ENCONTRE NO BLOG...

Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de julho de 2021

POEMAR *

Por Naira Diniz **


O pensamento corre veloz, sem freio
Como a torrente galopante dos grãos de areia,
rolando ligeiramente, levados pelo vento
Cercados pelo grandioso oceano
Criado para a liberdade: o poema

Frases soltas, rimas, períodos surgem
Expressões e palavras que salpicam nos rostos
Tudo se configura em poema
Que se apressa em transmitir sua mensagem
Calmamente respeitando as marés e desafiando o tempo


Vai poeta, liberta a imensidão de teus pensamentos
Faz o poema- esse oceano de liberdade
Por onde tua alma desliza e navega
Deixa teus versos partirem e preencherem outras almas
Ao sabor das correntes marinhas e dos ventos,
Pois o poema é livre e prisioneiro para ser eterno



* O poema "Poemar" integra a antologia Sarau Brasil 2020, organizada pela Editora Vivara, como resultado do Concurso Novos Poetas 2020.
** Naira Diniz é natural de Irecê, cidade situada na região da Chapada Diamantina, mas morou dentre outras cidades, em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano e em Salvador, onde cursou Comunicação Social- Habilitação em Jornalismo. Atualmente, se dedica ao jornalismo e à poesia, seu projeto pessoal desde a adolescência.

Acesse nossas mídias!

    

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

EVERYBODY HAS THEIR TALE OF WOE

Por Rammon Freitas*


Everybody has their tale of woe
In mine, you played a huge part
You lied, you made a fool ass of me
You also tortured me
Looking back, I gather you took
Chunks of satisfaction in seeing your soi-disant friend hurt.
You were mean, I dare say you had evil in you
But don’t we all?
I was hurt, muddled by the way you lied
And you lied
Lied with the ease of someone who’s lazing around.
But never you mind nonetheless, your lies were fragile
There were lies in bulk, so you failed to keep track of them all.
I was hurt, especially when I found out
I was hurt when I revisited those memories
I was so hurt that I cried…
A skill I thought I had lost long ago.
It doesn’t do to reminisce about it anymore
Recollecting is fodder for more pain and negativity
Especially when you are the remembrance
Now I’m going to move on
What with one thing and another,
That is the only thing left for me to do
And by doing so, I deeply hope you fall into an oblivion pit
And that’s how I intend to obviate the need of you
And that’s how I mean to rise above.


* Rammon Freitas é graduando em Letras com Inglês pela UEFS.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

AO PROFESSOR

Por Danilo Cerqueira *


Uma vida, uma mente
Eternizada diante do momento
Em que oferece o mundo
A quem ouve seus pensamentos
Ciente da importância de sua imagem
Que traduz o saber de uma geração
Com intenções que tocam na alma
Indicando do futuro a direção
Sem pedir a seus responsáveis
Nós, agora dotados de liberdade
Que ofereçamos um cumprimento
Àquele imortal monumento
Que assume figuras inéditas
E que foi um dia criança sapeca
Para achar que a vida era uma festa
Mas que agora está a ensinar vidas
Extraindo de todo o seu interior
As virtudes que tornam brilhante
O papel de um professor

17/10/2001, Colégio Estadual Edith Mendes da Gama e Abreu.


* Danilo Cerqueira, que na época cursava o 2º ano do ensino médio, turma 3, hoje possui graduação e pós-graduação pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Atualmente, é professor da rede pública de educação do Estado da Bahia na cidade de Feira de Santana. Também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

MUSEU

Por Danilo Cerqueira Almeida*


Séria viveria Luzia
Constelada em Alexandria
Redarguindo argumentos de Minerva...
Tão ela nela...
O consumo, a involução das eras...

Que seja!
Que Dele o seja a esvoaçada poeira madre
Que no chocalho azul a água lave
A penha calcificada
Palavra!


* Danilo Cerqueira possui graduação e pós-graduação pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Atualmente, é professor da rede pública de educação do Estado da Bahia na cidade de Feira de Santana. Também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

VISADA

Por Danilo Cerqueira*


O homem fica ao pé do monturo
quando o tempo pesa tanto quanto só.
É formiga que não somente regurgita, e tão bem frutifica
o monte de bolas e cola ao olhar de nós.

Anda, e vive, e trilha de longe, de perto
o termo do que tem de ser.
Homem, bicho, objeto... nomes!
Se monta e remonta, antes ferve a vida.
Ideias mascadas e sons rasgados: horas...

Ponteiros ou esferas, úmidos, secos, à gravidade.
Construo e vejo, grão a grão
a letra feita, forjada no sabor
embotada de suor, interditos e anverso...
de olhares, regressos e protestos.


* Danilo Cerqueira possui graduação e pós-graduação pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Atualmente, é professor da rede pública de educação do Estado da Bahia na cidade de Feira de Santana. Também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

EU VI, EU LI, EU ESCREVI

Por Danilo Cerqueira*


Eu vi um colegial lendo um artigo de um graduando
Ele via e, meio que entendia, o que estava lendo
Ele não entendia tudo, mas lia, sempre aprendendo, imaginando
Ele, aos poucos, deixava de ser ele... Tornava-se nós

O colegial pensa enquanto lê, o graduando pensou quando escreveu
Os dois continuarão a pensar, em tempos e espaços diferentes
Seres de linguagens iguais
Um, para a pós-graduação, institucional ou não
Outro, pode ser, para uma outra certa graduação
Os dois, o mesmo caminho: um termo de paz
Com eles, sigo

Assim é: uma criança lendo um livro velho, mas novo
Ela ria, e rindo, o escritor do velho livro também ria
Ele não ria ali, ria lá, e lá ria mais do que a criança
Riso que atravessava gerações de risos...
e incentivava a criança a sorrir
Mesmo tempo

O que é a leitura, meu caro, minha cara?
O que tão bem nos encontra e coloca em raro existir!
O que tão bem nos aproxima do que jamais nos verá, e do que jamais veremos!
O que melhor te define sobre o que o futuro nos tornará!
O momento do conhecer sobre o pouco que nos torna humanos
O tratado escrito enquanto assinado
Em torno do que significa
No meu dia, que vivo
E nos unifica enquanto ficamos
Vivos!


* Danilo Cerqueira possui graduação e pós-graduação pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Atualmente, é professor da rede pública de educação do Estado da Bahia na cidade de Feira de Santana. Também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

terça-feira, 15 de maio de 2018

QUANDO OLHO A VIDA

Por Danilo Cerqueira*


Quando olho a vida
e o homem não diz nada
não sou eu quem fica calado
não são as cerdas e cordas que vibram
não sem motivo. O que se pensa
não vibra, mas cria, surge
do nada e para o nada se vai...

Se o homem que entreolho continua...
mudo, eu também continuo...

O mundo não se mostra, mas eu
mostro... que minha mente não está
ali, fica pouco mais à frente, pouco...

Pouco acima do que penso, pouco...

Pouco acima do que posso, pouco...


* Danilo Cerqueira possui graduação e pós-graduação pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Atualmente, é professor da rede pública de educação do Estado da Bahia na cidade de Feira de Santana.



segunda-feira, 26 de março de 2018

THE PROPOSAL

Por Rammon Freitas*


It was a Tuesday afternoon when Fernando arrived in his hometown from overseas. His new house was more like a mansion, near the Presidente Dutra Avenue, an upscale neighborhood in Feira de Santana. He had gone abroad for a while, got his doctorate degree there and had made tons of money as the result of a lot of hard work. Now he was back in town. At first, he bought everything he thought he should, the mansion, a farm, two cars and a summerhouse in Madre de Deus to enjoy balmy days by the beach, and escaping from everyone and everything whenever he felt like. Howsoever, all of those things did not make him wake up with a certain gaiety in the morning; that, by the way, was a habit he never changed; he had always woken up early in the morning. First week in Feira and he could acquaint himself with the cool slang terms of the moment, he could catch up with his old friends and could have a nice time with his family that would treat him as a kingat that moment, but never was able to overcome his sexuality. At present, their speech was different, his cousins, aunts, uncles, sisters, brother would come up to him and say, “Youwon’t marry, right? Marriage brings lots of problems.”

His mother once had the audacity to say, “You don’t need a woman, my son, you already have everything you’ve ever wanted. You just need to donate a certain amount to church every month, and show up there whenever you feel like; you know that everybody there loves and looks up to you, eh?” Fernando knew very well what they used to love: money. So now, they would love him, because he possessed plenty of it. He started to think that money couldn’t buy everything, indeed. None of the stuff he had gotten was able to fill the void inside of him. After a while, he perceived the paradox: he was more alone than never, except for Sarah, his old friend that would check in with him every day. Deep down he knew what he was missing, and that was Diego. Fernando had heard that he was a Literature teacher in town, a good one, and was currently single. Fernando remembered when they split up for the last time before he left Brazil, Diego had said he wasn’t one for relationships, though casual or random relationships (whatever that might be) was more like his kind of thing.

The new life and routine was not hard to get used to. He just minded the weather, it was uncommonly hot in Feira de Santana and he just wished he could understand why. Some time went by in this new phase of his life and he continued to wake up chagrined early in the morning, there were days he wished he hadn’t woken up at all. So one of those days, when he woke up vexed, feeling an emotional mess inside, he decided to get ahold of Diego, he got his e-mail address from Sarah, since Diego had changed his phone number and e-mail address and he did not have any kind of social media anymore (he had become someone anti-social, come to that), it was hard to be in touch with him. Fernando then wrote a very explanatory e-mail, putting his heart out, telling him, amongst other things, that he was back in Feira and wished to see him immensely, he indeed had written the word immensely, and after sending the e-mail, he thought that that was a really bad word choice. The reply came within a few minutes; Fernando knew that Diego was still an e-mail person; he was the one who would know Diego better than anyone else would.

---------- 

They finally got the chance to meet up, it took place at Diego’s favorite restaurant, Los Pampas, and they conversed about life and the relationships they had during the last few years they were apart. Diego really seemed eager in seeing him, and it was mutual, because Fernando could not stop staring at him. After dinner, Fernando invited Diego to visit his place; it was near the restaurant anyway, it wouldn’t take too long. Diego said he had to work early next morning and that reminded Fernando of the proposal he wanted to make. Then, he let him know that there was a proposal coming up; however, he would tell him on one condition, provided he went to visit his place. Diego was curious and agreed, so they left the restaurant after splitting up the bill.

Once there, Fernando showed him all around, including his bedroom, which was aspecial place, and demanded a special occasion. Whilst showing Diego his bedroom, Fernando brought up the proposal again. Diego was all ears eyeing him warily; he went there on that account after all. Fernando told him that he wanted to buy him. “You’re gonna sell me your diploma, your job, your body, your soul, your mind, and your life. Putting it differently, you’re gonna be mine.” It seemed to have astounded Diego, and deep within he knew that what Fernando had said was true, he did not know why, but he knew it was true. Fernando was trembling, and could not disguise it, he’d realized that Diego was analyzing him, and inly he wished he could read his mind. Fernando thought that Diego might have found the whole thing a colossal craziness, completely mental.“I know that you’re not playing around with me, but honestly, I need some time to think about it, even though it sounds utterly mental to me.” After saying that, Diego left Fernando’s house and the latter felt as though a gargantuan wave had hit him, and now he was trying to get oriented again.

A week went by, no e-mail, no phone call, Fernando was waiting anxiously. After the second week he could not control his urges well respecting the response. He knew since the beginning, when the idea popped up in his mind, that it would be a tough call for Diego. Fernando would also think that that was the worst proposal he could ever come up with, it was indeed mental he would concord. The intention of the proposal was to possess Diego, as one of the other things he bought when he came back to Feira. Diego would not work anymore, would not visit his family, unless Fernando allowed him to do so, he would, in other words, belong to Fernando and live off his expanses. The time Fernando lived overseas brought him someone to love, a relationship that would have an expiry date he used to believe. Howbeit, he never truly loved this one man, it was positive and intense while it was transpiring, and Fernando believed that Diego was the one to whom his heart belonged. Fernando would also spend a long time awake during the night (when he wouldn’t sleep fitfully) thinking about how Diego was used to seeing the world. Fernando thought of how ephemeral things were; relationships in which people hook up with everybody and don’t get to know anyone for real. It was all about carnality, and that was the problem with the gay community Fernando would think: people treat each other like a piece of meat, it doesn’t apply to every situation, he’d admit, but still.Furthermore, Fernando was conscious that Diego was the one on that side of the game. Thusly, lost in his night’s musings, Fernando was aware that sex for sex was what Diego believed he was linked to. Having a nonstop sexual life with a bunch of different partners was what Diego used to do in the past after breaking up with Fernando.As to the dumpee, Fernando, he was determined and he would not give up on the Literature teacher.

A month and a half later Diego’s e-mail finally hit Fernando’s inbox. It read:


Dear Fernando, 

I hope this e-mail finds you well. I’m emailing you concerning your proposal. I’ll be blunt: I cannot be in this kind of relationship, because my love is not up for negotiation. What we lived was beautiful, it resulted in a great set of fond memories that I every so often go back to. I deeply wanted and tried to change myself, to be a monogamist, I wish I could change, although it is infeasible. I hope that that proposal of yours was your last attempt to have me.

Adieu, 

Diego.



Inwardly, Fernando thought that some things were not meant to be, and off he went.

Finis


* Rammon Freitas é graduando em Letras com Inglês pela UEFS.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

DISCURSO DE ORADORA

Por Regiane Costa (Texto) e Romildo Alves (Adaptação)*

CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS VERNÁCULAS E ESTRANGEIRAS
FORMATURA 2017.1
DATA: 07 DE OUTUBRO DE 2017

Boa noite a todas as pessoas!

Na primavera do sonho
Eu começo agradecendo
Aos colegas que me deram
Confiança e vou tecendo
Nesta representação
Uma célebre saudação
E ames ma vou estendendo.

À mesa, aqui na pessoa
Do Magnífico Reitor
Evandro do Nascimento
E as pessoas de valor:
Nossos homenageados
Família, mais achegados,
E ao todo apreciador.

Falando em nome da turma
Eu agradeço aos presentes
Nesta data especial
Para os mais novos docentes
A UEFS comemora
Pois está brotando agora
Um punhado de sementes.

Quero parabenizar
A todos nós professores
De Português, Espanhol,
Inglês, Francês, sonhadores
Que em tempos de incertezas
Enfrentamos correntezas
Contrárias aos formadores.

A Universidade Pública
Tem direitos retirados
Os desafios diários
Precisam ser superados
Quem chega onde chegamos
Sabe o que nós enfrentamos
Para sermos graduados.

Foram anos de insônias
Por um sonho que somente
Era ocupar um espaço
Negado historicamente
Mas depois se transformou
E muito mais se ampliou
Para ficar permanente.

São conquistas grandiosas
Primeiro a aprovação
Numa corrida acirrada
Pela melhor posição
Ainda muito inocentes
Das lutas subsequentes
Pra sua manutenção.

Ocupar e permanecer
Requer muita resistência
Às cotas de um restaurante
Em sua insuficiência
Gerando filas gigantes
Que parecem aos estudantes
Um teste de paciência.

Resistimos e amargamos
Faltas de materiais
E em nossa biblioteca
Poucos livros atuais
Acervo escasso, uma “jaula”
Faltas de sala de aula
Infelizmente normais.

A cada novo semestre
Um velho dilema assusta
A demanda estudantil
Com as bolsas não se ajusta
Em valor e em quantidade
Podando a oportunidade
Que se apresenta robusta.

A residência também
Além de sucateada
Passa por seus maus bocados
Frequentemente atacada
Na administração
Centralizada a questão
Ainda é muito ignorada.

Familiares e amigos,
Aqui não é mar de rosas
Há racismo e há machismo
Condutas escandalosas.
Há xeno e homofobia
Mas lutamos dia a dia
Contra as práticas danosas.

Trabalhar ou estudar
Tivemos que escolher
Nas imposições que a vida
Coloca-nos pra viver
Perdas e dificuldades
São as singularidades
Pra essa noite acontecer.

Apesar de aqui felizes
Podermos compartilhar
Com vocês essa alegria
Nós queremos registrar
Que teremos pela frente
Um dever árduo e frequente
Que não dá para adiar.

Trata-se desse momento
De socialização
Daquilo que a academia
Legou-nos por formação
Os nossos conhecimentos
Precisam ser elementos
Que portam a transformação.

Nossa universidade
Hoje vive enfrentando
Problemas para manter-se
E continuar formando
São sérias dificuldades
E suas atividades
Já estão se limitando.

É falta de professores
Redução de orçamentos
Nesse cenário caótico
Há riscos de fechamentos
2015 somente
Ano de greve docente
Vejam os encolhimentos.

Cerca de 7 milhões
Das Ueba’s retirados
Mais que 5,8
Da nossa UEFS cortados
Temos como consequência
A grande deficiência
Dos serviços ofertados.

Como as viagens de campo
Que pouco têm ocorrido
E não é somente a UEFS
Que tem com isso sofrido.
As outras estaduais
Sofrem ataques iguais
E o Estado tem se omitido.

Vera educação pública
Atacada intensamente
Enquanto o setor privado
Com investimento crescente
Nos leva a repudiar
Toda forma de mercar
Um direito que é da gente.

Devemos socializar
Esse direito que temos
A educação gratuita
É o que nós defendemos
Seja no nível que for
E o respeito ao professor
Nós também muito queremos.

Saímos com essa vitória
Mas vamos continuar
Defendendo a qualidade
No direito de sonhar
A dupla licenciatura
Pra quem nas letras apura
Além do vernacular.

Não foi fácil aqui chegar
Com os fatos relatados
E no palco da UEFS
Tantos mais foram passados
Nos espetáculos diários
De atores secundários
Buscamos ser consagrados.

Protagonistas da história
Findamos uma etapa
Para iniciarmos outra
Por outro difícil mapa
O do mundo do trabalho
Onde o valor ainda é falho
E também é quente a chapa.

abemos que o cenário
Não é lá dos otimistas
As políticas contradizem
Os direitos trabalhistas
O que não nos é pacífico
Pode ser o específico
Para as futuras conquistas.

A palavra desse dia
Não é outra, é gratidão!
Nela escrevemos tudo
Que nos dita a emoção
Salve Deus! Salve Oxalá!
Salve tudo o que está
Nos dando essa permissão!

Salve a arte e a beleza!
Salve as letras que unidas
Formam palavras que ganham
Sentidos nas nossas vidas!
A primavera chegou
E o seu conjunto deixou
As nossas almas floridas.

E eu termino dizendo
Que apesar dos pesares
UEFS, foi muito bom
Respirarmos dos teus ares
Vamos, mas te levaremos
E quem sabe voltaremos
Quando menos tu pensares.

Muito obrigada!


* Regiane Costa (texto) e Romildo Alves (adaptação) são licenciados em Letras pela Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

E AO EU IA O AR

Por Danilo Cerqueira*


Aula
Alta, auricular
... Auscultar ...
A um, ali, mental, içar!
Auspiciar!

Autenticar: se ausentar:
- Eula.
"Eu" lá ... !
Eu, lá, lia.
Lendo-me e, in true, ia.

Ah! Ula lá!:
Eu lá e cá.
Ao teu ateu ...
... até eu!

Sal, meu
Mal, seu
E ao eu ia o ar.

Oi! Eu lá.
Ei-la!:
Eu? Tá na azia do ser.


* Danilo Cerqueira é licenciado em Letras, além de especialista e mestre em Estudos Literários, todas as graduações pela UEFS; é professor da rede estadual de educação da Bahia; também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

"A MULHER"

Por Amanda de Almeida Santana*


Rosa linda e delicada
Tem a beleza de uma flor
Tracejada até nos mínimos detalhes
Detalhes feitos com amor.

Sorriso que ilumina o dia
Olhos que brilham como o sol
Mulher linda que ri e dança
Com jeito simples e sincero de criança.

Voz serena como a brisa
E linda como o luar
Junto com a doçura do mel
Espalha amor ao cantar.

Decidida, sabe onde quer chegar
Com jeito simples de menina
Fascina com um simples olhar
Lindo como as estrelas refletidas no mar.


* Amanda de Almeida Santana é estudante de Letras Vernáculas do 4º semestre, UEFS.

O SONHO

Por Amanda de Almeida Santana*


Na cidade do Rio de Janeiro, habitava uma moça muito linda que chamava a atenção de todos por onde passava, seu nome era Larissa.

Larissa sempre andava só, pois era uma moça independente. Um dia o seu jeito de viver encantou a um rapaz que se chamava Caio.

A moça não sabia, mas ela sempre habitava os sonhos de Caio, sonhos que eram de tê-la ao seu lado para sempre, mas o rapaz tinha medo de falar para ela que estava apaixonado.

O rapaz levava uma vida humilde, mas era muito sonhador. Sonhava em ter um bom emprego, uma boa casa e viver ao lado de sua amada.

Um dia quando Larissa voltava de uma festa, Caio a abordou e pediu para acompanhá-la até sua casa. Durante o caminho, numa conversa envolvente, o rapaz declarou-se para ela com um belo poema, mas ela não disse nada. Enfim, ele foi beijá-la. Quando ele se aproximou, de repente, num sobressalto, ele despertou de mais um belo sonho de amor.


* Amanda de Almeida Santana é estudante de Letras Vernáculas do 4º semestre, UEFS.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

6 DE OUTUBRO

Por Danilo Cerqueira*


Hoje será ontem amanhã, óbvio...
Não será antes, nem depois, de nossos tempos...
Terá mais ou menos pensamentos de valor?
Não será mais um momento, mais um ponto, e ação, de calor?

Se fazer na hora te faz um herói
Não tentar agora não te trará coragem?
Se há certo, se há errado, deixe...
deixe a cargo do animal que se debate
no mar, no rio, no aquário.
Ele sabe, você também:
Falar já é um fato
e nadar pode ser mais do que jamais se ousou pensar.


Danilo Cerqueira é licenciado em Letras, além de especialista e mestre em Estudos Literários, todas as graduações pela UEFS; é professor da rede estadual de educação da Bahia; também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Poemas

Por Alice Margaso*


Nossa delicadeza

Serei como as flores,
que abandonam as lembranças
Lançando-se sobre o solo,
a última beleza
Serei como um corpo pós-revolução,
com os restos e pedaços,
de uma vida deixada sem glória
Talvez, eu tentasse mais a esperança que a alegria
E mesmo assim, pequeno e duro
Guardarei a paixão
Como quem fala de magia e
coisas para o coração
Esperarei, também, por
7 dias para desabrochar...e
se caso o beijo não for devagar
Tentarei não lembrar,
da rosa que te entreguei
Pois...
Tu seguraste e sufocaste
Como se amassasse
O meu coração
Na delicadeza do vosso amor.



O ar das flores

Como o céu expulsa o azul
Expulsarei do meu corpo
Toda essa dor
Como um poeta expulsa
Do coração uma paixão
Direi coisas que as palavras
não suportarão
O peso da frustração
E tudo agora,
é apenas desespero
Mas, sinto que na alma,
Ainda existe uma canção
Como se fosse o último sonho,
de um louco à beira da lucidez do amor
Expulsarei de mim a voz
Para alcançar os teus sentidos
Deixar-me-ei em perigo,
nessas madrugadas urbanas
Livrarei da minha própria sombra
Procurarei teus olhos
Como uma borboleta
Dentro do casulo
Deseja voar
Sair e expulsar toda essa paixão
Levantar asas até se afastar
Esquecer o chão
E tornar-me o ar.


* Alice Margaso é graduada em história da arte, poetisa e crítica de arte.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

PERCEPÇÕES (TEXTO-POEMA)

Por Mariana Barbosa*


São admiráveis àqueles que vibram, sorriem ou apenas vivem!
Em contrapartida, há aqueles, que ao longo da caminhada,
esquecem das alegrias com os seus;
não percebem o olhar fraterno;
quiçá sabem recordar ou sequer viver.

E talvez jamais descubram o sentido da palavra saudade;
Do encantamento de um toque, do cuidado,
da presteza, dos sarcasmos, das bobagens...
Das buscas...
Das tentativas, certas vezes, frustradas.
Do desejo, ou até da falta dele.

Da angústia, do amar por amar...
Do querer apenas por saber-se desejado.
Dos momentos...
Eles que parecem existir apenas para aquele instante.
Das palavras não ditas...
E do silêncio capaz de tudo nos revelar.

Uns pobres diabos!
Usam o tempo ou a tecnologia como desculpa.
Seria fuga?!
Preferem fixar o olhar na TV e sorrir.
Disse sorrir?!
Isto, apenas.
Ironicamente gargalhar com a vida alheia.

E nessa ausência de reflexão...
Não percebem aquela biblioteca:
repleta de histórias e possibilidades.
Pobres!
Não sabem eles quanto poderiam ter vivido!

Falei de saudade, lembra?!
Quando esta vier...
Serão arrebatadores: a solidão, a angústia e o arrependimento.
Tudo isto dito, ainda assim, alguns teimarão em enxergar apenas o jardim ao lado.
Sem valorizar o simplório
mas, encantador pé de Esperança que há dentro da sua própria casa.


* Mariana Barbosa é graduada, especialista e mestre em Letras pela UEFS, Universidade Estadual de Feira de Santana. É professora e integra a equipe da revista Graduando: entre o ser e o saber.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

PRAÇA REVISITADA

Por Rammon Freitas*


9h10min marcava o relógio do celular, fizera dez minutos que Diego esperava por Fernando. Ele supostamente estava a caminho, ele não costumava se atrasar. Diego estava perdido em seus pensamentos e em suas recém-nascidas certezas, havia algum tempo que os dois se conheciam e ali na Praça do Lambe-lambe, também conhecida como a Praça Bernardino Bahia, ele se perdia nas suas observações de quem passava. Diego adorava praças por causa da diversidade, da liberdade e do aconchego que em muitas delas residiam. Ele já havia esperado outras pessoas ali, marcado outros encontros ali e também assistido às pessoas que passavam por ali. Essas ações se repetiram diversas vezes. Aquele era o ambiente de trabalho de várias pessoas, cabines de fotos 3x4 rodeavam as bordas da praça, mulheres, crianças, senhoras e senhores, todos pareciam estar apenas de passagem, uns aparentavam ter objetivos, horários a cumprir, outros pareciam estar apenas passeando. Um rapaz abraçava o outro em direção oposta à que Diego se localizava, ele notou como os seus corpos conversavam nesse curto espaço de tempo em que os dois se cumprimentavam, pareciam ser amigos, até o microssegundo que suas mãos se encontravam e se apertavam de leve no instante em que seus corpos se separavam.

Esses amigos seguiram adiante como todas as pessoas que vêm e vão à praça. Diego esperava e pensava que Fernando poderia ter dormido demais, talvez estivesse preso no trânsito, talvez tivesse esquecido o compromisso, mas algo o confortou ao mesmo tempo em que conjecturava sobre onde estaria Fernando, e isso era a certeza de que ele estava em um lugar muito melhor agora, psicologicamente falando. Seus sentimentos estavam claros, suas crenças estavam renovadas, e uma esperança tão grande como a imensidão da aurora o preenchia. Agora Diego viajava em pensamentos que se iniciaram a partir da observação de uma criança brincando com outra, ele nunca entendera o porquê as crianças maiores mudam a voz quando falam com crianças menores que elas, às vezes da mesma forma que os adultos falam com elas, infantilizando a voz, balbuciando coisas sem sentindo. E cada vez mais claro ficava o fato de que ele cria que não nos comunicamos apenas através de uma língua.

No fundo da praça uma voz bradava, era um pastor que começava a pregação em plena praça às 9h20min agora. Diego se lembrara de sua relação com uma colega de trabalho que era evangélica e afirmava que ele tinha a pomba-gira no corpo. “Qual o malefício de ter a pomba-gira no corpo?”, ele a perguntou um dia. “O malefício é que ela te controla e faz coisas que não é de sua natureza como homem fazer,” ela respondera determinadamente. Diego sempre achou toda essa “maluquice,” como ele costumeiramente denominava esses comportamentos, uma completa perda de tempo. “Deixe-me ser quem eu sou!”, ele exclamara certa vez. Essa colega de trabalho conseguiu tirá-lo do sério quando ela o convidou para ir à igreja e se livrar do demônio que nele habitava, Diego apenas não suportava mais e exigiu que ela não o dirigisse mais a palavra, a não ser que fosse algo restritamente profissional.

9h25min marcava o celular e Fernando nem sinal de vida. Diego começou a acreditar que Fernando se esquecera, mas o que ele podia fazer? Diego automaticamente sabia que teria que comprar fones de ouvido novos, depois ele iria à livraria e por fim ele iria voltar para casa. Nesse exato momento passava um casal heterossexual na praça, o rapaz era negro, forte, musculoso, com um caminhado solto. A moça era negra, usava longas tranças no cabelo e um minishort que valorizava seu corpo, se pendia sobre ele segurando sua mão. Eles andavam destemidos, como o casal mais feliz do planeta. Isso fez Diego pensar em como sua realidade não era a mesma, andar segurando na mão de quem ele queria segurar não era até então uma coisa vista como normal ou ética e descente por algumas pessoas. Ele apenas desejava muitíssimo que os mesmos afetos testemunhados todos os dias por casais heterossexuais também fossem disponíveis para ele, sem implicar em receber um olhar de reprovação por um estranho na rua. Ele pensava em como isso tudo era injusto, em como a tradicional família brasileira o deixava frustrado às vezes.

Dez minutos se passaram em meio a esses pensamentos e Diego se perdera em vários devaneios, o dia começava a esquentar no sol de fevereiro, Feira de Santana estava incomumente quente, mas uma brisa pairava no ar por causa das gigantescas árvores que por ali sombreavam partes da praça, o fluxo de pessoas ficava mais intenso, a feirinha que funcionava ao lado da praça começava a ficar mais barulhenta, e os pombos que por ali catavam migalhas faziam grande estardalhaço quando voavam em grupo. Diego começou a se agoniar, ele decidira esperar até as dez em ponto. Com toda a sua falta de paciência em esperar ele se deu conta que Fernando era a única pessoa que ele esperava sem reclamar, e perdoava o atraso instantaneamente, assim que os seus olhos encontrassem os olhos dele. Ele resolveu que teria tempo hábil para ir às barracas do camelô comprar os fones de ouvido, afinal ele não achara os fones originais na internet, tampouco nas lojas especializadas da cidade. Assim ele o fez, comprou os fones na barraca mais próxima dali, mantendo sempre os olhos na praça caso Fernando aparecesse. Ele voltou para o mesmo lugar onde estava sentando, de repente ele avistara um rapaz que parecia familiar, era um estudante da Universidade Estadual de Feira de Santana, onde Diego também estudava. Era estranho ver rostos familiares em ambientes diferentes, esse rapaz era só um conhecido, desses que vemos quase todos os dias, pois frequentamos o mesmo espaço, porém eles não eram amigos, Diego nem sabia o seu nome.

Faltavam cinco minutos para as dez, Diego estava se preparando para deixar uma de suas praças favoritas de Feira de Santana, a livraria o custaria uma boa caminhada, o calor também já o incomodava muito, estava fatigado por estar ali. Depois de traçar o roteiro mentalmente do caminho mais curto para a livraria ele se levantou, olhou mais uma vez para toda a praça, pelo menos para os lugares da praça que sua vista alcançava, quando de repente pensava que fazia um tempo que ele havia visitado a praça pela última vez. Observar pessoas era um de seus passatempos favoritos, rodoviárias e praças eram seus lugares de maior preferência para tal ação, ele adorava olhar para as pessoas e tentar imaginar a história de vida e a personalidade daquela ou daquele ser. Ele olhara pela última vez para a feirinha que fazia companhia à praça, para a avenida logo à frente que nesse horário da manhã já estava bastante agitada, e fez movimento para sair dali decidido em seguir em frente com o que havia planejado para o seu dia, quando uma voz exclamou, “Diego!”


* Rammon Freitas é Graduando em Letras com Inglês pela UEFS, atualmente sexto semestre.

sexta-feira, 17 de março de 2017

CATARSE

Por Rejane Aquino*


No olhar, o medo
Na pele, os guetos
Na postura, as indagações
Acaso ser mulher é tão simples?
um verso desconexo?

Complexo, intangível,
incalculável medo.
Medo do tudo, medo do nada,
medo, apenas porque somos:
definições através de curvas,
bocas que todos pedem silêncio,
corpo alimento,
fetiche escroto
de machos desvairados.
Não seria em vão tamanho tormento.
Seria?

Há maremotos nas emoções, intensidades imperfeitas
e eu sigo
cantando meus medos
de ser aquilo
que já sou,
apenas por ser
       [mulher].


* Rejane Aquino é formada em Letras, professora e poeta.

sábado, 11 de março de 2017

COISAS DE MIM...

Por Edilene Barboza*


Sabe... Acabei de descobrir que... Faz dez anos que eu moro em um bairro onde vivi uma história de amor deslumbrante com o meu marido!... Sair! Voltei! Sair! Voltei! Sair! Voltei! Foram muitas vezes que tentei ir embora deste lugar... Mas ainda não era a hora exata!... Então resolvi ficar. Mesmo o amaldiçoando, ele me aceitava de volta!... Alguma coisa ele queria de mim... Ou me mostrar... Me revelar... Sei lá!... Então resolvi ficar... Dar mais um tempinho por aqui... E fiquei... Voltei... Me separei!... Me divorciei!... E fiquei! Logo reencontrei um amigo... E fizemos uma louca viagem juntos... Aqui mesmo! Meu Deus! Que viagem!... Porém, sentia que ainda havia algo para acontecer, pois desde criança, tive a intuição de que moraria neste bairro... Foi aí que algo muito intenso aconteceu! Era isso! Será? Meu Pai! Não! De novo não!... Deve ter sido para isso que, depois de ter passado por experiências um tanto fantásticas, sofrido um bocado, aprendido a ser forte, envelhecido, finalmente ele resolveu aparecer... E, em uma bela tarde, morando sozinha, voltando para casa e bastante cansada... Na esquina da rua, Ele! Ele resolve aparecer! E me revelar o que esse lugar tinha guardado de melhor para mim!... O Meu Amor Maior! Agora sim! Posso ir embora daqui...


*Edilene Barboza é graduanda em Letras com Francês da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

quinta-feira, 2 de março de 2017

SENTIR E PENSAR EM FERNANDO PESSOA

Por Maria Rosane Vale Noronha Desidério*


Fernando Pessoa é um dos poetas mais extraordinários da literatura universal. Sua poesia se fragmenta em várias vozes distintas, vários “eus” e, por isso, torna-se múltiplo e singular ao mesmo tempo. A criação dos seus poetas heterônimos, expressa o desejo de Fernando Pessoa em trazer a lume essas múltiplas vozes que existem em sua alma de poeta.

No âmago da poética de Fernando Pessoa e nele mesmo há o encontro de um eu-lírico imerso entre o tudo e o nada. Este, que ao se descobrir no mundo sofre a dor de pensar, de se perceber com os olhos da razão. Por isso, deseja ser como os gatos que permanecem pela rua desprendidos dos conflitos da humanidade. Conflitos que só atingem o homem que pensa e reflete acerca das questões a sua volta. Pessoa assim revela um eu-lírico que não consegue se desprender desse universo das ideias, das reflexões tão danosas ao conforto da alma humana.

O desejo do poeta em viver sem essas amarras causadas pela racionalização e problematização dos conflitos humanos aparece em Ricardo Reis, que nos convida a viver sem nos prendermos as dores do mundo e em Caeiro, que nos exorta a não racionalizarmos o que contemplamos. Porém, Fernando Pessoa: ele mesmo não consegue fugir do mundo dos conflitos racionais, nem tão pouco da dor de pensar e refletir o mundo que o rodeia. Quem dera ser ele como a ceifeira que trabalha involuntariamente e feliz em seu oficio! Mas, o eu-lírico que pensa e reflete sobre tudo a sua volta jamais poderá viver alheio e em paz como a ceifeira e os gatos do mundo. Eis a dor de pensar. A dor de nunca estar em paz e pleno.

Alberto Caeiro, considerado por Pessoa como o mestre dos Heterônimos, tinha como defesa em sua poesia a ideia de que não se devia pensar sobre nada, olhar o objeto e apenas ver o objeto, sem a necessidade de explicá-lo pelos olhos da filosofia, sem nenhuma metafísica. O mundo é apenas o mundo, as flores, as árvores, o espelho são apenas o que são e nada mais. Perceba que o poeta Caeiro afasta de si a necessidade e, porque não dizer, a obrigação de refletir, de pensar sobre o mundo.

No poema “Há metafísica bastante em não pensar em nada”, o eu-lírico defende essa percepção do mundo de que as coisas são o que são e não há a necessidade de explicá-la.

Vejamos alguns versos que confirmam essas afirmações:

O que penso eu do mundo? 
Sei lá o que penso do mundo! 
Se eu adoecesse pensaria nisso. 

Essa é a primeira estrofe do poema em análise e neste primeiro encontro do leitor com o eu-lírico, este último já lhe deixa transparecer sua visão do mundo. Para que pensar? Do que me aproveitaria pensar? O eu-lírico não está interessado em refletir sobre o mundo, apenas vive nele e isso lhe basta.

Nos três versos da segunda estrofe afirma:

De todas as filosofias e de todos os poetas 
A luz do sol não sabe o que faz 
E por isso não erra e é comum e boa. 

Eis o que o eu-lírico afirma: que a luz do sol é boa justamente porque não pensa e não racionaliza nada. Em um verso acima do primeiro aqui transcrito, o eu-lírico afirma que a luz do sol é mais valiosa do que os pensamentos de filósofos e poetas, ou seja, atacando justamente onde mora o mais alto grau do pensamento e da reflexão – os filósofos e poetas.

O interessante é que habitualmente a luz do sol lembra a razão e a razão nos vem apenas através da reflexão do mundo. Mas, aqui o eu-lírico usa essa luz solar para afirmar que ela existe apenas e que não nos cabe racionalizá-la. Assim, quebra-lhe a metáfora do sol e da luz como símbolos da razão, porque afinal o sol é apenas o sol e não cabe a razão roubar a sua natureza de sol para metaforizá-lo.

Assim, o poema de Caeiro, aqui analisado, reflete a mais pulsante característica desse heterônimo – a defesa de que as coisas que estão no mundo são para ser contempladas em seu universo natural, real e não cabe ao observador preencher o objeto observado com a metafísica dos seus olhos. O mundo é simples e é assim que dever ser observado.


* Maria Rosane Vale Noronha Desidério é aluna do 8º semestre de letras vernáculas pela UEFS. Gostaria de partilhar com o Blog um texto escrito na disciplina de literatura portuguesa III.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

MEU EU A VOCÊ

Por Edilene Barboza*


Fiz uma promessa a mim mesma...
Esquecer-te por toda a eternidade...
Mas como pude fazer isso comigo?
Se é de você que vivo...
Então comecei a colecionar memórias...
Lembranças boas e ruins,
De mim e ti...
Mudei o foco!
Coisas ruins vão embora para que as boas cheguem.
Refiz meus pensamentos,
Agora você não é mais para mim como no passado,
Você é ainda melhor...


* Edilene Barboza é graduanda em Letras com Francês na Universidade Estadual de Feira de Santana


As mais visitadas postagens da Graduando

Graduandantes