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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

XVI SEMANA DE LETRAS - 50 ANOS DO CURSO E... "FORMANDO" DOUTORES

Fonte: Facebook

Fonte: Facebook


Por Danilo Cerqueira*



É. Chegamos aos 50 anos. Ele, nós, vós, eles, elas, você... e, por que não, eu também... É claro que não estou me referindo ao(à) leitor(a) do blog, mas sim a todos e todas que tiveram contato com @s graduand@s (e graduad@s) do curso de Letras da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tod@s @s que se comunicaram, ou mesmo @s que apenas pensaram sobre quem viam, supondo sobre como deveria ser aquele(a) que cursa Letras na UEFS, foram tocad@s pelo curso que proporciona, se não todo, parte considerabilíssima do conhecimento sobre língua em nosso país - e aí não mais considero apenas este curso da universidade feirense... e baiana, mas todo o conhecimento que este curso engloba nas instituições de ensino superior do país.

Foi uma semana de muitas letras. O curso de Letras vivenciou mais uma semana de várias expressões humanas em um evento anual, a Semana de Letras, organizada pelo Diretório Acadêmico de Letras José Jerônimo de Morais. Os cinco dias de reunião entre ouvintes, apresentadores, comissão organizadora e colaboradores em torno desses conhecimentos tão diversos quanto completos (e não menos complexos) proporcionaram ao ambiente acadêmico da UEFS a celebração de sua área mais antiga, com participação desde a fundação do espaço anterior à própria UEFS, onde hoje é o Centro Universitário de Cultura e Artes (CUCA). Portanto, a formação de profissionais e pessoas pela instituição remonta a espaços que muitos que frequentam essa universidade nunca visitaram, mesmo vivendo na mesma cidade e, em parte, incentivados a participar dos demais espaços ligados à UEFS.

Voltando ao curso de Letras, a semana foi dedicada a minicursos, espaços de discussão, comunicações, intervenções artísticas (teatro, música, performances), rodas de conversa, saraus... todos, momentos em que trocamos e plantamos e colhemos e regamos e compreendemos e aprendemos e admiramos e calamos e incompreendemos e subentendemos... palavras! A Semana de Letras sempre expõe e impõe a natureza do graduando, a presente maioria: quem faz, quem comemora lindamente e extasiadamente as muidezas dos primeiros ou importantes trabalhos num espaço "novo", numa condição nova, num momento de "empoderamento" em relação ao curso e à história da instituição, seja como ouvinte ou monitor, seja como colaborador, seja como ministrante de oficina, minicurso, debatedor, palestrante, conferencista... etc.!

Junto com as bodas de ouro... vieram doutorados!!! A UEFS concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao escritor Antônio Torres durante o evento. Algo raramente feito pela universidade, coube-lhe outorgar o título a um escritor durante uma semana de Letras... Simbólico! Outros motivos para comemorar é que as pós-graduações de Linguística e de Literatura ligadas ao curso em breve estarão com doutorandos... Ano que vem, teremos os doutorandos em Linguística; em breve, os da área de  Literatura. A área de Letras, com seus cursos, que começaram com uma graduação em modalidade específica, chega hoje a integrar 4 cursos, especializações, mestrados, um doutorado implantado e inúmeras atividades ligadas ao Departamento de Letras e Artes, ao qual também se integra o curso de Música e a área de Artes, com cursos e a pós-graduação em Desenho, Cultura e Interatividade. O curso de Letras faz, de suas expressões em palavras, a ciência que reconhece as inúmeras expressões que o podem tornar mais humano, mais integrado à realidade das coisas e das pessoas, de suas ânsias de vida e do seu cotidiano de existência e resistência, sem que se dissocie a parte disso da própria instituição.

É... Ainda que não percebamos, os movimentos deslocam... o ar... e, assim, movimentar espaços que, muitas vezes, não podemos perceber senão por suas consequências. Que a contingência dos dias e das ponderações sobre a responsabilidade de cada um(a) d@s  graduand@s em Letras, nos rumos da (própria) história (do curso) fique cada vez mais evidente quando nós, mais vivenciados no verso e anverso de nosso cotidiano na UEFS, e também fora dela, estivermos o mais oportunamente possível na condição dialógica em relação aos(às) outr@s e tant@s graduand@s da vida...


Arte: Danilo Cerqueira



* Danilo Cerqueira é licenciado em Letras Vernáculas pela UEFS, com especialização e mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. Atualmente, é professor da rede estadual de ensino e membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

PRAÇA REVISITADA

Por Rammon Freitas*


9h10min marcava o relógio do celular, fizera dez minutos que Diego esperava por Fernando. Ele supostamente estava a caminho, ele não costumava se atrasar. Diego estava perdido em seus pensamentos e em suas recém-nascidas certezas, havia algum tempo que os dois se conheciam e ali na Praça do Lambe-lambe, também conhecida como a Praça Bernardino Bahia, ele se perdia nas suas observações de quem passava. Diego adorava praças por causa da diversidade, da liberdade e do aconchego que em muitas delas residiam. Ele já havia esperado outras pessoas ali, marcado outros encontros ali e também assistido às pessoas que passavam por ali. Essas ações se repetiram diversas vezes. Aquele era o ambiente de trabalho de várias pessoas, cabines de fotos 3x4 rodeavam as bordas da praça, mulheres, crianças, senhoras e senhores, todos pareciam estar apenas de passagem, uns aparentavam ter objetivos, horários a cumprir, outros pareciam estar apenas passeando. Um rapaz abraçava o outro em direção oposta à que Diego se localizava, ele notou como os seus corpos conversavam nesse curto espaço de tempo em que os dois se cumprimentavam, pareciam ser amigos, até o microssegundo que suas mãos se encontravam e se apertavam de leve no instante em que seus corpos se separavam.

Esses amigos seguiram adiante como todas as pessoas que vêm e vão à praça. Diego esperava e pensava que Fernando poderia ter dormido demais, talvez estivesse preso no trânsito, talvez tivesse esquecido o compromisso, mas algo o confortou ao mesmo tempo em que conjecturava sobre onde estaria Fernando, e isso era a certeza de que ele estava em um lugar muito melhor agora, psicologicamente falando. Seus sentimentos estavam claros, suas crenças estavam renovadas, e uma esperança tão grande como a imensidão da aurora o preenchia. Agora Diego viajava em pensamentos que se iniciaram a partir da observação de uma criança brincando com outra, ele nunca entendera o porquê as crianças maiores mudam a voz quando falam com crianças menores que elas, às vezes da mesma forma que os adultos falam com elas, infantilizando a voz, balbuciando coisas sem sentindo. E cada vez mais claro ficava o fato de que ele cria que não nos comunicamos apenas através de uma língua.

No fundo da praça uma voz bradava, era um pastor que começava a pregação em plena praça às 9h20min agora. Diego se lembrara de sua relação com uma colega de trabalho que era evangélica e afirmava que ele tinha a pomba-gira no corpo. “Qual o malefício de ter a pomba-gira no corpo?”, ele a perguntou um dia. “O malefício é que ela te controla e faz coisas que não é de sua natureza como homem fazer,” ela respondera determinadamente. Diego sempre achou toda essa “maluquice,” como ele costumeiramente denominava esses comportamentos, uma completa perda de tempo. “Deixe-me ser quem eu sou!”, ele exclamara certa vez. Essa colega de trabalho conseguiu tirá-lo do sério quando ela o convidou para ir à igreja e se livrar do demônio que nele habitava, Diego apenas não suportava mais e exigiu que ela não o dirigisse mais a palavra, a não ser que fosse algo restritamente profissional.

9h25min marcava o celular e Fernando nem sinal de vida. Diego começou a acreditar que Fernando se esquecera, mas o que ele podia fazer? Diego automaticamente sabia que teria que comprar fones de ouvido novos, depois ele iria à livraria e por fim ele iria voltar para casa. Nesse exato momento passava um casal heterossexual na praça, o rapaz era negro, forte, musculoso, com um caminhado solto. A moça era negra, usava longas tranças no cabelo e um minishort que valorizava seu corpo, se pendia sobre ele segurando sua mão. Eles andavam destemidos, como o casal mais feliz do planeta. Isso fez Diego pensar em como sua realidade não era a mesma, andar segurando na mão de quem ele queria segurar não era até então uma coisa vista como normal ou ética e descente por algumas pessoas. Ele apenas desejava muitíssimo que os mesmos afetos testemunhados todos os dias por casais heterossexuais também fossem disponíveis para ele, sem implicar em receber um olhar de reprovação por um estranho na rua. Ele pensava em como isso tudo era injusto, em como a tradicional família brasileira o deixava frustrado às vezes.

Dez minutos se passaram em meio a esses pensamentos e Diego se perdera em vários devaneios, o dia começava a esquentar no sol de fevereiro, Feira de Santana estava incomumente quente, mas uma brisa pairava no ar por causa das gigantescas árvores que por ali sombreavam partes da praça, o fluxo de pessoas ficava mais intenso, a feirinha que funcionava ao lado da praça começava a ficar mais barulhenta, e os pombos que por ali catavam migalhas faziam grande estardalhaço quando voavam em grupo. Diego começou a se agoniar, ele decidira esperar até as dez em ponto. Com toda a sua falta de paciência em esperar ele se deu conta que Fernando era a única pessoa que ele esperava sem reclamar, e perdoava o atraso instantaneamente, assim que os seus olhos encontrassem os olhos dele. Ele resolveu que teria tempo hábil para ir às barracas do camelô comprar os fones de ouvido, afinal ele não achara os fones originais na internet, tampouco nas lojas especializadas da cidade. Assim ele o fez, comprou os fones na barraca mais próxima dali, mantendo sempre os olhos na praça caso Fernando aparecesse. Ele voltou para o mesmo lugar onde estava sentando, de repente ele avistara um rapaz que parecia familiar, era um estudante da Universidade Estadual de Feira de Santana, onde Diego também estudava. Era estranho ver rostos familiares em ambientes diferentes, esse rapaz era só um conhecido, desses que vemos quase todos os dias, pois frequentamos o mesmo espaço, porém eles não eram amigos, Diego nem sabia o seu nome.

Faltavam cinco minutos para as dez, Diego estava se preparando para deixar uma de suas praças favoritas de Feira de Santana, a livraria o custaria uma boa caminhada, o calor também já o incomodava muito, estava fatigado por estar ali. Depois de traçar o roteiro mentalmente do caminho mais curto para a livraria ele se levantou, olhou mais uma vez para toda a praça, pelo menos para os lugares da praça que sua vista alcançava, quando de repente pensava que fazia um tempo que ele havia visitado a praça pela última vez. Observar pessoas era um de seus passatempos favoritos, rodoviárias e praças eram seus lugares de maior preferência para tal ação, ele adorava olhar para as pessoas e tentar imaginar a história de vida e a personalidade daquela ou daquele ser. Ele olhara pela última vez para a feirinha que fazia companhia à praça, para a avenida logo à frente que nesse horário da manhã já estava bastante agitada, e fez movimento para sair dali decidido em seguir em frente com o que havia planejado para o seu dia, quando uma voz exclamou, “Diego!”


* Rammon Freitas é Graduando em Letras com Inglês pela UEFS, atualmente sexto semestre.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

MAIS DE 60 MIL ACESSOS NO BLOG!


É com grande satisfação que anunciamos que o blog da Graduando alcançou 60.000 (sessenta mil) acessos.

Agradecemos a todos e a todas que contribuíram e contribuem para que sejamos acessados e, consequentemente, lidos. 

Sentimo-nos orgulhosos do crédito e do reconhecimento ao nosso trabalho.

QUER SABER MAIS SOBRE A GRADUANDO?

ACESSE O NOSSO FACEBOOK E SITE

Muito obrigada!
Equipe Graduando

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

“LOVE ME DO”

* Por Jessica Mina de Sousa


Eu acabara de sair de uma tarde enriquecedora num minicurso realizado na biblioteca Julieta Carteado quando encontrei algumas amigas, com as quais parei para tagarelar. Conhecer um pouco mais sobre Caio Fernando Abreu e identificar-me com algumas características fortes presentes em suas obras deixou-me em estado de fluxo de consciência; mesmo assim, aceitei o convite de Thaylane para tomarmos o café da noite no restaurante universitário. 

Todo aquele trajeto, corriqueiro para nós, não aparentava nada de anormal. Por isso, batíamos papo tranquilamente. De repente, apagaram-se as luzes. A reação instantânea foi de gritos e guizos. Por um minuto a fila parou, e podia-se imaginar a cara assustada das pessoas sem saber direito o que aconteceria a partir dali. Posteriormente, disseram que foi acidente feio na BR que provocou a falta de energia elétrica na Universidade, mas não faltou iluminação, e todos alimentamo-nos à luz das lanternas dos celulares.

As pessoas fizeram sua refeição ali mesmo, porém, mais próximas que o comum, pois uma coisa diferenciava aquele momento dos dias cheios no bandejão, nos quais as pessoas sentam-se bem próximas nem sempre por opção, mas por falta de outros lugares disponíveis. Hoje, o que ajuntou os seres ali presentes, foi a falta de energia elétrica e a presença de luz. Tanto que o rapaz que se sentou ao meu lado ainda disse para o colega: “Peraí, vei! Senta perto de quem tem luz!” E eu me senti iluminada, pois Thaylane portava um aparelho celular com lanterna, diferente do meu, que além de despertador serve apenas para ouvir músicas e fazer chamadas.

Foi um momento incrivelmente poético, e ao fundo, atrás das conversas batidas sobre provas, trabalhos e final de semestre, podia-se ouvir o solo maravilhoso da gaita dos Beatles em “Love me do”. O ritmo da música encheu o R.U. de uma energia transcendente que me acompanhou até em casa, para que eu não esquecesse de gravá-lo. Definitivamente, foi para mim, um dos dias mais inolvidáveis da vida universitária; e na cabeça, aquelas vozes que se repetem: “so pleaaaaaaaaaase, love me do, oh oh love me do”.

A saída de alguns estudantes pelo portão lateral aconteceu em bando, pois todo aquele aglomerado de cidadãos sente-se constantemente refém da marginalização que habita a rua Jurema e todo o conjunto de casas e prédios de aluguéis denominado Feira VI. Dobrei a esquina do meu caminho a passos largos, quase que correndo, e confesso que o temor de ser vítima, mais uma vez, passeava pela minha corrente sanguínea tão rapidamente a ponto de me fazer suar.

O alívio, ao entrar em casa e ver Talita deitada no sofá com uma vela miúda ao lado da TV minúscula, foi inspirador, motivo pelo qual fiz-me rabiscar as primeiras linhas de algo que eu ainda nem sabia o que viria a ser. Agora, sentada em frente a esse mundo que é o computador, a internet e sua imprescindível capacidade de armazenar dados limita-me a ser somente palavras, que guardadas, poderão algum dia refrescar a memória.


* Jessica Mina de Sousa é graduanda do 5° semestre do curso de Letras com Inglês na UEFS.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

HERÓIS ESQUECIDOS


* Por Rosana Carvalho


Esse ano, com os 50 anos do Golpe, mais do que nunca pudemos observar, nos meios de comunicação ou manifestações isoladas de grupos específicos, algumas homenagens às “vítimas” da Ditadura Militar. Muros foram pichados, papéis distribuídos, mas o que pouca gente sabe é que os torturadores do período estão espalhados por aí em nomes de escolas, ruas e avenidas e, ainda que inconscientemente, são mais lembrados do que os muitos personagens injustiçados naquele momento de opressão. Contudo, não é bem do esquecimento relegado às vítimas da ditatura que me proponho a falar. Hoje, quero lembrar-vos de duas personalidades que me foram apresentadas, a pouco mais de um ano, pelo meu orientador o Prof. Dr. Claudio C. Novaes. Refiro-me às figuras de Olney São Paulo e Eurico Alves, sendo que o primeiro, coincidentemente, foi preso e torturado pela Ditadura Militar.

Olney é natural de Riachão de Jacuípe, mas foi em Feira de Santana que Olney descobriu o amor pelo cinema e se empenhou na difusão cultural entre todos os ramos da população. Eurico Alves nasceu em Feira de Santana e aí viveu a infância e ingressou nos estudos que concluiria um pouco mais tarde em Salvador. Mas, o que Olney e Eurico têm em comum? Essa pergunta é simples, o que aproxima esses dois artistas é o amor pela temática sertaneja, que movia a vida de ambos.

Olney São Paulo era apaixonado pelo cinema, a sétima arte era o combustível da vida desse cineasta. Imbuído das perspectivas cinemanovistas repercutidas na Bahia, hoje praticamente nenhum livro que trate de Cinema Novo menciona o nome de Olney São Paulo. Essa pouca aparição do cineasta é semelhante ao apagamento dos personagens marginais do sertão. Já Eurico Alves foi um dos fundadores e representantes do Modernismo baiano, movimento literário que, pela postura revolucionária e interesse pela cultura popular, chega mesmo a se aproximar do Cinema Novo. O conjunto das obras desse autor e sua vida cultural também continuam no esquecimento.

Quando falamos em Cinema Novo, lembramos principalmente dos nomes de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos e Alex Viany. Vez ou outra o nome de Roberto Pires também aparece em alguma nota, afinal foi ele o produtor do primeiro longa metragem baiano, o filme Redenção, e do grande sucesso de A grande feira. Mas, e de Olney São Paulo, o diretor que produziu seu primeiro filme, Um crime na rua, utilizando uma câmera emprestada e a ajuda de alguns amigos, quem é que lembra? Quem é que lembra dos filmes Manhã Cinzenta e Grito da Terra?


Olney São Paulo e Eurico Alves são apenas dois exemplos, os outros são enumeráveis. Nos últimos 14 meses, os nomes desses dois artistas não se afastaram dos meus pensamentos. Mas e quanto a vocês, será que depois da leitura dessas breves linhas procurarão algum poema de Eurico Alves para ler ou algum filme de Olney São Paulo para assistir? De toda sorte, fica o convite. E, se tiverem interesse também, procurem pelos nomes esquecidos, deem oportunidades para essas vozes.


Rosana Carvalho é graduanda em Letras Vernáculas e bolsista de iniciação científica Probic/UEFS. Tem como orientador o prof. Claudio C. Novaes.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Letrando da UEFS, envie imagens para a capa da 5ª edição

Olá graduandos e graduandas em Letras,


É com imensa satisfação que a revista Graduando informa que a nossa quinta edição está prestes a “sair do forno”. Por isso, gostaríamos de lhes informar que estamos selecionando fotografias, desenhos e imagens diversas, de autoria de graduandos em Letras da Uefs, para a capa da edição n. 5.

Diante disso, pedimos que enviem a(s) sua(s) sugestão(ões).

A Graduando se orgulha de ser uma revista feita para graduandos em Letras. E nada mais justo do que,  sempre que possível, dar a vocês o poder de ser parte dela.

O envio de sugestões deve seguir as seguintes regras:

ü     O tema escolhido para a capa é “Graduando, entre o ser e o saber, entre o semiárido e o sertão”;

ü     Só alunos da Graduação em Letras da Uefs podem enviar imagens;

ü     A imagem enviada pode ser de qualquer tipo (foto, desenho, colagem, pintura, arte digital...), contanto que seja de autoria daquele que a enviar;

ü     As imagens devem ser enviadas para o e-mail da revista, revistagraduando@gmail.com;

ü     O conselho editorial selecionará as imagens que passarão à fase de votação. Os critérios de eliminação serão: falta de qualidade da imagem, inadequação ao projeto e/ou descumprimento de alguma das normas acima;

ü     As imagens selecionadas pelo conselho editorial passarão por votação pública. A sugestão de capa mais votada será escolhida para a 5ª edição;

ü     As sugestões de capa estarão disponíveis para votação pública no blog da revista Graduando;

Aceitaremos imagens entre os dias 8 e 29 de setembro de 2013.

Então, graduandos, a Graduando mais uma vez conta com vocês!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Renovando os votos

Por Danilo Cerqueira*

Foto: Carlos Augusto (Guto Jads) - Jornal Grande Bahia)

Escrever, aliás, é um andar ao encontro dos outros, sem deixar de ser um passeio de si próprio. José Jerônimo de Morais. Parlendas (1995).

Uma reunião com poucas pessoas, duas, ao todo. Provavelmente, a Biblioteca Municipal de Feira de Santana não será o espaço para grandes discussões por algum tempo. Mas isso não quer dizer que não tenhamos boas surpresas. Os ótimos e esticados momentos da Graduando no prédio público municipal puderam acontecer, desta vez, numa conversa com um (a) calouro (a) de outra instituição de ensino superior. Talvez mais superior do que o nível educacional referente aos envolvidos na conversa fosse a nossa disposição ao falar do cotidiano de uma universidade a partir do (s) ponto (s) de vista de uma publicação acadêmica. Nossa disposição para alimentos, muito intensa já naquele horário, não impediu que, novamente, a Graduando efetuasse “um longo e frutuoso diálogo do curso ‘consigo’”. (apresentação da 3ª edição da revista).
Conversar com um (a) estudante de outra instituição foi uma experiência importante, não simplesmente por divulgar a revista ou torná-la conhecida fora dos “muros imaginários” da universidade. Percebemos que as ações da Graduando podem ser feitas e estimulantes não apenas no curso de Letras da Uefs, não apenas nos cursos que atualmente a Uefs abarca em suas dependências, não apenas numa instituição de ensino público, não apenas numa instituição de ensino, não apenas numa instituição. Estava-se ali, na Biblioteca Municipal de Feira de Santana, para compartilhar uma experiência e perpetuar, não uma ação pontual ― equivocadamente entendida como modelo estático para “imitações baratas” ―, mas um entusiasmo criador de novas e contextualizadas ações em qualquer que seja o lugar onde se está. Não foi uma conversa de emissor para receptor. A definição de direção e papéis comunicativos não deve ser algo tão importante numa conversa sobre um periódico acadêmico. Todos (os três) estávamos envolvidos, pelo menos, nestas duas categorias em torno do momento mágico ― porque interativo ― que é a comunicação. Se alguém fica de boca aberta durante alguns momentos numa visita ao circo, ficamos de boca aberta (com um sorrisinho) quando percebemos, depois, o que estávamos fazendo, e, acreditem, o que já havíamos feito até aquele momento. O (a) estudante havia passado por um cursinho pré-vestibular no qual havia sido ensinado (a) por alguns de nossos colaboradores (entendamos colaboradores como membros do conselho, comissão, articulistas, imagistas, poetas e poetisas, cronistas, revisores ― e revisoras ―, comentaristas, fotógrafos ― e fotógrafas ―, enfim, pessoas que, de alguma forma, contribuem para a Graduando). Fomos percebendo, nas feições e interesse do (a) estudante, as mesmas questões que nos espantaram e nos entusiasmaram quando iniciamos a revista, em 2010. O reconhecimento de nossos colaboradores no processo de aprendizado de um (a) estudante que culminou em sua entrada no ensino superior ― por ele próprio ― criou um vínculo entre ele (a) e nós. Seu estranhamento quanto ao universo acadêmico no primeiro semestre, acreditamos, foi sendo diminuído ao longo de uma conversa de mais de duas horas. E também aprendemos com isso (vai aqui um “Muito obrigada!”, pois nos baseamos no gênero da palavra revista para agradecer).
Reconhecemo-nos enquanto colaboradores ― diretos e indiretos em espaços não delimitáveis ― do processo de ensino e aprendizado de mais um (a) novo (a) estudante do ensino superior feirense.

* Danilo Cerqueira é graduado em Letras Vernáculas pela UEFS, cursa o mestrado em Literatura e Diversidade Cultural na mesma instituição e é membro do conselho editorial da revista Graduando.

terça-feira, 10 de abril de 2012

ABAIXO AO MONSTRO DO COMODISMO! VIVA FEIRA DE SANTANA

Por Wellington Gomes de Jesus*


Como todos já sabem, acredito, Feira de Santana foi transformada em Região Metropolitana em junho de 2011, que é o grupamento de municípios com interesses comuns e projetos compartilhados. Segundo o atual secretário municipal de planejamento, Carlos Britto, em entrevista para o canal G1, vai existir “várias cidades no entorno de Feira que juntas irão discutir transporte, intervenções urbanas, captação de recursos, representação política, brigando por obras de infraestrutura na cidade”, e acredita “que vai dar uma guinada boa se os objetivos de todos forem comuns”. Vejamos bem: se os objetivos de todos forem comuns. Coisa difícil!

Entretanto, amigos, a massa feirense, o grande povo, não faz a mínima ideia do que significou esse evento, tampouco as autoridades se incomodaram em socializá-lo. Feira de Santana, da maneira como se encontra, ainda vai levar muito tempo para se tornar cidade, e quando se tornar não terá dado conta disso. Ainda somos um pequeno vilarejo assombrado pelo antigo regime dos currais eleitorais e do clientelismo político da República Velha.

Pois é! A administração pública trata o cidadão de Feira com mesquinhez e ignorância, acreditando ser um povo segregado é frágil, sem poder de decisão e transformação. E não é de todo mentira. Pois, num passado recente, as pessoas iam às ruas para defender seus interesses pessoais e coletivos, iam até as últimas consequências de seus empreendimentos, mas agora não, o individualismo e a hipocrisia tomaram conta delas, como numa epidemia avassaladora. Prova disso é o recente aumento da passagem de ônibus urbano para R$ 2,50 e a curiosa atitude dos usuários, cidadãos feirenses, que “enchem” os ouvidos de motoristas e cobradores de ônibus com palavras de baixo calão e frases irônicas sobre o assunto e deixam estudantes estigmatizados, enfraquecidos e solitários nas ruas, quando deveriam reclamar, também, os seus direitos a quem de fato poderia resolver o problema. O certo é que o povo desta terra tem jogado muita conversa fora. Será a lei do mais forte ou a lei do acuado? Do indefeso? Do órfão? Creio ainda que seja outra lei: a do medo.

É isto. O povo feirense é órfão de pai e mãe e não aprendeu a lutar por sua própria sobrevivência. Tem esperado que uma força do além venha resolver os problemas sociais que tanto o assola; e esquecido de, ele mesmo, dar o primeiro passo, do lado de fora, para as mudanças almejadas apenas entre quatro paredes.

Está mais que na hora dos novos metropolitanos abandonarem, de uma vez por todas, a condição de vítimas do sistema de corrupção e apatia administrativa de prefeito, vereadores, secretários e companhia limitada, e quebrar a velha ideia de que pessoas de culturas, lugares e costumes diferentes nunca se unem. Pelo contrário, o povo feirense é a mistura que pode e deve dar certo.



*Wellington Gomes de Jesus é graduado em Letras com Espanhol pela UEFS e membro do Conselho Editorial da Revista Graduando

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