberes são necessários estão presentes em documentos legais do sistema educacional brasileiro, como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e o Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB). Nessa orientação funcionalista, orientação cognitiva contemporânea, onde conhecimento e reflexão se mostram necessários pela via do contexto, Antunes ressalta o uso da língua oral e a reflexão acerca de seu uso, que, tomados metodológica e didaticamente, tornaram-se princípios basilares para o exercício da atividade docente na atualidade.

O quadro traçado por Antunes da educação brasileira, sob esse ponto de vista, permite — e isso é feito pela autora — inferir sugestões sobre a atividade pedagógica a respeito de quatro campos: oralidade, leitura, escrita e gramática se condensam para dar corpo à competência linguística, como também apresentam momentos que ainda chocam os educadores brasileiros. Ao discorrer sobre esses problemas do ensino brasileiro, Antunes diagnostica incoerências no sistema educacional do país, mas também aponta saídas metodológicas para trabalhar em sala de aula, fruto, segundo a autora, de muita reflexão sobre suas (e de outros) experiências vividas no espaço de ensino por excelência.


* Texto apresentado como avaliação parcial da disciplina Metodologia do Ensino da Língua Portuguesa, na UEFS, em 2009.
** Danilo Cerqueira é licenciado em Letras Vernáculas, além de especialista e mestre em Estudos Literários, todas graduações pela UEFS. Também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

segunda-feira, 2 de março de 2015

UMA QUESTÃO DE IDENTIDADE

Por Maria Rosane Vale Noronha Desidério *


Supõe-se que todas as nações do mundo estão deitadas sobre o berço esplendido de sua história. E, este berço é, sem dúvida, também o alicerce de sua identidade, de sua particularidade no meio universal. Mas quando os alicerces históricos de uma nação são apagados como definir seu conceito de identidade?

Esta foi, certamente, uma pergunta muito presente entre os intelectuais do Brasil. Como identificar a identidade de uma nação cujo passado foi apagado? Os Românticos, influenciados pelos ideais iluministas, buscavam as respostas entre os primeiros habitantes das terras brasileiras – os índios. No entanto, a cultura indígena há muito que havia sido suplantada pela europeia. Os Românticos, então, idealizaram o índio na tentativa de constitui-lo como herói nacional, como o representante genuíno da nova pátria.

Transformar o índio em herói da nova pátria seria uma saída extraordinária para uma nação sem história, sem passado, mas a solução se mostrou conflituosa. E, isto ocorreu porque primeiro, a figura indígena foi retratada sob aspectos que não lhe era próprio. O índio herói possuía um caráter europeizado, cristianizado, imbuído de uma profunda inocência, coragem e generosidade, incapaz de atitudes cruéis e profundamente fiel ao amor e ao cuidado com o branco. Lembremo-nos de Peri devotado ao amor por Ceci.

Em segundo lugar, buscava-se alicerçar o Brasil sobre uma cultura que fora esmagada pelo Outro europeu. Uma cultura que desde o princípio foi subjugada inferior pelo olhar europeu. Ao ler Iracema de José de Alencar, observamos o abafamento da cultura indígena para que florescesse a do Outro. A metáfora de Iracema que abandona suas raízes para devotar-se ao amor do europeu Martim e morre solitária para dá a vida ao filho – fruto da dominação do Outro, demonstra essa visão de que era necessário, para que a cultura europeia florescesse, a morte sacrificial da indígena.

Portanto, é profundamente complexo construir a ideia de identidade nacional, alicerçado ao índio. Porque este não era exposto, de fato, como ele era. Logo, a identidade brasileira não possuía raízes sólidas. O que havia era uma idealização conflituosa e pouco palpável. 

A busca pela temática indígena fora, certamente, motivada pela necessidade de se libertar das influencias portuguesas. Era preciso encontrar as raízes, mas estas já não existiam, de fato. Esta tentativa de livrar-se de Portugal aproximou os escritores brasileiros da França. Estes vislumbraram o Brasil e sua natureza exuberante e imensa, enquanto contemplavam o rio cena. A literatura brasileira ainda estava impregnada pelo olhar europeu. Não havia como não estar, tendo em vista, que os nossos escritores estavam tomados pelo Outro – ainda que a princípio não percebam a força umbilical de sua ligação com o outro estrangeiro. 

É interessante observarmos que todo o processo de construção do ideário de Pátria e da própria literatura no Romantismo não levou em conta a matriz africana. Isso ocorreu porque o negro também era visualizado como o Outro. É este outro estava agravado pela condição de escravo. Desta forma, os escritores Românticos rejeitaram os Portugueses e os africanos, mas agarraram-se a ideologia iluminista da França. E, assim, a França diferentemente de Portugal, conquistou o Brasil de forma diferente. Conquistou o Brasil de forma mais poderosa – pelo pensamento, pela palavra. 

A literatura nacional, portanto, não possuía um caráter efetivamente nacional. Estava caminhando a passos tímidos em busca de encontrar o seu caráter particular, universal. Mas esta tarefa seria e permanece bastante complexa.


Maria Rosane Vale Noronha Desidério é aluna do 6º semestre do curso Letras Vernáculas pela UEFS.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Avaliação


Por  Danilo Cerqueira Almeida*

      Avaliar é proporcionar que o outro esteja apto para exercer certa atividade ou juízo, em condições de autonomia em sua relação com o saber. A avaliação permite que seja possível melhorar o tratamento dado a determinado assunto, uma vez que aponta para os problemas no desempenho dos estudantes, gerados, não raro, por escolas despreparadas. A avaliação é vista no cotidiano escolar como um método unilateral que valora apenas pelo modo quantificado – muito aquém do sentido que representa avaliar. Ao se tornar objeto de estudo, a avaliação pode auxiliar professores a melhorar o tratamento a determinado conteúdo, e ao aluno a oportunidade de demonstrar que consegue relacionar os saberes estudados, identificáveis no mundo que o cerca.
      Avaliar é uma etapa do processo de conhecer o mundo e a avaliação um momento de verificar até onde estão os limites de certa atividade. É o momento de identificar estágios na relação com os conhecimentos para elaboração de medidas favoráveis à melhoria dos ensinamentos, tomada de novos rumos e detectar aspectos positivos e negativos na prática educativa. A avaliação inclui também a crítica à docência, práticas e posturas que podem acarretar sucesso ou fracasso das relações em sala de aula.
     A avaliação é, assim, fator essencial para a integridade da educação, não apenas enquanto momento de reflexão, mas pela oportunidade de melhorar a prática educativa.

(Texto apresentado como avaliação da disciplina Metodologia do ensino da Língua Portuguesa)


Danilo Cerqueira é Graduado em Letras Vernáculas pela UEFS, está fazendo especialização em estudos literários, também na UEFS, e integra a Comissão editorial da Revista Graduando. 

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Língua alforriada

A língua é uma das manifestações mais expressivas (senão a mais) de uma cultura, de uma identidade. Refiro-me não somente à forma presa, prescritiva da língua, mas sim à variedade linguística, isto é, língua como sinônimo de sociedade e, como tal, repleta de peculiaridades e distinções.
Não obstante a pluralidade do português brasileiro, advoga-se a necessidade do uso da língua padrão em detrimento da popular, por ser aquela a língua de prestígio, a qual norteia o cidadão à ascensão social. Argumenta-se, inclusive, que a chamada norma culta é a variedade linguística que melhor expressa a identidade da nação e que seu uso e preservação é uma autêntica forma de patriotismo. Então me pergunto: como num país tão miscigenado pode haver apenas uma variante linguística que caracteriza o seu povo?
A recente polêmica em torno do livro didático Por uma vida melhor, adotado pelo Ministério da Educação (MEC) e destinado a estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), demonstra a maneira inábil como muitos encaram a língua padrão, a exclusiva língua portuguesa que se deve abraçar e aprender nas escolas. A autora da obra defende o uso da norma popular, ilustrando que os alunos podem utilizar na fala construções linguísticas como “os livro” ou “nós pega o peixe”, com a ressalva de que o padrão também precisa ser aprendido e utilizado. Essa visão suscitou ferrenhas críticas por parte dos defensores da língua pura e imácula.
Como preconizam as leis que regem a educação brasileira, a exemplo da LDB e dos PCNs, a realidade e a diversidade social dos alunos também devem ser temas das aulas, portanto, a variedade linguística dos estudantes não pode ser ignorada. Cabe ao professor de português expor aos seus alunos as diversas formas de comunicação; a língua padrão, apesar de ser essencial em muitos contextos, precisa ser vista como uma dessas formas, a qual se adéqua a momentos específicos, e não como a língua privilegiada que deve substituir a variedade coloquial.
A língua, com toda a sua diversidade, reflete os valores de uma sociedade. Aspirar a que uma variante linguística se sobreponha às demais é promover a destruição de propriedades culturais.  Mas essa é tarefa difícil de ser realizada, pois, por mais que se busque o português ideal, a nossa língua – apesar de manter estruturas fixas, o que evita o caos - é dinâmica e alforriada, não se limita a prescrições. Contudo, compete aos seus usuários lidar com essa liberdade de maneira adequada.

Aline da Silva Santos

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