ENCONTRE NO BLOG...

Mostrando postagens com marcador Linguística. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Linguística. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

ARTIGO DESTAQUE ! ! !

Olá, graduandíssimos,

O artigo destaque desta semana é este: “O contexto e o intertexto na música ‘pra não dizer que não falei das flores’ de Geraldo Vandré”, de autoria de Adriana Alves Santana, Joseane de Jesus Pereira Araujo, Laila Kelly Almeida Jesus e Telma de Oliveira Santana, publicado na segunda edição da Graduando, em 2011.






Desde que foi publicado, este artigo foi citado em dois artigos, uma monografia, uma dissertação de mestrado, um texto publicado em livro, uma apresentação no prezi e um texto publicado em blogue.

E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).

Acesse nossas mídias!

    

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

ARTIGO DESTAQUE !

Olá, graduandíssim@s!

O artigo destaque desta semana é este: “Divergências conceituais: Gramática Normativa x Descritiva”, de autoria de Inérzia Kaliane Torres Leite e Joana Gomes dos Santos Figuereido, publicado na primeira edição da Graduando, em 2010.

Desde que foi publicado, este artigo foi citado em uma dissertação de mestrado, defendida na Universidade de Aveiro, Portugal.


Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).

E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários!


Acesse nossas mídias!

    

terça-feira, 22 de junho de 2021

ARTIGO DESTAQUE !

Olá, graduandíssimos,

O artigo destaque desta semana é este: “Representações discursivas do professor em charges”, de autoria de Dirlane Bispo de Cerqueira, publicado na sexta/sétima edição da Graduando, em 2013.





Desde que foi publicado, este artigo foi citado em uma dissertação de mestrado, defendida em 2015 no Programa de Mestrado em Ciências da Linguagem da Universidade Católica de Pernambuco.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários!


Acesse nossas mídias!

    

segunda-feira, 7 de junho de 2021

ARTIGO DESTQUE !

 Olá, graduandíssimos,


O artigo destaque desta semana é este: “Da análise da música como gênero textual e texto multimodal ao ensino de Língua Portuguesa”, de autoria de Jéssica Carneiro da Silva, publicado na sexta/sétima edição da Graduando, em 2013.

Desde que foi publicado, este artigo foi citado em quatro artigos, dos quais três foram publicados em revista e um em anais de evento.




E você, conhece algum artigo publicado na Graduando, que foi citado em outros trabalhos? Se sim, deixa aqui nos comentários.

Para mais informações sobre este artigo e os demais trabalhos, basta acessar a página “citações”, que se encontra no site da Graduando (http://www2.uefs.br:8081/dla/graduando/citacoes.htm).


Bom final de semana!

Acesse nossas mídias!

    

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

XVI SEMANA DE LETRAS - 50 ANOS DO CURSO E... "FORMANDO" DOUTORES

Fonte: Facebook

Fonte: Facebook


Por Danilo Cerqueira*



É. Chegamos aos 50 anos. Ele, nós, vós, eles, elas, você... e, por que não, eu também... É claro que não estou me referindo ao(à) leitor(a) do blog, mas sim a todos e todas que tiveram contato com @s graduand@s (e graduad@s) do curso de Letras da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Tod@s @s que se comunicaram, ou mesmo @s que apenas pensaram sobre quem viam, supondo sobre como deveria ser aquele(a) que cursa Letras na UEFS, foram tocad@s pelo curso que proporciona, se não todo, parte considerabilíssima do conhecimento sobre língua em nosso país - e aí não mais considero apenas este curso da universidade feirense... e baiana, mas todo o conhecimento que este curso engloba nas instituições de ensino superior do país.

Foi uma semana de muitas letras. O curso de Letras vivenciou mais uma semana de várias expressões humanas em um evento anual, a Semana de Letras, organizada pelo Diretório Acadêmico de Letras José Jerônimo de Morais. Os cinco dias de reunião entre ouvintes, apresentadores, comissão organizadora e colaboradores em torno desses conhecimentos tão diversos quanto completos (e não menos complexos) proporcionaram ao ambiente acadêmico da UEFS a celebração de sua área mais antiga, com participação desde a fundação do espaço anterior à própria UEFS, onde hoje é o Centro Universitário de Cultura e Artes (CUCA). Portanto, a formação de profissionais e pessoas pela instituição remonta a espaços que muitos que frequentam essa universidade nunca visitaram, mesmo vivendo na mesma cidade e, em parte, incentivados a participar dos demais espaços ligados à UEFS.

Voltando ao curso de Letras, a semana foi dedicada a minicursos, espaços de discussão, comunicações, intervenções artísticas (teatro, música, performances), rodas de conversa, saraus... todos, momentos em que trocamos e plantamos e colhemos e regamos e compreendemos e aprendemos e admiramos e calamos e incompreendemos e subentendemos... palavras! A Semana de Letras sempre expõe e impõe a natureza do graduando, a presente maioria: quem faz, quem comemora lindamente e extasiadamente as muidezas dos primeiros ou importantes trabalhos num espaço "novo", numa condição nova, num momento de "empoderamento" em relação ao curso e à história da instituição, seja como ouvinte ou monitor, seja como colaborador, seja como ministrante de oficina, minicurso, debatedor, palestrante, conferencista... etc.!

Junto com as bodas de ouro... vieram doutorados!!! A UEFS concedeu o título de Doutor Honoris Causa ao escritor Antônio Torres durante o evento. Algo raramente feito pela universidade, coube-lhe outorgar o título a um escritor durante uma semana de Letras... Simbólico! Outros motivos para comemorar é que as pós-graduações de Linguística e de Literatura ligadas ao curso em breve estarão com doutorandos... Ano que vem, teremos os doutorandos em Linguística; em breve, os da área de  Literatura. A área de Letras, com seus cursos, que começaram com uma graduação em modalidade específica, chega hoje a integrar 4 cursos, especializações, mestrados, um doutorado implantado e inúmeras atividades ligadas ao Departamento de Letras e Artes, ao qual também se integra o curso de Música e a área de Artes, com cursos e a pós-graduação em Desenho, Cultura e Interatividade. O curso de Letras faz, de suas expressões em palavras, a ciência que reconhece as inúmeras expressões que o podem tornar mais humano, mais integrado à realidade das coisas e das pessoas, de suas ânsias de vida e do seu cotidiano de existência e resistência, sem que se dissocie a parte disso da própria instituição.

É... Ainda que não percebamos, os movimentos deslocam... o ar... e, assim, movimentar espaços que, muitas vezes, não podemos perceber senão por suas consequências. Que a contingência dos dias e das ponderações sobre a responsabilidade de cada um(a) d@s  graduand@s em Letras, nos rumos da (própria) história (do curso) fique cada vez mais evidente quando nós, mais vivenciados no verso e anverso de nosso cotidiano na UEFS, e também fora dela, estivermos o mais oportunamente possível na condição dialógica em relação aos(às) outr@s e tant@s graduand@s da vida...


Arte: Danilo Cerqueira



* Danilo Cerqueira é licenciado em Letras Vernáculas pela UEFS, com especialização e mestrado em Estudos Literários pela mesma instituição. Atualmente, é professor da rede estadual de ensino e membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

DISCURSO DE ORADORA

Por Cidalia Oliveira Barbosa Pinto*


Muito boa noite a todxs. Primeiramente, FORA TEMER! Dando prosseguimento, gostaria inicialmente de cumprimentar, com muita gratidão, cada familiar presente fisicamente e em espírito que está aqui esta noite, os quais estão sentindo nesse momento no coração o quanto foi preciso para formar seus filhos e estarem aqui todxs brilhando neste momento maravilhoso. Parabéns pra vocês! Cumprimento também o Magnífico senhor reitor desta casa, Evandro do Nascimento Silva, e a Magnífica – literalmente – vice-reitora, Norma Lucia Fernandes de Almeida, juntamente com essa mesa extraordinária que escolhemos com tanto amor. Agradeço também aos meus colegas pela missão de representar a turma com as palavras que proferirei, palavras estas que fui buscar dentro da alma.

Senti a necessidade de fazer uma homenagem ao nosso poeta recentemente falecido do corpo físico, Ferreira Gullar, com um poema chamado “Um instante”, que dialoga profundamente com o momento de hoje:

Aqui me tenho
Como não me conheço
           nem me quis

sem começo
nem fim
           aqui me tenho
           sem mim

nada lembro
nem sei

luz presente
sou apenas um bicho
           transparente

Que sejamos transparentes e inacabados no exercício do ensino por todo o tempo efetivo da nossa profissão! Pois então: compreendo o discurso de orador como um discurso essencialmente político. Confesso que não gostava de política, mas, pela educação, foi preciso gostar. Como falar em educação sem falar de política? O contexto político brasileiro atual abarca: a PEC do fim do mundo, da educação e da saúde, escola sem partido, reforma do ensino médio, um país golpeado, de feição conservadora, machista, patriarcal, homofóbica, doente. Uma junção de doenças que têm matado diversos brasileirxs diariamente. Fisicamente e interiormente. E hoje, o Brasil tem a nós. Oficialmente professorxs. E eu vos pergunto: e então? Nossa missão é uma missão de resistência. De trabalhar com o caos. De ter a consciência de que não somos máquinas conteudistas. Que acima de tudo, somos humanos tendo que ajudar outros humanos. Sim, ser professor é um trabalho de humanização, desconstrução, resgate de VIDAS da escuridão da ignorância. Ignorância esta que mata, oprime e exclui.

Percebam: as escolas estão parecidas com os presídios, e não é à toa que têm aprisionado mentes, seres capazes e pensantes, futuros críticos e colaboradores para o mundo. É preciso ter voz. Alta. Forte. Muito sangue foi derramado no decorrer da história para, sobretudo as mulheres, e especialmente mulheres negras serem professoras, bem como todos os grupos sociais que são marginalizados. Os cursos de licenciatura, em sua grande maioria, acolhem pessoas oriundas de classes sociais mais baixas, que são as primeiras de suas famílias a ter acesso ao ensino superior e à oportunidade de desenvolver um trabalho intelectual. Tal fato contrasta com a desvalorização da profissão e o sucateamento das escolas e a falta de investimento nos cursos de licenciatura, que os torna uma espécie de gueto, reduto dos pobres dentro da universidade, tão marcada por divisões de classe entre os cursos de rico e os cursos de pobre. As licenciaturas precisam parar de mascarar essa situação e, enquanto o ensino público não melhora, ajudar os alunxs e não empurrar para um novo semestre sem que esteja pronto para isso. Aguardemos ansiosamente a reforma do currículo e do ensino dos cursos de Letras, visto que é o curso que serve como base para todos os outros cursos e para a visão de mundo. As letras tecem o mundo, as letras são a política da vida, como diz Roland Barthes em seu livro Aula: “A linguagem é uma legislação”.

A sala de aula é um espaço democrático que tem sido sufocado porque eles reconhecem o poder de uma nação crítica. E eu vos pergunto novamente: e então? E nós? Profissionais essencialmente da leitura e da escrita, ferramentas de conhecimento do mundo, de reconhecimento da identidade. E como diz Rubem Alves: “Escrever e ler são formas de fazer amor”, e ainda complementa: “‎As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos.” Temos duas armas poderosas nas mãos: a Linguística, ciência da língua, e a nossa língua mostra quem somos, e a outra, a magnífica Literatura, operadora da alma, a arte que mostra o que somos.

Sigamos juntxs pela educação, por um mundo melhor, pelos seres humanos, pela vida. É necessário educar as pessoas, e escolhemos isso. Arquemos com este maravilhoso desafio. Trabalho de formiguinha, profundamente efetivo. E quando alguém nos questionar sobre sonhos, ilusões e dizer que é loucura querer mudar o mundo,  que sorríamos. Essas pessoas são as que mais precisam de ajuda, e o mundo – vasto mundo – é o nosso espaço, é onde estamos, e se cada umx de nós transformarmos o lugar em que atuamos, já é muito, já é tudo.

Sendo assim, peço a ajuda dxs formandxs para repetir comigo a frase de uma das músicas mais marcantes do mestre Criolo:

“AS PESSOAS NÃO SÃO MÁS, ELAS SÓ ESTÃO PERDIDAS, AINDA HÁ TEMPO”

Que sejamos amor, ensinemos antes de tudo amor, porque AMAMOS A EDUCAÇÃO!

AGRADEÇO!



* Cidalia Oliveira Barbosa Pinto é graduada em Letras Vernáculas (UEFS) e mestranda em Estudos Literários (UEFS).

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

LINGUÍSTICA HISTÓRICA: UMA CIÊNCIA

Por Maria Rosane Vale Noronha Desidério *


É uma realidade universal hoje, o fato de que as línguas não permanecem imutáveis, ao contrário, elas mudam no decorrer do tempo. E é justamente sobre essa mudança que se debruçará a ciência da linguística histórica.

O caráter científico da linguística histórica consiste em descrever, dentro de um contexto teórico, os diferentes processos de mudança de uma dada língua. É preciso, contudo, ter cuidado com o ecletismo teórico, tendo em vista que isto é uma visão ingênua no estudo científico de qualquer corpus. O que se deve fazer é buscar uma síntese conceitual das teorias acerca do corpus, pois assim, não se amontoará pedaços das mesmas, mas sim, uma síntese, de modo a considerar suas complexidades, suas particularidades.

O Estruturalista Ferdinand de Saussure definiu a língua como homogênea, estática, ou seja, imutável, e que esta não se define por si mesma, mas mantêm uma relação de dependência recíproca entre seus termos. Saussure se deteve no estudo da Langue – língua, não considerando a fala, que ele denominou Parole. Dividindo, para tanto, o estudo da língua em diacrônico e sincrônico: sendo a diacronia o estudo da língua do passar dos anos, portanto, histórica;e, a sincronia, o estudo da língua em um período, um recorte de tempo. A diacronia é formada pelos diversos recortes sincrônicos. E, assim, a sincronia precede a diacronia, pois não se pode estudar a história de uma língua sem observar suas fases, seus recortes, ou seja, os períodos em que se supõe,a língua mantém-se estática, sem mudanças consideráveis e definitivas.

É importante mencionar que nos períodos sincrônicos as mudanças estão acontecendo, ainda que pareçam pouco perceptíveis. Por vezes, duas formas são usadas simultaneamente até que uma se sobressaia à outra, e esta última venha a desaparecer. Um exemplo de simultaneidade é o uso dos pronomes tu e você. Ou ainda, a expressão a gente que tem ganhado força no dialeto popular em substituição do pronome nós.

Ao estudar a língua Saussure opta pelo estudo da L-I (língua interna). Que é uma abstração da língua, pois não se tem acesso de fato ao objeto, tendo em vista, que não se pode observá-lo dentro do cérebro. Os gerativistas também optaram pelo estudo da L-I. E, o gerativista Chomsky defende em sua teoria a GU, ou seja, a gramática universal que se localiza no cérebro de todos os humanos e, que, portanto, é biológica. Ao colocar este pressuposto do Inatismo da língua, Chomsky,assim como Saussure, considera a língua homogênea e exclui o aspecto social como influenciador no processo de mutabilidade da língua. Pois, para Chomsky as mudanças percebidas na língua advêm das configurações biológicas do cérebro humano.

Outra corrente chamada interacionista ou mais popularmente conhecida como sociolinguística discorda do conceito de língua homogênea e estática,defendido por Saussure e Chomsky, ao mesmo tempo em que compreende que não se pode estudar a mudança sem levar em conta o aspecto social e histórico das comunidades de fala. Esta corrente tem como objeto de estudo a L-E – língua externa. Portanto, seu objeto é concreto e palpável.

Esses conceitos de língua defendidos pelo Estruturalista Saussure e que depois veio a influenciar os gerativistas receberam inumeráveis críticas de estudiosos da língua, justamente por considerar a língua homogênea e estática. Um dos primeiros a tecer críticas foi Coseriu, que discordou do caráter estático da língua, pois compreendia a língua como um sistema em movimente constante. Ele também questionou a separação da descrição histórica da língua por perceber que esta é um objeto histórico. E, portanto, ao estudar uma língua é preciso que descrição e história, de forma sistemática, caminhem juntas.

Os interacionistas Weinreich, Labov e Herzog criticaram o caráter da homogeneidade da língua, defendendo a criação de um modelo de língua que acomode a heterogeneidade. Por conceberem que a língua é heterogênea, e não homogênea como defendem estruturalistas e gerativistas.

O teórico Volochínov, antes mesmo destes teóricos aqui citados, já pontuava que a ideia de língua como sistema homogêneo é apenas uma abstração científica que não dá conta da realidade concreta e histórica das línguas.

O estudo das línguas se dá através de três vias. A primeira busca reconstruir o passado, recuperando os estágios antigos através do método comparativo. Os defensores desta via consideravam os estágios antigos superiores aos estágios atuais. A segunda estuda o passado com o objetivo de aclarar o presente. Os estudiosos defendem que o estado atual da língua teve um início e compreender este princípio é assimilar o estado atual da língua. A terceira via faz o sentido contrário à segunda, pois defende que é ao estudar o presente que se compreenderá o passado. Esta última teoria é explorada pelos Variacionistas.

Como podemos verificar, o estudo da língua possui mais de um caminho. É preciso que cada estudioso escolha o seu. O que será igual em todos é o fato de que a língua é o mais significativo patrimônio de um povo. Estudar linguística história não é estudar história da língua, mas é debruçar-se sobre as mudanças que as línguas sofrem no decorrer do tempo, Vasculhando tais mudanças nos vestígios deixados. E, ao olhar para o passado, não raras vezes têm-se a impressão de estar diante de outra língua. A exemplo do português do século XIV para o português do século XXI e mais especificamente para o português brasileiro. Isto denota o caráter vivo e mutável das línguas.


REFERÊNCIA

FARACO, Carlos Alberto. Linguística histórica: uma introdução ao estudo da história das línguas. São Paulo: Parábola Editora, 2005.


* Maria Rosane Vale Noronha Desidério é graduanda em Letras Vernáculas da UEFS e cursa o 8º semestre.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

SOBRE UM CAPÍTULO DE “MANUAL DE SEMÂNTICA”*

Por Danilo Cerqueira Almeida **


AMARAL, Luciano. Cap. 4: Semântica estrutural. In: ______. Manual de semântica. Petrópolis, RJ. Vozes, 2008. p. 59-84. 

O professor Luciano Amaral expõe, no capítulo 4 do Manual de Semântica (2008), uma análise sobre o ramo da semântica ligado à linguística estrutural, que tem como precursor e fundador da abordagem científica Ferdinand de Saussure. De maneira muito clara, o texto apresenta um percurso da semântica estrutural, cujos fundamentos remontam ao Curso de Linguística Geral (1916), construto teórico que baliza inicialmente os estudos linguísticos, e que, por consequência, também inicia as reflexões sobre aspectos da língua e linguagem que hoje estão em foco na Semântica.

Embora os estudos semânticos estruturais apareçam muito diversos, com variações metodológicas e campos de atuação vários, o autor deste panorama apresenta um texto bastante informativo e reflexivo, não só pela gama de estudos apresentados no capítulo como também pela relação de influência diacrônica estabelecida entre as abordagens. Tal recurso confere ao assunto estudado uma síntese relacionada e crítica entre os cientistas da linguagem que debruçaram sobre a semântica estrutural — a ressalva “desconsiderada” sobre a elaboração de Curso de Linguística Geral (1916) e ponderações acerca de supostas incoerências nas teorias elencadas, mediante confronto com outros teóricos e reflexões do próprio Amaral. Ao longo do texto, vemos as dicotomias saussurianas tornarem-se mote para refutações sob outros pontos de vista — Charles K. Ogdem e Ivor A. Richards (e Frege), que, por sua vez, são contestados por outros semanticistas: Eco, Ullmann. É interessante notar, no texto do capítulo, não apenas o debate entre os pensadores do significado, mas a tomada de posição por parte do escritor sobre a discussão, também evidente nas passagens sobre campo semântico (lexical) — não necessariamente classificado inicialmente assim —, criação de Jost Trier. Essa teoria é didaticamente relativizada na questão das lacunas lexicais, considerando o fenômeno do estrangeirismo e empréstimo. O mesmo acontece com os componentes semânticos, que, inicialmente subsidiados metodologicamente pelos traços distintivos (Hjelmslev), são enriquecidos por Coseriu — arquilexema e tripartição dos componentes semânticos —, o que proporcionou estudos relacionados à homonímia, sinonímia e antinomínia, em suas graduações situacionais.

A variedade de correntes de abordagem da semântica estrutural aponta para um mosaico que o texto do professor Luciano Amaral mostra com evidência, mas também mostra que há semelhanças e diferenças que devem ser observadas para o avanço dos estudos semânticos estruturais.


* Texto apresentado como avaliação parcial da disciplina Língua Portuguesa VII, na UEFS, em 2009.
** Danilo Cerqueira Almeida é licenciado em Letras Vernáculas (2010), além de especialista (2012) e mestre (2014) em Estudos Literários, todas graduações pela UEFS. Também é membro do conselho editorial da revista Graduando: entre o ser e o saber.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

LINGUÍSTICA HISTÓRICA: AS MUDANÇAS OCORRIDAS NA LÍNGUA AO LONGO DO TEMPO

Por Pâmella Araujo da Silva Cintra*


A língua é um complexo sistema em transformação, por isso, linguistas tentam compreender essas mudanças ao longo do tempo. A Linguística Histórica é a disciplina científica que se preocupa em interpretar as mudanças fônicas, mórficas, sintáticas e semântico-lexicais das línguas utilizadas por seus falantes ao longo do tempo histórico. Para isso, ela depende, diretamente, da filologia, ciência do texto, que fornece os dados.

Podemos perceber, ao comparar, por exemplo, a escrita dos poemas da época do português arcaico (séc. XIII) com a escrita do português moderno, que a língua passou por muitas mudanças, a exemplo, itens lexicais ou gramaticais como em “non ei ren do que desejo”, o substantivo ren desapareceu do uso corrente. Veja: “Calho nego pola ver”, o mesmo aconteceu com a conjunção ca. É possível também notar na comparação, que, no português antigo, os substantivos terminados em –or eram de dois gêneros, como no exemplo: “Ca mia senhor quiso Deus fazer tal”.

Na Linguística Sincrônica, são analisadas as características da língua, considerando-as estáveis, ou seja, imutáveis. Dentro de um espaço de tempo aparentemente fixo e, muitas vezes, curto. É nesse intervalo de tempo que se procuram detectar as características linguísticas de maior relevância daquele período escolhido. A partir daí, o confronto das diferentes sincronias de diferentes períodos configura-se no que chamamos de estudo diacrônico, cujo centro das atenções são as mudanças ocorridas na língua ao longo do tempo.

A Linguística Histórica possui uma vertente conhecida como Linguística Histórica Lato Sensu. Caracteriza-se por ser todo tipo de linguística que trabalha com corpora datados e localizados, ou seja, com dados que possam ser comprovados por meio da data (tempo) e do local (espaço). Portanto, não estuda a mudança linguística. A dialetologia é um exemplo de estudo que se baseia em documentação datada e localizada, podendo-se, então, incluí-la na chamada Linguística Histórica Lato Sensu, tal como, a Sociolinguística Laboviana.

A outra vertente da Linguística Histórica é a Linguística Histórica Stricto Sensu ou Tradicional. A ela interessa as mudanças ocorridas, o que muda e como ocorre a mudança na língua ao longo do tempo. Aqui sim, há a preocupação com o estudo da mudança linguística. Contudo, sabe-se ainda que há duas orientações para se trabalhar com a Linguística Histórica Stricto Sensu, são elas: Linguística Histórica Sócio-Histórica ou Linguística Histórica Social e Linguística Histórica Associal ou Linguística Diacrônica. A primeira, considera os fatores extralinguísticos e sociais (LÍNGUA-E), como é o caso da teoria laboviana da variação e mudança, que leva em conta o grau de escolaridade dos falantes, faixa etária, os diferentes contextos sociais e demais fatores. Já a segunda, considera apenas os fatores intralinguísticos, como é o caso dos estruturalismos diacrônicos. Em suma, a língua interna (LÍNGUA-I).

A Diacronia Sincrônica é mais uma forma de abordagem que se preocupa com as mudanças da língua, mas essa se diferencia por englobar, ao mesmo tempo, diacronia e sincronia. Entretanto, trata-se de fazer diacronia com uma mesma sincronia através do confronto de diferentes faixas etárias, em tempo aparente, e não de diferentes períodos. Ou seja, é observada a mudança de um mesmo fenômeno linguístico em um mesmo espaço de tempo, levando-se em conta apenas as diferentes faixas etárias envolvidas.

Outra maneira de se fazer um estudo diacrônico é através da Diacronia Tradicional, que, em parte, se assemelha muito ao conceito de Linguística Histórica, tendo como objetivo interpretar as mudanças ocorridas na língua ao longo do tempo. Esse estudo é feito por meio do estruturalismo e do gerativismo diacrônico, considerando a língua interna (LÍNGUA-I) e o confronto de sincronias.

Para os linguistas, o estudo histórico da língua é entendido de diferentes formas, com isso, foram desenvolvidas três vias de estudo: voltar ao passado e nele se concentrar, voltar ao passado para iluminar o presente, estudar o presente para iluminar o passado. Esta última é a via assumida pela diacronia sincrônica e que está também para a Linguística Histórica Lato Sensu, é o caso da Sociolinguística Laboviana.

Fica claro que muitas são as orientações teóricas pelas quais podemos direcionar nossos estudos quanto às mudanças ocorridas na língua. Mas é preciso deixar claro que todas aqui apresentadas muito contribuíram e ainda contribuem para o entendimento das mudanças ocorridas desde o português arcaico até o moderno, as distintas três vias pelas quais podemos optar buscar entender essas mudanças. Assim, a linguística Histórica é uma disciplina científica, cujo objeto de estudo é tão complexo e rico, que muitas são as teorias criadas.


* Pâmella Araujo da Silva Cintra é graduanda do 5º semestre do curso de Letras Vernáculas da UEFS.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

* Por Pâmella Araujo da Silva Cintra


O processo de aquisição da linguagem gira em torno da questão de Platão: Como podemos saber tanto a partir de tão pouco? Ou seja, como pode o ser humano intuir que tal sentença não pertence a sua língua só com o conhecimento dos dados primários? Chomsky e a tradição racionalista defendem a existência de um dispositivo inato biologicamente determinado, conhecido como Gramática Universal (GU). Trata-se, portanto, do estágio inicial do processo de aquisição.

A concepção defendida pela tradição racionalista pressupõe que adquirir uma língua particular é mais uma questão de maturação e de desenvolvimento do tal órgão mental biológico e menos uma questão de aprendizagem. O Behaviorismo defende que os dados primários, ou seja, o meio ambiente linguístico ao qual a criança é exposta, sejam suficientes para explicar o sistema de conhecimentos final do indivíduo adulto.

Entretanto, apesar da tradição racionalista não negar a importância do meio para iniciar o funcionamento da aquisição da linguagem, ela desconsidera que os dados primários deem conta de determinar as propriedades finais atingidas pelo sistema gramatical.

Em outras palavras, os estímulos iniciais da criança são pobres. Devendo-se, então, admitir a existência da GU na mente humana como um mecanismo inato suficientemente complexo, capaz de explicar e de determinar a aquisição e o desenvolvimento da linguagem.

Assim, podemos considerar que a GU é a nossa língua interna (Língua – I), constituída por princípios e parâmetros, e a performance, o uso concreto da linguagem (Língua – E). Contudo, entende-se que o dispositivo inato e o meio linguístico são os responsáveis pelo processo de aquisição da linguagem.


* Pâmella Araujo da Silva Cintra é graduanda em Letras Vernáculas do 5º semestre

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Jeitinho de falar

Kèrolin Gomes de Jesus
Wellington Gomes de Jesus

 
Um primeiro diz “Fala jumento” e um segundo responde “Diga corno” e assim dois conhecidos se cumprimentam enquanto o sinal de trânsito está vermelho; em um lado da rua um diz “Colé filho da puta” e outro responde “Tua mãe é minha, viado”. Circunstâncias como essas são naturais, muito comuns no dia a dia das pessoas, mas podem motivar situações drásticas e irremediáveis.
O mundo contemporâneo se vê bombardeado o tempo todo por ideias novas, isto é, um conhecimento, uma informação, um conceito que existia há um minuto pode não existir no minuto seguinte. Muda-se de ideia muito rapidamente e com isso a sensação, às vezes, de perda de identidade.
Cultivar e exercitar hábitos saudáveis como andar de mãos dadas, saudar alguém com um bom dia, boa tarde, boa noite, sorrir e cooperar não só caiu em desuso como não se tem medido palavras e atitudes na relação com o outro.
O psicólogo Antônio Carlos Alves de Araújo diz que “numa sociedade totalmente competitiva como a nossa, toda a resposta caminha à agressão, por conta da leitura de que alguém está invadindo o espaço vital do sujeito”. A consequência é não apenas enfrentar os efeitos da agressividade, assim como a culpa resultante do processo. Mas não se trata disso, não estamos dizendo que não se deve “lutar” por espaço, lugar no mundo ou qualquer outra situação do gênero. O fato é que se tem achado natural tecer injúrias e distribuir palavras de baixo calão gratuitamente. E tem mais, empurrar, beliscar, dar pontapés, tapas e socos no meio de uma conversa está incluso no pacote.
A sociedade pode não querer enxergar, mas ações graves de agressividade começam com o desrespeito aos limites do outro ainda quando somos pequenos. Segundo a especialista em psicologia clínica para crianças e adolescentes Keila Gonçalves, os pais devem ficar preocupados quando as atitudes perturbadoras se tornam prolongadas. "Algumas vezes, as crianças apresentam uma agressividade não apenas transitória, mas permanente, ou seja, parecem estar sempre provocando situações de briga. Este é o momento de entrar em ação". Por isso o Bullying, comportamento bastante discutido nos últimos tempos, não deve ser um assunto fugaz em quaisquer rodas de discussão. Aramis A. Lopes Neto, sócio fundador da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (ABRAPIA), comenta que o “Bullying diz respeito a uma forma de afirmação de poder interpessoal através da agressão, [e por isso] têm consequências negativas imediatas e tardias sobre todos os envolvidos: agressores, vítimas e observadores”. Esse comportamento tem acontecido de maneira contumaz nas ruas, nas casas, nos grupos de amigos, nas escolas brasileiras e do exterior chegando a motivar inúmeras produções de filmes, documentários e pesquisas científicas diversas.
Entretanto, na contramão de uma conversa mais profunda, sustentamo-nos na máxima popular que assegura toda caminhada começar com o primeiro passo, isto é, nunca é tarde para deixarmos de uma vez por todas as nossas sombras primitivas e assumirmos que estamos civilizados e, por isso, agirmos ponderadamente ao invés de hostis inacefalados, racional e conscientemente e não instintivos como os animais que julgamos menor na escala evolutiva.

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Antônio Carlos A. de. Agressividade: análise psicológica. Disponível em: «http:// antonioaraujo_1.tripod.com/psico1/portugues/agressao/agress.html». Acesso em: 1º set. 2011.

GONÇALVES, Keila. Agressividade na infância: até que ponto é normal. Disponível em: «http:// guiadobebe.uol.com.br/agressividade-na-infancia-ate-que-ponto-e-normal/». Acesso em: 1º set. 2011.

LOPES NETO, A. A. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. Jornal de Pediatria – Rio de Janeiro, 2005; 81 (5 Supl.), S164 – S172. Disponível em: «http://www.scielo.br/pdf/jped/v81n5s0/v81n5Sa06.pdf». Acesso em: 1º set. 2011.

As mais visitadas postagens da Graduando

Graduandantes