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terça-feira, 22 de junho de 2021

ARTIGO DESTAQUE !

Olá, graduandíssimos,

O artigo destaque desta semana é este: “Representações discursivas do professor em charges”, de autoria de Dirlane Bispo de Cerqueira, publicado na sexta/sétima edição da Graduando, em 2013.





Desde que foi publicado, este artigo foi citado em uma dissertação de mestrado, defendida em 2015 no Programa de Mestrado em Ciências da Linguagem da Universidade Católica de Pernambuco.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários!


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sexta-feira, 14 de maio de 2021

ARTIGO DESTAQUE ! ! !

 Olá, graduandíssimos,


O artigo destaque desta semana é este: “O hipopótamo que me arrebatou: uma análise sobre ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’”, de autoria de Bartira Barreto dos Santos, publicado na oitava edição da Graduando, em 2014.




E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, comenta aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


Bom final de semana!

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segunda-feira, 10 de maio de 2021

ARTIGO DESTAQUE!

Olá, graduandíssimos,

O artigo destaque desta semana é este: “Uma análise sobre o ensino de literatura em uma escola pública do Estado do Pará”, de autoria de Evelim Mendes dos Santos e Jayna Karolyne de Souza Santos, publicado na décima edição da Graduando, em 2016.





Desde que foi publicado, este artigo foi citado em uma monografia, em 2018.

E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, comenta aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


Bom final de semana!

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sexta-feira, 7 de maio de 2021

ARTIGO DESTAQUE!

 Olá, graduandíssimos(as)!


O artigo destaque desta semana é este: “Como e por que trabalhar com a poesia na sala de aula”, de autoria de Eliseu Ferreira da Silva e Wellington Gomes de Jesus, publicado na segunda edição da Graduando, em 2011.




De lá para cá, este artigo já foi citado em 7 dissertações de mestrado, em 8 artigos publicados em periódicos, em 2 produções didático-pedagógicas, em 2 trabalhos publicados em anais de evento, em 1 trabalho apresentado como parte das exigências da disciplina “Diversificadas 7” da Universidade Aberta do Brasil, em 1 atividade de produção de planos de aula e em 1 relatório de estágio.

Uau! 22 vezes este artigo já foi citado como fonte de referência em outros trabalhos! E quanto orgulho para os articulistas que o produziram e para a Graduando, não?

E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, comenta aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).

Bom final de semana!

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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Novo quadro no Instagram: ARTIGO DESTAQUE!



ARTIGO DESTAQUE!

O primeiro artigo destaque, que publicamos aqui é este: “Práticas de ensino na sala de aula e ensino de Língua Portuguesa”, de autoria de Mendes et al., publicado na terceira edição da Graduando, em 2011.

De lá para cá, este artigo já foi citado cinco vezes em outros trabalhos, a saber: em um capítulo de livro, em um Trabalho de Conclusão de Curso, em dois artigos publicados em outros periódicos e em um artigo de Conclusão de Curso.
Os cinco trabalhos que citaram este foram publicados em 2018, 2019 e 2020.
Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).
E aí, você conhece outros artigos publicados na Graduando que também já foram citados em outros trabalhos? Se sim, conte-nos aqui nos comentários.
Acesse-nos!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

MUSEU

Por Danilo Cerqueira Almeida*


Séria viveria Luzia
Constelada em Alexandria
Redarguindo argumentos de Minerva...
Tão ela nela...
O consumo, a involução das eras...

Que seja!
Que Dele o seja a esvoaçada poeira madre
Que no chocalho azul a água lave
A penha calcificada
Palavra!


* Danilo Cerqueira possui graduação e pós-graduação pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Atualmente, é professor da rede pública de educação do Estado da Bahia na cidade de Feira de Santana. Também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

EDITORIAL DA 11ª EDIÇÃO

Por Conselho Editorial*


Chegamos a mais uma edição da Graduando: entre o ser e o saber. É o momento de sentir a satisfação por mais um trabalho cumprido, na passagem de um ano de atividades planejadas, vivenciadas e comemoradas ainda mais agora, quando podemos perceber que o processo de leituras e releituras proporcionou um material que carrega, entre tantas ideias e motivações, a memória, a disposição, a solidariedade, a representatividade e o reconhecimento a todas e a todos os responsáveis por esta publicação periódica do curso de Letras da UEFS.

A história da revista pode ser contada pelas pessoas que fazem ou fizeram parte dos conselhos, comissão, equipes e colaboradores do periódico. Seu cotidiano de atividades, seus relacionamentos com cada (futuro) autor(a) de texto, cada avaliador(a), cada revisor(a), cada interessado(a) em saber a respeito das atividades da revista em espaços de comunicação e de divulgação como o e-mail, o Facebook, o blogue e presencialmente, cara a cara... são momentos em que se oferece ao outro em nosso diálogo a mensagem que carrega o conjunto de experiências, de visão moral e de ética sobre as atividades desenvolvidas pela revista. Essas pessoas, em seu(s) momento(s) de contato com alguém que faz ou fez parte de nosso periódico, podem saber informações de seu interesse, visando algum objetivo: um trabalho publicado, um texto divulgado, um apoio em assuntos nos quais o periódico pode ajudar. Também querem encontrar, mesmo que não explicitem em seu discurso, credibilidade, uma postura minimamente aceitável em relação ao que se deseja com o pedido, informação ou relacionamento. Destacamos a credibilidade, a confiabilidade em nosso periódico. Muitos e muitas confiam e muitos creditam nosso periódico discente de Letras da UEFS.

O primeiro idealizador da revista, creditado por sua professora de Literatura em sala de aula, teve a ideia de criar o periódico e teve o crédito de outras 4 pessoas. Estes 4 graduandos em Letras, mais o idealizador, organizaram o periódico e comunicaram professores e setores da UEFS sobre a ideia. Os 5 graduandos tiveram a confiança de todos os setores visitados para o apoio ao então novo projeto: uma revista acadêmica da graduação em Letras da UEFS. Ao longo desses sete anos, a vida afastou alguns de nossos idealizadores, creditadores e “confiadores”. Aos que nos foram afastados pela vida, resta-nos a memória, resta-lhes a memória, provavelmente uma das motivações sociais mais devastadas da (e não pela) cultura brasileira. Sempre estamos em processo tendencioso de realizar ações sem perceber o quanto a memória sobre o contexto da situação em que estamos pode mudar a decisão a tomar. Toda vez que a Graduando lança um número, sua memória vai sendo marcada em um número exponencial de pessoas, sempre à medida em que fazem da leitura, da revista, uma atividade confiável.

Toda pessoa que organiza, escreve, lê, avalia, revisa, colabora e incentiva a revista, confia no trabalho que é feito. O tamanho de nossa confiança no(a) graduando(a) em Letras, e em todas as pessoas envolvidas com o periódico, só aumentou nesse tempo de existência: dos estudantes de 2010 para os de 2017, do curso de Letras de nossa universidade para os demais cursos de Letras do Brasil. A confiança de muitas pessoas na revista tem aumentado nosso crédito na comunidade acadêmica, no reconhecimento ao trabalho realizado, com a citação em, pelo menos, mais de 50 trabalhos acadêmicos, entre artigos, monografias, dissertações e teses, como também em materiais pedagógicos e postagens de blogue; entretanto, o percurso da leitura e das letras pode ser identificado, descoberto, mas sempre parcialmente mapeável. De nossa parte, encontrar o possível sobre a receptividade à revista Graduando: entre o ser e o saber significa exemplificar uma troca de confiança: confiamos em vocês, leitores do mundo tocado pelo periódico, e vocês confiam em nós: confia-se a quem se pede e se confia ao que pede.

Trocar confiança, dentre as atividades humanas, é um dos comportamentos motivadores das relações sociais, e dos mais exitosos nas relações acadêmicas. Explicitando que as relações acadêmicas são sociais, de trabalho, muitas vezes intensificadas ao longo da vida, nosso projeto acadêmico de periódico tem angariado muitos “confiadores”. Nós confiamos na capacidade de leitura deles; eles passam a confiar em nós pelo conhecimento de nosso trabalho e de suas necessidades, sejam estas de cunho acadêmico ou não, do que podem perceber de nossa postura a partir da perspectiva em que estão. Nosso agradecimento deve ser sempre periódico, como cada letra que pode – e deve – ser reintegrada a cada nova palavra, a qual, assim, supre a necessidade de falar de nossa própria história, emergir-nos de nossa própria memória com a atualidade e a representatividade que o tempo, do qual também fazemos parte, precisa, mas que em muitas ocasiões nos apresenta na condição de minoria, marcada por inúmeras formas de violência. Todos os que escrevem ou falam, fazem-no em última análise para deixar um pouco de si para o que pode haver de semelhante no outro, no próximo leitor/ouvinte, num diálogo que os une enquanto povo que lê, que ouve, que compartilha, a exemplo do tema que marcou a XV Semana de Letras da UEFS, no ano de 2017, realizada pelo nosso Diretório Acadêmico de Letras: “Por letras que contem nossas histórias: o movimento da língua enquanto identidade de um povo”.


* O Conselho Editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber, é formado por Danilo Cerqueira Almeida e Josenilce Rodrigues de Oliveira Barreto.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

DISCURSO DE ORADORA

Por Regiane Costa (Texto) e Romildo Alves (Adaptação)*

CURSO DE LICENCIATURA EM LETRAS VERNÁCULAS E ESTRANGEIRAS
FORMATURA 2017.1
DATA: 07 DE OUTUBRO DE 2017

Boa noite a todas as pessoas!

Na primavera do sonho
Eu começo agradecendo
Aos colegas que me deram
Confiança e vou tecendo
Nesta representação
Uma célebre saudação
E ames ma vou estendendo.

À mesa, aqui na pessoa
Do Magnífico Reitor
Evandro do Nascimento
E as pessoas de valor:
Nossos homenageados
Família, mais achegados,
E ao todo apreciador.

Falando em nome da turma
Eu agradeço aos presentes
Nesta data especial
Para os mais novos docentes
A UEFS comemora
Pois está brotando agora
Um punhado de sementes.

Quero parabenizar
A todos nós professores
De Português, Espanhol,
Inglês, Francês, sonhadores
Que em tempos de incertezas
Enfrentamos correntezas
Contrárias aos formadores.

A Universidade Pública
Tem direitos retirados
Os desafios diários
Precisam ser superados
Quem chega onde chegamos
Sabe o que nós enfrentamos
Para sermos graduados.

Foram anos de insônias
Por um sonho que somente
Era ocupar um espaço
Negado historicamente
Mas depois se transformou
E muito mais se ampliou
Para ficar permanente.

São conquistas grandiosas
Primeiro a aprovação
Numa corrida acirrada
Pela melhor posição
Ainda muito inocentes
Das lutas subsequentes
Pra sua manutenção.

Ocupar e permanecer
Requer muita resistência
Às cotas de um restaurante
Em sua insuficiência
Gerando filas gigantes
Que parecem aos estudantes
Um teste de paciência.

Resistimos e amargamos
Faltas de materiais
E em nossa biblioteca
Poucos livros atuais
Acervo escasso, uma “jaula”
Faltas de sala de aula
Infelizmente normais.

A cada novo semestre
Um velho dilema assusta
A demanda estudantil
Com as bolsas não se ajusta
Em valor e em quantidade
Podando a oportunidade
Que se apresenta robusta.

A residência também
Além de sucateada
Passa por seus maus bocados
Frequentemente atacada
Na administração
Centralizada a questão
Ainda é muito ignorada.

Familiares e amigos,
Aqui não é mar de rosas
Há racismo e há machismo
Condutas escandalosas.
Há xeno e homofobia
Mas lutamos dia a dia
Contra as práticas danosas.

Trabalhar ou estudar
Tivemos que escolher
Nas imposições que a vida
Coloca-nos pra viver
Perdas e dificuldades
São as singularidades
Pra essa noite acontecer.

Apesar de aqui felizes
Podermos compartilhar
Com vocês essa alegria
Nós queremos registrar
Que teremos pela frente
Um dever árduo e frequente
Que não dá para adiar.

Trata-se desse momento
De socialização
Daquilo que a academia
Legou-nos por formação
Os nossos conhecimentos
Precisam ser elementos
Que portam a transformação.

Nossa universidade
Hoje vive enfrentando
Problemas para manter-se
E continuar formando
São sérias dificuldades
E suas atividades
Já estão se limitando.

É falta de professores
Redução de orçamentos
Nesse cenário caótico
Há riscos de fechamentos
2015 somente
Ano de greve docente
Vejam os encolhimentos.

Cerca de 7 milhões
Das Ueba’s retirados
Mais que 5,8
Da nossa UEFS cortados
Temos como consequência
A grande deficiência
Dos serviços ofertados.

Como as viagens de campo
Que pouco têm ocorrido
E não é somente a UEFS
Que tem com isso sofrido.
As outras estaduais
Sofrem ataques iguais
E o Estado tem se omitido.

Vera educação pública
Atacada intensamente
Enquanto o setor privado
Com investimento crescente
Nos leva a repudiar
Toda forma de mercar
Um direito que é da gente.

Devemos socializar
Esse direito que temos
A educação gratuita
É o que nós defendemos
Seja no nível que for
E o respeito ao professor
Nós também muito queremos.

Saímos com essa vitória
Mas vamos continuar
Defendendo a qualidade
No direito de sonhar
A dupla licenciatura
Pra quem nas letras apura
Além do vernacular.

Não foi fácil aqui chegar
Com os fatos relatados
E no palco da UEFS
Tantos mais foram passados
Nos espetáculos diários
De atores secundários
Buscamos ser consagrados.

Protagonistas da história
Findamos uma etapa
Para iniciarmos outra
Por outro difícil mapa
O do mundo do trabalho
Onde o valor ainda é falho
E também é quente a chapa.

abemos que o cenário
Não é lá dos otimistas
As políticas contradizem
Os direitos trabalhistas
O que não nos é pacífico
Pode ser o específico
Para as futuras conquistas.

A palavra desse dia
Não é outra, é gratidão!
Nela escrevemos tudo
Que nos dita a emoção
Salve Deus! Salve Oxalá!
Salve tudo o que está
Nos dando essa permissão!

Salve a arte e a beleza!
Salve as letras que unidas
Formam palavras que ganham
Sentidos nas nossas vidas!
A primavera chegou
E o seu conjunto deixou
As nossas almas floridas.

E eu termino dizendo
Que apesar dos pesares
UEFS, foi muito bom
Respirarmos dos teus ares
Vamos, mas te levaremos
E quem sabe voltaremos
Quando menos tu pensares.

Muito obrigada!


* Regiane Costa (texto) e Romildo Alves (adaptação) são licenciados em Letras pela Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia.

terça-feira, 4 de abril de 2017

GRADUANDO ALCANÇA 100.000 ACESSOS ! ! !




Amigos da Graduando,

É com muita satisfação que anunciamos a chegada do blog aos 100.000 acessos!

Essa é uma conquista construída e compartilhada com todas as pessoas que acessam e prestigiam o nosso trabalho.


Acesse o site ou o facebook para saber mais sobre nosso periódico

Muito, muito obrigada!
Equipe Graduando

sexta-feira, 27 de maio de 2016

MAIS DE 60 MIL ACESSOS NO BLOG!


É com grande satisfação que anunciamos que o blog da Graduando alcançou 60.000 (sessenta mil) acessos.

Agradecemos a todos e a todas que contribuíram e contribuem para que sejamos acessados e, consequentemente, lidos. 

Sentimo-nos orgulhosos do crédito e do reconhecimento ao nosso trabalho.

QUER SABER MAIS SOBRE A GRADUANDO?

ACESSE O NOSSO FACEBOOK E SITE

Muito obrigada!
Equipe Graduando

quinta-feira, 3 de março de 2016

As Vestes do Vento

Por Danilo Cerqueira*


Quais são estas vestes, Poeta Solidade Lima? De que (i)material elas são feitas? Sendo oriundas do vento, de onde vêm e para onde irão?... As respostas não são fáceis… ou são tão fáceis que não podemos, em função de nosso mundo mediocraticamente desarejável, ver ou entendê-las.

Os ventos de Solidade Lima sopraram. Por meio de palavras no papel, é um movimento que, em nossa leitura, reconstrói a poesia de uma das faces do uni-verso da poética do autor: desconfio que As Vestes do Vento são as palavras, mas a oportuníssima incerteza é do poeta. Sem dúvida, pluralizar é uma tônica nos poemas do livro e da poesia que evola quando os olhos se movimentam sobre as letras: textos, títulos, tempos, estados, previsões, provisões, culturas, disposições anímicas para a matéria e a imatéria retintam as crias do poeta. Arte literária, vivências e incitações ao ser humano que perambula nos caminhos da vida bafejam dos versos. Assim, à leitura, sente-se a palavra dita sob contemplação temporal, laica e chistosa do cotidiano, como o vento que não volta mais e se entrega ao acaso do movimento invisível, mas não insensível ao que nos circunda a existência.

O que há de invisível existe em todos os espaços, e parece que As Vestes do Vento sopra em algumas pistas a respeito delas. Os saberes em linhas e linhas de palavras ao espaço das páginas, que podem ser listados e referenciados desde a primeira leitura do que o vate Lima escreve, entregam-se à palavra poética de maneira enlevar quem os lê para uma viagem pela cultura de certo olhar conjugador: o autor e leitor, do texto e do mundo, estão ao vento. Sem distinção de quaisquer elementos concretos e abstratos, esta poesia em vento, que tudo lê, tudo vê e tudo sente, forma-se em função do movimento de leitura, para depois se independer do ar, como a letra do pensamento. Assim, os poemas do livro refletem o quanto admiravelmente destemida é a perspectiva contingentemente holística do que é lido. A especificidade poética dos poemas, inseparável das palavras em qualquer instantâneo de percepção, incita à questão sobre o que é vida além dos seres e das coisas: As Vestes do Vento trata do cotidiano de um em verso, da relação proferida pelo sopro indistinto de um eu-poético, traje das vozes que o podem declamar. Poemas como “Antoptose do Destino”, “Desespelhando Sonhos”, “Teledetecção Remota”, “Íntimo Ornamento”, “O Cio do Ócio” e “O Inconsciente Chiste” compõem o livro de cantos diversos e telúricos dessa voz poética e ubíqua que é o vento, sem esquecer da visada, do “sabor umbilical” presente mesmo no mar, do poema “Metáfora à Deriva Numa Garrafa”.

As harmonizações entre vento e poesia perambulam em destaque nos poemas e versos do livro de Solidade Lima. As vestes, em suas palavras, são muitas, são várias, mas não são as mesmas para todos; não são facilmente conviviais, porque as pessoas são muitas, os leitores são muitos, suas cabeças... e a cidade destes ventos é, como diz o poeta em “Canto Metropolitano”, infinita. Que também o seja a sua poesia, a vitalidade de seu fazer poético, para ele e para nós.


* Danilo Cerqueira é licenciado em Letras Vernáculas (2010), além de especialista (2012) e mestre (2014) em Estudos Literários, todas graduações pela UEFS. É revisor, professor e membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

PELOS OLHOS DE PERO VAZ DE CAMINHA – UM BRASIL

Por Maria Rosane Vale Noronha Desidério*


Quando Pedro Álvares Cabral e sua comitiva atracaram, no ano de 1500, em terras americanas, desconheciam o seu verdadeiro paradeiro, mas estavam a ponto de marcar definitivamente o destino de uma terra até então quase desconhecida. Era o começo do fim de muitos povos, línguas e culturas indígenas. A comitiva de Cabral havia perdido a oportunidade de encontrar um caminho para as índias por meio do atlântico, mas “achado” uma mina fabulosa de riquezas naturais para abastecer os cofres públicos de Portugal em tempos de apertos futuros.

As primeiras impressões dessa “descoberta” estão registradas na carta que Pero Vaz de Caminha escreveu à coroa portuguesa, relatando aquele achado. O Brasil ganhava ali, segundo Stegagno-Picchio (1997), o seu “Atestado de Nascimento”. Para o escrivão da comitiva, aquela terra soava fantástica, rica em belezas naturais. Praticamente uma extensão do jardim do éden. Mas não só a natureza era extraordinária e exótica, também os habitantes da terra batizada de Vera Cruz. Estes eram em tudo “inocentes e gentis”. Seres beirando a animalidade, mas que estavam prontos para receber de mentores “sábios e capazes” toda a instrução necessária para se tornarem homens de fé, católica, naturalmente.

Pero Vaz não consegue enxergar naquelas figuras humanas nenhuma malícia, nem sua riqueza cultural. Os indígenas eram para ele uma folha em branco, necessitados de receber da coroa portuguesa a cultura e a fé que lhes faltava. Cobrir a nudez dos índios, não só corporal, mas principalmente espiritual e cultural, era para Caminha uma missão da coroa portuguesa. A imagem dos portugueses cobrindo os índios que dormiam na nau do capitão é carregada de simbolismo. O pano português desejou cobrir os índios com a cultura, a religião e as mãos poderosas da coroa lusitana. Dominá-los. Esse é o grande simbolismo por traz desse pano. O domínio.

Caminha busca em toda a carta mostrar à coroa portuguesa o quanto é fácil conquistar aquela terra e sua gente. As palavras “gentis” e “inocentes”, na carta, ao mostrar o quanto aquele povo era solícito e aberto, levam a crer que os indígenas não ofereceriam nenhum tipo de resistência diante de uma possível colonização. Eles estavam despidos, e os portugueses, em um ato humano e paternal, tinham o dever de vesti-los. O único impedimento parecia ser a comunicação verbal, mas, driblada essa dificuldade inicial, nada poderia impedir os braços paternais de Portugal a conduzir aquele povo à servidão e à submissão para o seu benfeitor. E de preferência uma submissão banhada a ouro da nova terra. Os lusitanos trocariam tal metal por algumas facas e outras coisas de menos valia. Os próprios índios carregariam os navios com o ouro e demais riquezas encontradas, enchendo assim os cofres de Portugal. Esse fora certamente um desejo acalentado no coração português. Desejo realizado tempos depois, principalmente pelas mãos dos negros escravizados da África.

Essa é a grande mensagem da carta de Caminha: A terra é boa, o povo é bruto, bárbaro e não oferece nenhuma resistência. Gostam de folgar e dançar. Trocam suas riquezas por qualquer coisa que lhes ofereça. Nos servirão de bom grado. Em troca, preencheremos o seu vazio intelectual e cultural. Seremos seus mentores, seus líderes, seus donos.

Essa ideia leva muitos a crerem que o índio nunca resistiu. Que este jamais ofereceu resistência ao pano português, cobrindo-os com o poderio lusitano. Mas, na realidade, a história foi contada sempre camuflando ou amenizando a luta e a resistência indígenas. Ao contrário do que Caminha disse, o Índio não era uma tábua rasa e inocente. E não baixou as flechas perante a dominação portuguesa. A Confederação dos Tamoios é apenas um exemplo dessa luta. Mas, notadamente, é difícil à flecha, ainda que imbuída de muita coragem, vencer a arma de fogo. E a prova maior dessa resistência aborígene está nos números que revelam um verdadeiro massacre, levando ao quase desaparecimento dos povos indígenas brasileiros.

A carta de Caminha alcançou um poder de convencimento tão grande, ela tornou-se tão poderosa que até os dias atuais ouve-se o eco de suas palavras na mentalidade do outro estrangeiro e do próprio brasileiro quando se deseja definir o Brasil. Afinal, o que há de bom no Brasil? A resposta a essa pergunta é rápida. O Brasil tem uma riqueza natural maravilhosa e um povo gentil e hospitaleiro. Nada sobre nossa capacidade intelectual. O mundo ainda nos lê pela velha carta de Caminha.


Referências

PEREIRA, P. R. Os três únicos testemunhos do descobrimento do Brasil. Rio de Janeiro: Lacenda, 1999.

STEGAGNO-PICCHIO, L. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Nova Aguilan, 1997.


* Maria Rosane Vale Noronha Desidério é aluna do curso Letras Vernáculas - 7º semestre - UEFS.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A UM COMENTÁRIO ANÔNIMO 2

O seguinte comentário foi feito neste blog, na postagem “SOBRE UM CAPÍTULO DE ‘AULA DE PORTUGUÊS’”, texto cuja autoria é de um dos membros do conselho editorial da Graduando:


“Esse pessoal num larga o osso! A revista nasceu para ser veículo de promoção das atividades e das produções discentes da graduação, mas infelizmente essa galera até hoje não permite que os graduandos, como possam, desenvolvam-se no espaço da revista como esses que estão aí nos textos e nas fotos se desenvolveram... Lamentável!”


Depois de ler e discutir sobre esse comentário as ideias de seu conteúdo numa reunião do periódico, optamos por publicar um texto representativo da posição desta publicação acadêmica da Graduação em Letras da UEFS.

O texto do Anônimo registra que “esse pessoal num larga o osso!” Provavelmente o Anônimo dirige-se para o autor do texto, membro do conselho editorial, e demais licenciados em Letras Vernáculas, membros do conselho editorial e alguns colaboradores, pessoas graduadas em Letras pela UEFS e, agora, sem vínculo institucional com a graduação em Letras, motivo pelo qual provavelmente é utilizado pelo Anônimo a expressão “não larga o osso!”.

O Anônimo também escreveu, com expressiva convicção, que a revista nasceu para uma finalidade que não seria a que está realizando. Considerando o que entendemos sobre o que registrou no blog, propomos que seja necessário ao Anônimo e a todos os interessados em utilizar veículos públicos para emitir opiniões sobre a revista:

* Comparecer às reuniões do periódico – lá é possível conhecer, em fato, o que pensamos e fazemos pelo curso e para o curso, o quanto procuramos colaborar, na qualidade de revista, para a melhoria dos conhecimentos de leitura e escrita relacionados ao curso de Letras da UEFS, e, principalmente, para melhor ciência de realidade do graduando em Letras em relação ao conhecimento do próprio curso e das implicações relativas à própria prática acadêmica e profissional;

* Ler os editoriais das edições lançadas pelo periódico – neles, o conselho editorial apresenta, entre outras questões, sua visão a respeito de como tal contribuição acadêmica discente pode ser mais efetiva e incentivadora para o leitor do periódico, seja ele quem for, valorizando a área de estudo contemplada pela Graduando, os públicos incluídos na preparação, os espaços que colaboram para que pessoas e seus os textos se materializem em artigos e resenhas, reunidos e organizados em torno da publicação de uma instituição de ensino superior;

* Visitar o blog e o site da Graduando e acompanhar as atividades registradas ao longo dos 5 (cinco) anos de ações da revista – uma série de atividades de apoio e valorização definem a evidente postura colaborativa da revista para com o graduando em Letras da UEFS, consequentemente com o perfil profissional destas licenciaturas: 1) espaço para publicação de artigos e resenhas, com ou sem orientação; 2) possibilidade de participação em reuniões, além de colaboração e coordenação direta das atividades do periódico; 3) envio exclusivo de propostas de imagens para a capa do periódico desde a segunda edição; 4) espaço disponível para publicações não acadêmicas em um blog, como exercício de escrita e incentivo à leitura, espaço por meio do qual o graduando lê e relê o curso, pelo que é produzido, em muitos casos, por ele próprio (embora a publicação dependa de consenso do conselho editorial, nunca houve censura à publicação de qualquer texto);

* Conversar com pelo menos duas pessoas ligadas diretamente às atividades internas do periódico em seus 5 (cinco) anos de atuação, ou seja, membros e/ou ex-membros do conselho e colaboradores de quaisquer das edições, ou mesmo pessoas que participaram de qualquer reunião do periódico;

Julgamos que o comentário apresenta argumentações que não condizem com o que é proposto, discutido nas reuniões e realizado em nome da revista Graduando no curso de Letras da UEFS. Episódios em que membros da revista, como escreve o Anônimo, não permitem “que os graduandos, como possam, desenvolvam-se no espaço da revista como esses que estão aí nos textos e nas fotos se desenvolveram” são argumentativamente descreditados em nossas reuniões, nos momentos em que se discute as implicações de qualquer ação que represente a postura da Graduando. Se quaisquer de nossos membros e colaboradores comporta-se de maneira a restringir, intimidar ou censurar a participação de graduandos em Letras (ou mesmo de outros cursos), tal atitude não é defensável nem apoiada pelo Conselho Editorial do periódico (com participação efetiva da equipe de colaboradores), conselho caracterizado, como já citamos em um de nossos editoriais (6ª/7ª ed.), segundo a ABNT, como “[...] grupo de pessoas encarregadas de elaborar as diretrizes, estabelecendo o perfil político-filosófico-editorial de uma editora [ou publicação].” Nós, responsáveis pela elaboração deste texto, sabemos que a participação do graduando em Letras na vida social, cultural e acadêmica de nossa região ainda é insuficiente, em parte por conta da falta de projetos incitativos como este periódico, realizado de maneira voluntária e sem fins lucrativos, mas reconhecendo seu papel no cenário das exigências de nosso tempo. A Graduando atua, em suma, como julgamos demonstrar com nossas ações, com a coerência em valorizar o graduando em Letras e sua formação profissional, mas não exclui participação indireta na construção ética, social e política, na medida em que lhe cabe e como pode..
Nesse sentido, lamentamos e agradecemos a oportunidade em responder a tal comentário. Explicamos as duas posturas. Lamentamos pela ainda existência de opiniões que parecem atribuir ao periódico o julgamento sem um diálogo formal e contextualizado sobre prováveis motivações e esclarecimentos. Agradecemos porque, mesmo demandando tempo para a elaboração, apresentação, discussão, revisão e publicação deste texto, o mesmo também proporciona mais um ato de reafirmação do compromisso da revista com a sua área primeira e com o seu público-alvo, embora contemple graduandos em Letras de outras instituições a partir da 10ª edição: o estudante de Letras da UEFS.

Percebemos os erros cometidos enquanto grupo, segundo a citação que inicia a postura da revista no texto publicado sobre outro comentário em 2011, presente, inclusive, no perfil da rede social do autor do texto comentado em 2015:

“O pensador vê em seus próprios atos pesquisas e perguntas para obter esclarecimentos sobre alguma coisa: o sucesso ou o fracasso são para ele, antes de tudo, respostas.” Nietzsche, A Gaia Ciência.


Atenciosamente
Conselho Editorial
Equipe Graduando

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

VIOLÊNCIA NO AMBIENTE ESCOLAR

Por Ilana Benne Falcão Maia*


“Uma Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e estilos de vida baseados: a) No respeito à vida, no fim da violência e na promoção e prática da não violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação (...)” (Declaração da ONU sobre uma Cultura de Paz, 1999). Será que os professores estão preparados para enfrentar nas salas de aula, além de sua habitual jornada de trabalho, a violência da parte dos próprios alunos? A boa relação professor-aluno é essencial para o aprendizado e para que o ensino seja satisfatório. Segundo a declaração da ONU, a educação é um dos meios de se modificar a cultura da violência, mas, infelizmente o que presenciamos atualmente é algo bem diferente: professores sendo agredidos por alunos quando esses deveriam respeitá-los e professores fazendo o mesmo quando o aluno deve ser acolhido. A violência vai desde ofensas verbais a agressões físicas, rebeldia, chegando a extremos como ameaças, alunos que portam facas e armas de vários tipos dentro das escolas. Isto afeta não só a instituição em si, mas também a sociedade como um todo, sendo as principais vítimas os próprios. Logo, a aprendizagem escolar fica prejudicada. O objetivo principal deste texto é refletir sobre a violência no ambiente escolar e porque ela acontece, o que desencadeia tais comportamentos.

Entendemos por violência a ação de intimidar, causar dano físico ou moral a outra pessoa. Tais agressões podem causar danos a curto ou longo prazo. No caso da violência escolar, as ações podem prejudicar não só a vida social como a aprendizagem do aluno, a qualidade de trabalho do professor e todo o sistema escolar.

A atual situação da educação no Brasil é de descaso, tanto na qualidade do ensino quanto nas condições de trabalho de professores e funcionários. O quadro de violência contra professores e alunos vem aumentando a todo o momento. É como se alunos e professores “não falassem a mesma língua”. De onde surge tanta intolerância? Faltam políticas públicas para resolver esta situação tão alarmante. O levantamento de respostas da Prova Brasil mostra que, em 2007, cerca de 2,3% (6.677) dos professores afirmaram terem sofrido agressões de alunos. Em 2011 os números continuaram similares. Para a pesquisadora Mirian Abramovay, da UNESCO, todo esse quadro é reflexo do descaso na educação. Para ela, a “estrutura da escola remonta ao século XIX, professores dão aulas como no século XX e alunos vivem conectados ao século XXI”, há então um descompasso. Ainda segundo a pesquisadora, a violência não é consequência do ambiente em que a escola se encontra. Tanto escolas públicas quanto particulares sofrem com essa triste realidade. Jorge Wherthein, ex-presidente da UNESCO, diz que “uma nova cultura da solução não violenta dos conflitos deve começar na escola.”

Percebe-se que hoje o maior problema é o desgaste da instituição familiar, desajustes familiares, falta de planejamento, enfim, diversos fatores que contribuem para que o jovem viva em uma estrutura pouco sólida e com bons exemplos. Içami Tiba (2009) diz que a família, assim como uma equipe, deve trabalhar em conjunto, um em prol do outro. A falta de estrutura familiar é independente de classe social, mas, sobretudo, percebe-se sua ocorrência mais frequente em classes mais baixas, devido à falta de planejamento familiar.

Segundo o guia Diálogos e Mediação de Conflitos nas Escolas, escrito pelo promotor de Justiça no Estado de São Paulo: a escola é palco de uma diversidade de conflitos, sobretudo os de relacionamento, pois nela convivem pessoas de variadas idades, origens, sexos, etnias e condições socioeconômicas e culturais. Todos na escola devem estar preparados para o enfrentamento da heterogeneidade, das diferenças e das tensões próprias da convivência escolar, que muitas vezes podem gerar dissenso, desarmonia e até desordem. (2014, p. 26).

É justamente neste ambiente heterogêneo que o professor deve, portanto, fazer seu papel de mediador. Numa mesma sala de aula, podem encontrar-se um aluno que tem problemas familiares sérios de violência doméstica, uso de drogas, alcoolismo, abuso sexual, por exemplo, com uma criança ou jovem que viva num ambiente considerado “saudável” para seu desenvolvimento.

Porém, a escola sozinha não pode resolver todos os problemas. Existe todo um contexto envolvido: político, religioso, comunidade, principalmente, a família saber que a educação parte de casa. Caso a base familiar do indivíduo não seja tão sólida, a escola entra como mediadora, através de projetos para melhor lidar com aquele aluno. Com isso, percebemos que os cursos de licenciatura e pedagogia não têm preparado os professores para lidar com situações extremas na sala de aula. Existe uma lacuna muito grande entre a teoria e a prática, o que dificulta a aprendizagem em situações extremas, como a violência física por exemplo. Uma professora pode dominar perfeitamente a teoria, foram anos de estudo para isso, porém, ela não está preparada para reagir adequadamente caso seja agredida por um aluno.

A desvalorização do professor, hoje em dia, é tanta que a violência contra ele chega a ser banalizada. Existem dois lados a serem observados: a família como estrutura e base para a criança, para formação do seu caráter, e a escola que deve estar preparada para tais situações, priorizando o ensino e a formação do cidadão. Esta, também, deve visar o bem estar do aluno para que sua permanência na escola seja sadia e não traumática. Essa realidade não existe somente nas escolas públicas. Apesar do pouco investimento em educação, das más condições com que muitos professores dão aula, e de toda a precarização em que o sistema de educação pública se encontra, nas escolas privadas também acontecem casos de violência entre professores, alunos e funcionários. É então que surge o questionamento de se o meio é que realmente influencia para a violência. O medo, a falta de experiência de muitos profissionais, traumas por já terem presenciado episódios de violência, preconceito contra alunos de classes mais baixas, falta de preparo dos cursos de formação de professores, enfim, diversos fatores que só dificultam o processo ensino-aprendizagem, visto que este está abalado pelos constantes episódios de violência no âmbito escolar.

Vê-se cada vez mais ser atribuído à escola o papel de educar. Transfere-se para a instituição “escola” a responsabilidade que antes era dos pais, ou deveria ser. A imagem dos pais presentes na vida do filho tem função emocional. A família é formadora do caráter que aquele indivíduo irá possuir. É difícil para a escola, abrigando tantas realidades diferentes, dê conta da educação no sentido de estrutura emocional, de formação de caráter, de todos seus alunos. O que se observa é esta transferência da responsabilidade de educar dos pais para a escola. Isso gera uma desestrutura na formação da criança que poderá se tornar um jovem sem bons exemplos, sem base, e isto pode então culminar em comportamentos violentos no ambiente em que ele passa a maior parte do seu tempo, a escola.

Ainda que um dos fatores da disseminação da violência escolar seja a falta de estrutura familiar adequada, a forma com que professores e alunos lidam entre si também interfere neste processo. Segundo Abramovay (2002, p.29), “um outro fenômeno associado a situações de violência é a disponibilidade de armas de fogo e as mudanças que isso impõe às comunicações conflituosas, contribuindo para o aumento do caráter dos conflitos nas escolas.”

A educação é fenômeno de interação entre escola, família, comunidade, governo, todos que direta ou indiretamente contribuem para que a educação funcione. O professor dentro dessa teia de responsabilidades tem obrigação de acolher e expandir os horizontes do aluno, mostrando-lhe caminhos para aprender, praticando também o afeto, amparando-o. Mas, sozinho é quase impossível. Necessário se faz que a escola desenvolva projetos com a participação de todos para diminuir esse grave problema.


Ilana Benne Falcão Maia é graduanda em Letras Vernáculas da UEFS.

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